Capítulo 46

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POV/ Maria Eduarda

Desligo o chuvero e saio do box me enrolando em uma toalha. Ponho outra em meu cabelo e trato de me secar aqui mesmo para não molhar o quarto. Passo meu querido hidratante e volto a me enrolar enquanto saio do banheiro.

- Puta merda! - dou um pulo com o susto e ponho minha mão no coração, o sentindo quase sair pela boca.

- Desculpa, não era minha intenção te assustar. - suas desculpas pareceriam mais sinceras se seu sorriso não fosse safado e se seus olhos não passeassem descaradamente pelas minhas pernas.

- O que faz aqui, Louise? - pergunto a vendo esparramada confortavelmente pela minha cama.

Não que seja uma visão ruim.

- Aqui na sua casa, ou aqui no seu quarto? - seus olhos voltam pros meus, me prendendo neles.

"Eduarda, não esquece que você está com raiva dela." - meu subconsciente me lembra.

- Não importa. Será que você pode, por favor, sair?

- Não. - ela responde com simplicidade.

- Como? - A olho surpresa.

- Não! - ela diz com mais firmeza. Ela se senta na ponta da cama, em nenhum momento sem deixar meus olhos. - Eu não vou deixar você nos manter afastada agora que eu finalmente quero que fiquemos juntas.

Pisco várias vezes, surpresa com sua confissão e posso até dizer, audácia. Meu coração já desregulado erra duas batidas enquanto me perco novamente no verde dos seus olhos.

- O-o que você quer dizer com, "ficarmos juntas?" - minha voz sai baixa, mas eu sei que ela escutou quando uma certa confusão toma o lugar da determinação em seus olhos.

Ela se levanta e vem vagarosamente até parar em minha frente. Aperto mais a toalha em meu corpo e sinto o mesmo se arrepia com a pouca distância.

- Eu não sei. - ela nega, com a cabeça baixa e o cenho franzido. - Eu ainda estou confusa, e...e não sei...o que fazer exatamente. - ela suspira, volta a encarar meus olhos, mas pela primeira vez, vejo algo diferente neles. - Não posso prometer que tudo vai ficar bem ou, que tudo entre a gente vai ficar mais fácil...mas estou admitindo com toda minha sinceridade, que eu não vou e nem quero mais fugir de você.

- O que você quer dizer com isso? - sussurro ainda perdida.

- O que eu quero dizer, Maria Eduarda..é que eu não só quero parar de lutar contra isso que existe entre a gente, como vou fazer de tudo pra te roubar daquele babaca...e vou fazer isso com o maior prazer do mundo.

Estava pronta para dizer algo, mas sou rudimente calada por seus lábios que se pressionam contra os meus. Meu primeiro pensamento é me afastar, mas assim que levanto minhas mãos para empurra-la, elas me traem, invés de afasta-la, enlaço seu pescoço, a trazendo para mais perto.

Se eu sou burra? Sim.
Se ela é uma idiota? Também.
Mas, merda...essa idiota beija muito bem.

Seus lábios famintos se movem na mesma sincronia que os meus. Eles são tão quentes e macios, se encaixam perfeitamente com os meus. É quase como se fossem feitos um para o outro. Puxo sua nuca a querendo mais próxima de mim, querendo seu calor, seus toques.

Suas mãos finalmente agarram minha cintura por cima da toalha e eu solto um suspiro frustrado por isso. Passo minha língua em seus labios pedindo passagem e ela logo cede, sinto sua língua cruzar com a minha e meu corpo incendiar com o contato. Aprofundo o beijo sentindo todo prazer se acumular em apenas uma parte do meu corpo.

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