CAPÍTULO 60

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Calisto estava para encontrar-se com a criatura que mais se aproximava de seu pai, o ente sobrenatural de nome Thoudervon. Temido por seus próprios companheiros de aliança, ele era o único dos membros do conselho dos sete que não mais estava entre os vivos.

A porta escura abriu-se sozinha rangendo um pouco. Thoudervon pode perceber o momento exato que o jovem de olhos eclipsados tocaria na porta, movendo-a com sua magia, e assim, o punho de Calisto apenas acertou o ar.

A voz sinistra do esqueleto anunciou, – Entre criança.

Calisto, apesar da penumbra, reconheceu o local. Tratava-se do laboratório de Thoudervon. Havia algumas diferenças, novas estantes e uma quantidade maior de objetos dispostos de forma organizada nas cinco grandes mesas que ali estavam.

Calisto gostou de ouvir novamente a voz de seu tutor. – Saudações poderoso Thoudervon, estou satisfeito por estar de volta.

O esqueleto estava imóvel, envolto nos mesmos tecidos avermelhados e empoeirados. Sobre a cabeça, o mesmo elmo de formas peculiares com chifres incrustados. Calisto imaginou que o ente sorria quando disse. – Calisto, Calisto... meu querido, sem refolhos.

Thoudervon virou-se e aproximou-se de uma das mesas sobre a qual havia diversos frascos multiformes com líquidos multicoloridos. Calisto ficou em silêncio e o esqueleto prosseguiu, – Imagino que esteja se divertindo bastante no mundo lá fora, não é mesmo?

– Ah sim, ó antigo, muito. Como deve saber, cheguei a receber o título de Barão.

– Isso significa apenas que para ficar como Dagon, basta que você perca a vida e a pele.

Calisto não gostou muito do comentário, mas continuou com seu planejamento, – Como queira. Trouxe-lhe presentes. – Neste momento, chamou mentalmente, “Derek, tragam os presentes.”

Pouco depois, Derek e Yourdon penetravam no laboratório. Derek arrastava pelas pernas o Cavaleiro Vermelho e Yourdon carregava, com certa dificuldade a armadura e espada. Thoudervon deu pouca atenção a Vermelho, estirado no chão. Sua atenção voltou-se para o material carregado por Chris.

Thoudervon sussurrou em uma língua desconhecida, – Hun’teb nizet guwrtz? Nur! Mett’x’zo xyp’pwe iutch? – Ao mesmo tempo aproximou-se com velocidade incrível de Chris que sentiu calafrios com a presença do ente morto-vivo.

A mandíbula de Thoudervon tremia e os dentes se chocavam como um chocalho. – Muito bem criança, enfim algo produtivo!

Calisto sorriu aproximando-se de Chris. – Imaginei que as peças seriam de seu interesse. É demais perguntar o que são e para que realmente servem?

– Depois Calisto, preciso examiná-las, já! Como se chama? – Indagou a Chris.

O jovem mago gaguejou, – C... C... Chris Your..d..don.

– Yourdon? Ah sim, Alexanus comentou sobre você uma vez. Coloque as peças sobre a mesa.

Chris obedeceu sentindo o coração bater forte e as pernas bambearem.

Thoudervon examinou a armadura feita com vistoso metal avermelhado, peça por peça, demorando bastante no processo. Calisto estava impaciente e ficou surpreso quando o esqueleto, empunhou a espada fazendo subir uma labareda até o teto.

– Poderoso Thoudervon, devemos sair?

– Isto não é necessário.

– Então vossa antigüidade poderá responder às minhas perguntas?

– Sim, em retribuição aos belos presentes.

– Por falar nisto, e quanto ao Cavaleiro Vermelho?

Maré VermelhaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora