POV/ Maria Eduarda
Acordo cedo e muito disposta. Pra alguém preguiçosa que nem eu pra acordar com essa disposição tem nome e é um nome lindo. Louise.
Suspiro quando seu nome vem em minha mente.
Resolvo ir me arrumar e deixar de enrolação. Vou para o banheiro e tomo meu banho calmamente como não fazia a tempos. Me visto. Uma calça jeans, a blusa da escola, cabelo solto e um tênis marca coca-cola, passo uma make básica. Não sei como tem meninas que conseguem usar uma maquiagem pesada de manhã cedo.
Finalmente termino e desço para o café, encontro meus pais já sentados e com expressões felizes.
- Bom dia! Que cara de felicidade é essa?- pergunto estranhando e me sento.
- Eu é quem pergunto. Caiu da cama foi?- meu pai rebate com um sorriso.
- Não, apenas decidi acordar um pouco mais cedo hoje.
- Tá, como se a gente não conhecesse a filha que temos.- mamãe diz com um olhar desconfiado.
- Mas, se você está feliz vai ficar ainda mais.- papai diz fazendo suspense e meu sorriso cresce.
- Hhmm...é mesmo? E que novidade é essa?- pergunto interessada no assunto.
- Vamos nos mudar.- e é assim que uma simples frase acaba com meu dia e meu bom humor. Meu olhar vai de surpresa, pra confusa, depois incrédulo e por último quando a ficha cai, meu olhar só transmite uma coisa. Desespero.
- O-o quê?- pergunto em um sussurro.
- Filha.- mamãe se aproxima de mim.- a gente sabe que você ainda não superou aquilo tudo, mas vai ser bom pra todos nós. Vamos poder recomeçar como não fizemos a anos atrás. Sabe, deixar o passado no passado.
- NÃO...NÃO MÃE, NÃO VAI SER BOM...A GENTE PRECISA FICAR AQUI.- grito desesperada. Sinto as lágrimas descer e o gosto salgado em minha boca.
- Duda, escuta sua mãe. Ela não vai mais voltar! A gente precisa seguir nossas vidas e você precisa esquecer tudo isso, e não vai conseguir aqui nessa casa.
- ELA VAI VOLTAR! EU SEI QUE VAI. E A GENTE PRECISA ESTAR AQUI PRA QUANDO ISSO ACONTECER. POR FAVOR...- grito entre os soluços.
- Ei...Calma.- mamãe me abraça.- a gente ja conversou sobre isso. A culpa não foi sua.
- Foi sim, foi mãe.- digo saindo do seu abraço ainda chorando.- Ela vai voltar, por favor vamos ficar aqui.
- Filha, eu recebi uma proposta de emprego ótima e só vamos mudar de bairro. Vai estar mais perto do meu trabalho. A casa é maior e mais bonita...Já está tudo acertado, nos mudamos amanhã.- olho pra ele e vejo sua expressão decidida.
- Ela vai voltar, eu sei que vai.- digo uma última vez pegando minha mochila e saio indo pra escola.
Eles não teriam coragem de fazer isso. Estão praticamente desistindo dela. Como ela vai nos achar se mudarmos de casa? Eles não podem fazer isso, não podem...
As lagrimas decem desesperadas pelo meu rosto. Decido ir andando já que não é tão longe. Ando e a todo momento acaricio a pulseira em meu pulso. A pulseira que ela me deu.
Chego na escola e meu choro já tinha cessado, não quero falar com ninguém agora então vou andando apressadamente até a sala, mas sou interrompida quando me esbarro com alguém e caio no chão. No momento da queda minha pulseira prende em minha roupa e se quebra com o impacto.
Não dou importância para a pessoa que está caída à minha frente minha unica preocupação é a pulseira. Olho pra ela que agora está quebrada e sinto que meu coração está do mesmo jeito. A única coisa que tinha sobrado dela estava quebrado, era a única coisa que eu tinha dela, que fazia eu sentir ela mais perto de mim e que estava comigo quando tudo aconteceu. Sinto meus olhos marejar.
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Um Olhar Diferente
Romansa!Em revisão! Depois de perder a memória em um grave acidente, Louise faz uma notável mudança no seu estilo de vida. Uma delas é mudar de escola, ela só não imaginaria que nessa escola fosse encontrar uma garota por quem se apaixonaria. Maria Eduard...
