Porto Seguro não era nada além do que um porto. Não era uma cidade, e mal chegava a ser uma vila. Somente barcos pequenos como o Estrela do Crepúsculo conseguiam atracar diretamente no cais. Para barcos maiores havia um ancoradouro. Era um pequeno posto de serviços que comportava apenas quatro embarcações do porte das de An Lepard. Em um aspecto, ao menos, o porto parecia seguro: ficava em uma enseada protegida da fúria do mar. Alí havia uma praia e a água ficava sempre tranquila. Era um lugar bastante raso, de águas transparentes.
Os passageiros do Estrela do Crepúsculo estavam maravilhados com a beleza do local. An Lepard mostrava para Kiorina, com grande intimidade, os bancos de coráis, pequenos peixes coloridos e cardumes grandes, explicando quais eram comestíveis, seus nomes e algumas histórias de pescador.
Gorum contemplava o fundo do mar e conversava com Noran, que parecia não estar sofrendo com os enjôos naquela manhã. Kyle vigiava An Lepard e Kiorina estando próximo de Archibald e Mishtra que estavam abraçados, apreciando o ambiente agradável.
An Lepard dividia sua atenção entre a jovem ruiva e um grande navio que estava ancorado próximo ao porto seguro. Curioso para saber a quem pertencia o navio pediu ao timoneiro que passasse próximo, porém mantendo certa distância de segurança. Mas o essencial já sabia, não era uma embarcação humana, pertencia aos silfos do mar, restava saber a qual clã pertencia e quem era seu capitão. De fato, era uma embarcação e tanto, uma das grandes. Possivelmente, carregava uma tripulação superior a trezentos.
– Georges! – chamou An Lepard. – Traga-me o ampliador.
O segundo oficial do navio esforçou-se para trazer a caixa contendo o ampliador rapidamente. Sua altura exagerada, gordura e falta de destreza, no entanto, impediam qualquer ação eficiente e elegante como seria do gosto de seu capitão. Pouco depois, um pouco ofegante, entregou a caixa dizendo em Lacorês. – Aqui está senhor!
Encarou Kiorina e procurou ser gentil cumprimentando-a: – Senhorita. – Logo depois, retirou-se.
An Lepard abriu a caixa retangular, bastante comprida, revestida de couro escuro, com fecho metálico delicado. Do interior finamente acolchoado, retirou um cilindro de madeira, mais estreito em uma das pontas, com padrões geométricos entalhados. Colocou a extremidade menor a frente de seu olho esquerdo e a outra apontou para o navio dos silfos.
Resmungou: – São Farmins... Malditos Farmins.
Kiorina curiosa pediu – Posso ver Lepard?
– Claro minha querida, porém seja muito cuidadosa. Deixe eu lhe mostrar... Com isso o capitão posicionou-se ao lado de Kiorina de forma que seus rostos ficaram bem próximos. Segurando os braços dela, indicou a maneira como devia usar o aparelho.
– É mágico?
An Lepard sentia o cheiro da moça e demorou um pouco a responder. –Não. Nunca viu um destes em Lacoresh?
– Sei que existem, mas são muito raros. Existem dispositivos mágicos que fazem o mesmo, mas são bem diferentes.
– Entre nós, também não são nada comuns. Alguns têm o preço de um navio como o meu. Este porém é um modelo simples. O povo de Dacs não tem uma boa relação com a magia.
– Como assim?
– É proibida. Ainda assim, ouvi rumores de que magos poderosos não conseguiam realizar grandes feitos por lá. Dizem que Dacs é um lugar estéril para a magia.
– Verdade? Nunca soube disso.
– Não é o tipo de coisa que comentamos abertamente.
– O navio deles é muito grande! Possui três grandes mastros! – constatou Kiorina.
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Maré Vermelha
FantasiKyle e seus companheiros atravessam mares no navio, Estrela do Crepúsculo, com a ajuda do capitão Dacsiniano, An Lepard Baltimore. Durante a busca de salvação para Lacoresh, ameaçada pelas forças sombrias, enfrentam perigos nos arquipélagos sílficos...
