XXIV. Uma Sentença e Uma Intervenção

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Ilithia se colocou em posição de ataque, esperando ter forças suficiente para derrotá-los enquanto ainda eram só três. Mas foi Qiana que se adiantou entre eles, colocando-se entre ela e os soldados enquanto Athena terminava de auxiliar o rei com a mistura de ervas.

– Eu ordeno que parem! Elas são minhas amigas, não estão aqui para fazer mal, estão comigo! – a jovem bradou, quando o guarda que estava na frente prontamente pegou-a pelo ombro e empurrou-a para o lado sem muita delicadeza, fazendo com que a princesa caísse no canto do quarto.

– O Conselheiro avisou que você ajudou com os intrusos. Eles querem matar o Rei, vão receber pena de morte, de execução imediata. – disse o homem em armadura. – E vossa alteza vai ficar confinada aos seus aposentos reais.

– Elas não são intrusas! – Qiana insistiu. – O Conselheiro que...!

Qiana engoliu em seco quando viu o primeiro guarda avançar contra Ilithia. A morena se defendeu e, ao mesmo tempo, Athena tinha sacado a adaga recebida da amiga para arremessar contra um dos guardas, acertando-o na perna sem muita eficácia. Naquele momento, ela sentiu muito a falta de um arco e um par de flechas para dar cabo da situação.

O som do tintilar das espadas invadiu o quarto, o homem que era bem maior que Ilithia manejava a arma com destreza, mas parecia ter menos velocidade que a mulher. Ainda assim, o cansaço acumulado e os ferimentos recentes dificultaram a reação dela, e quando se desviou de um dos ataques para atingi-lo na altura da coxa com a lâmina da sua espada, ele ainda conseguiu lhe atingir com um soco na altura do ombro, o que a jogou para o lado.

O segundo guarda tinha avançado contra Athena, puxando-a pelo braço e jogando-a no chão para afastá-la da cama do rei. O terceiro avançou contra Ilithia e Qiana saiu do estado de surpresa para tentar intervir, colocando-se entre os dois com os braços diante do corpo e os olhos fechados com força com medo de ser atingida. O movimento de resposta de Ilithia foi rápido, ela puxou Qiana para tirá-la do caminho do golpe certeiro do soldado e usou o corpo para se jogar no chão com a princesa. A lâmina da espada inimiga passou perto o suficiente das costas de Ilithia para abrir um buraco no tecido da roupa que não era protegido pela armadura.

A reação de Ilithia foi rápida, movida por uma onda de adrenalina, ela apoiou as duas mãos no chão e ergueu o pé num chute certeiro no meio do estômago do guarda, empurrando-o para longe. O movimento para se erguer foi rápido e infeliz, porque ela sentiu o quarto todo rodar, a mente pesando e as pernas fraquejando. A respiração estava ofegante e descompassada, o cansaço tomou conta do corpo e ela simplesmente não conseguiu reagir ao ver o outro guarda se aproximar.

A voz de Qiana soou ao longe, assim como a de Athena, e as duas foram sobrepostas pelo som metálico estridente de mais armaduras se movendo. Ilithia ainda tentou manter a consciência e buscar Athena pelo quarto, mas a visão turva apagou completamente depois de sentir uma dor aguda na boca do estômago que lhe tirou a consciência imediatamente.

Quando a voz de Athena alcançou os ouvidos de Ilithia de novo, parecia tão distante que era como se fosse só um sonho muito ruim. Quem sabe a morena acordasse para descobrir que estava apenas atrasada para o café da manhã no castelo e toda aquela aventura tinha sido só um estranho pesadelo?

– Ilithia! Illy!!! Acorde, Ilithia!!!

A voz distante se tornou mais nítida e Ilithia finalmente abriu os olhos, com muito esforço. Ela sentiu o chão frio e terroso abaixo de si, a pouca iluminação tornava difícil identificar o lugar e a cabeça girando não melhorava nada com Athena lhe sacudindo pelos ombros.

– Por favor, acorde, Illy!!! Não pode me deixar sozinha nesse escuro! Temos que dar um jeito de escapar!!

Hmm... – Ilithia apoiou as mãos abertas no chão, tentando fazer força para se levantar, o corpo deitado de bruços.

A Tough War [Concluída]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora