V. Uma Loucura e Uma Espada

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A ideia de Athena não pareceu tão lógica a Ilithia depois que a amiga lhe ouviu naquele fim de noite, enquanto estavam sentadas na pequena cozinha da casa da morena. O barulho que Ilithia fez em resposta à proposta mais uma vez absurda de Athena devia ter alcançado até os ouvidos do guarda real que estava do lado de fora da casa, fazendo o seu trabalho.

– Você está doida?! – Ilithia fez um enorme esforço para conter o grito, batendo na mesa da cozinha e cuspindo longe o café que tinha quase bebido.

– Illy!!! Não fale assim comigo! Achei que de todos, você me entenderia melhor!!!

– Você. Está. DOIDA?! – a morena repetiu o questionamento, pausadamente, como se aquilo fosse necessário para Athena entendê-la. – Não basta o que passamos três anos atrás, você quer passar por tudo de novo?! Menina, você é a princesa! De onde surgiu essa ideia estúpida de novo?! Acha mesmo que vai conseguir enganar uma segunda vez o seu marido?!

– Ele não nos reconheceu da primeira vez! É só tomarmos mais cuidado! – disse Athena. – E além do mais, você nem precisa ir comigo! Só preciso que me afie a espada, de um arco e de um cavalo... urgh... preciso mesmo de um cavalo.

– Athena, pelo amor de Deus, coloque juízo nessa sua cabeça! – Ilithia rodou os olhos, passando a mão pelos cabelos longos. – O que você acha que vai conseguir fazer num acampamento de guerra? Não é um treinamento nem um recrutamento! Só serão convocados homens com experiência de guerra! Não tem nada, absolutamente nada parecido com o que enfrentamos três anos atrás. É tudo mais perigoso, é tudo mais real!

– Mais real do que o tanto de feridas e cicatrizes que ficamos depois da guerra na capital?! – Athena devolveu, a expressão ainda emburrada.

– Você só teve uma cicatriz, não reclame.

– Mas eu quase morri! Foi perto do meu coração!

– Athena, por favor, eu estou pedido, como sua amiga, como sua irmã... esqueça essa ideia. – Ilithia tentou. – Três anos atrás eu te entendia, não podia deixar que seu irmão se arriscasse, e eu concordei, ele não podia se arriscar e deixa-las sem qualquer sustento, seria realmente perigoso. Mas agora? Rayan é comandante das tropas! E pelo que me disse, a guerra nem está confirmada! Não há a menor necessidade de ir lá pra protegê-lo, ou seja lá o que diabo queira fazer!

– Eu não quero protegê-lo! – Athena respondeu.

– Ótimo! Então não precisamos ir!

– Eu quero ter certeza de que ele vai ficar bem, só isso! – devolveu a ruiva.

– Ele vai ficar! Ele está comandando as tropas do reino há uns dez anos! A última coisa que vai fazer indo lá é ajudá-lo, acredite em mim! – Ilithia insistiu.

– Você é uma boba, Illy! Não entende nada mesmo!!! – a ruiva choramingou. – Achei que pudesse me entender, mas não pode, é uma boba em todos os sentidos! Você só complica as coisas!!!

– Complico? Eu?! – a voz dela subiu um tom. – Você é que quer se vestir de homem de novo para ir num acampamento de guerra! Por Deus, alguém tem que achar que eu sou a pessoa com razão nessa conversa sem pé nem cabeça!

– Ele é meu marido, Illy!!! – Athena falou, categórica. – Meu marido... não é o príncipe, nem o futuro rei, nem o comandante das tropas... é o meu marido.

Ilithia encarou a expressão totalmente chorosa dela por um tempo e desviou o olhar, cruzando os próprios braços, não respondeu, ficou apenas ouvindo o resto do relato que sabia que viria.

A Tough War [Concluída]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora