IV. Uma Ideia e Uma Viagem

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Exatamente como Rayan tinha dito, Heidrich e Cáel tinham partido em viagem ainda aquela tarde, enquanto Eleanor e Conor faziam providências para a viagem que fariam no dia seguinte à tarde. Rayan partiu tão cedo na manhã seguinte que Athena quase não conseguiu se levantar para se despedir do marido, mas o acompanhou e o ajudou nas arrumações até despedir-se dele quando montou no cavalo mais rápido do estábulo para partir para o acampamento na companhia de mais capitães de tropa que ela conhecia desde a época do acampamento de recrutas.

Depois da partida de Rayan, ela voltou imediatamente para o quarto, seguindo para a varanda e sentando-se numa das cadeiras de metal próximas o suficiente da porta para que não pudesse ver a altura em que estava do chão. Ficou apenas fitando o horizonte, imaginando se Rayan tinha seguido naquela direção. Suspirou resignada. Em três anos de casamento tudo estava mais do que perfeito, e já tinham tido uma guerra que dava o suficiente para várias outras. Por que é que tinham que começar com as disputas de novo? E ela nem estava lá para se certificar de que Rayan estava inteiro!

Foi exatamente quando aquele pensamento passou por sua cabeça, que outra ideia o acompanhou. Afinal, o que exatamente a impedia de conferir que sua família ficaria bem no meio de toda aquela situação? Arregalou os olhos com a ideia nada nova, mas ela podia ser de ajuda, bastante ajuda. No mesmo instante, entretanto, ouviu as batidas leves na porta e quase pulou da cadeira, caindo para o lado, como se a pessoa do outro lado da porta tivesse sido capaz de ouvir seus pensamentos absurdos. Levantou-se da cadeira e entrou de novo no quarto, fechando as portas da sacada, dando autorização para que a pessoa entrasse no quarto.

– Você está bem, querida?

Eleanor apareceu na entrada do quarto, fechando a porta ao passar. Mesmo em roupas simples, cada movimento da mulher demonstrava a nobreza da realeza.

– Sim, estou sim, obrigada. – Athena confirmou, sorrindo para a sogra. – A senhora também já está de partida?

– Ainda não. Conor está terminando de preparar a guarda e vamos partir só depois do meio dia. – ela respondeu, e Athena já fez um sinal indicando uma poltrona para a mais velha se acomodar. – Obrigada. Deve ser difícil ver seu marido partir para um acampamento de batalha, não é?

– Hm... o que posso fazer, não é? É o dever dele. – Athena deu de ombros, a expressão mais distante, tentando disfarçar o que se passava em sua cabeça, sentou-se diante dela noutra poltrona do quarto. – Eu não achei que ele fosse ter que fazer isso tão cedo, afinal, faz só três anos desde a última guerra.

– Sim, você não está acostumada com isso mesmo. – Eleanor sorriu. – Mas não se preocupe, vão resolver as coisas antes que se torne mais uma guerra. Devia ver quando Heidrich ascendeu ao trono, tivemos guerras por quase uma década. Foi muito difícil conseguir estabelecer as fronteiras do reino como são hoje e criar laços de paz com as outras coroas. Foi um trabalho duro.

– Então o Rei sempre foi à guerra? – perguntou Athena, engolindo em seco diante do comentário. Imaginou-se em dez anos de guerras seguidas e um calafrio passou pelo corpo.

– Sim. – Eleanor respondeu, mantendo o sorriso no rosto. – Foi bem difícil no começo, eu nunca sabia se ele voltaria bem, algumas vezes voltou com ferimentos muito graves. Heidrich nunca abriu mão de controlar o próprio exército. Ele acha que um verdadeiro Rei deve estar à frente de suas próprias batalhas, não atrás de seus súditos. E bom, eu não tinha como contrariá-lo nesse ponto.

– A senhora também faz muitas coisas pelo reino, naquela época já devia fazer também, não era? – Athena perguntou, mais interessada no papel dela.

– Já disse para me chamar de Eleanor, e digo isso há três anos, acostume-se, Athena, acostume-se. – ela riu da expressão ruborizada da nora quando fez aquele comentário.

A Tough War [Concluída]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora