II. Uma Conversa e Uma Explicação

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– Em quem está planejando bater com tanta vontade, pra eu poder ajudar?

Um grito escapou dos lábios da ruiva ao ser surpreendida pela voz conhecida. Virou-se num salto apenas para confirmar a presença de Rayan naquelas roupas simples de quem tinha acabado de chegar de algum treino ou reunião com comandantes do reino. O sorriso do homem era o mesmo de três anos atrás e ela não conseguia vê-lo com outra expressão senão aquela convencida.

– Rayan! Quer me matar do coração?!

– Você que quer me matar do coração! Eu achei que não chegasse perto do gradil da sacada, está tentando se matar? – ele arqueou as sobrancelhas, cruzando os braços a apenas dois passos de distância dela.

– Não chego perto...? – apenas naquele momento ela pareceu perceber onde estava exatamente. Ao invés de olhar para o horizonte como tinha feito desde que saíra para a varanda, os olhos se voltaram para baixo e um grito agudo escapou da garganta enquanto ela praticamente corria na direção dos braços do marido, agarrando-o como se aquilo fosse impedi-la de cair. – Meu Deus, o que eu estava fazendo lá?!

– É uma coisa que eu gostaria muito de saber. – ele disse, passando uma mão pela cintura dela, rindo da situação. – Estava tão distraída que além de estar encostada no gradil, nem me percebeu chegando, o que aconteceu? Está preocupada com alguma coisa?

– Eu encontrei com a Illy hoje... – a ruiva começou a falar, ainda agarrada com o marido, tomada de novo pela tristeza ao lembrar a situação da amiga.

– Tinha que ser. – Rayan rodou os olhos. – O que ela fez agora?

– Ela não fez nada, Rayan! Pare de falar assim da minha amiga! Ela está sozinha no vilarejo e não quer vir pra cá...

– Sozinha? Ela não morava com o tio, ou alguma coisa assim?

– Ele morreu... semana passada. – Athena escondeu o rosto no peito dele, abraçando-o ainda mais forte. – E eu nem estava lá pra ficar ao lado dela...

Ele abriu a boca para falar, mas desistiu, suspirando demoradamente. Envolveu a esposa com os dois braços e depositou um beijo no topo da cabeça dela.

– Eu sinto muito. – disse, finalmente. – Ela já voltou para o vilarejo? Não tem mais ninguém morando com ela?

– Não. Ela era mais apegada à minha família, mas eles se mudaram para cá há dois anos depois do nosso casamento. E ela não tem mais família.

– Meu pai não tinha oferecido a ela uma oficina na capital? Ela podia vir pra cá, tenho certeza que ele não deve ter mudado de ideia. – disse Rayan, tentando resolver a situação para que a expressão de pesar sumisse do rosto da esposa.

– Eu disse isso a ela, mas ela é muito, muito teimosa! – uma expressão emburrada tomou conta do rosto da ruiva.

– Era de se esperar. – ele rodou os olhos. – Não é perigoso para ela ficar morando sozinha num vilarejo distante? As pessoas não veem isso com bons olhos.

– Eu disse isso também! Será que ela é a única que não entende?!

Rayan deixou uma risada escapar dos lábios.

– Não se preocupe, ela vai se sair bem sozinha. Se precisar, ela vai vir pra cá. – disse Rayan. – Não pense muito nisso ou vai acabar com dor de cabeça.

– Rayan, o Cáel tem uma noiva? – a pergunta surgiu de repente, a jovem franziu o cenho, encarando o marido de baixo pra cima.

– O quê? – ele fez a mesma expressão em resposta. – Pra que diabos quer saber se o Cáel tem noiva?

A Tough War [Concluída]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora