CAPÍTULO 68

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O cemitério de Liont ficaria vazio pela primeira vez em tantos anos. Todas as tumbas, mausoléus e covas haviam sido violadas, reviradas. Era uma noite sinistra e uma névoa densa e tenebrosa cobria a colina. Centenas de criaturas mortas vivas, reanimadas de seus túmulos ajuntavam-se ao redor do imponente mausoléu dos Fannel. Além da legião dos mortos, gárgulas de pedra animada e um grupo de necromantes fiéis ao Príncipe Serin formava a sinistra reunião.

O Príncipe Serin parecia bastante satisfeito com o trabalho realizado.

– Majestade, o Barão Dagon se aproxima. – anunciou Clefto, necromante local que submetia seus serviços ao maior necromante do novo reino de Lacoresh.

– Não é algo de que precise ser avisado. Posso sentir quando meu servo se aproxima.

Clefto sorriu amarelo e colocou-se de lado. Em seguida, o tenebroso Barão Dagon aproximou-se com sua montaria morta-viva.

A voz inumana de Dagon soou vigorosa, – Meu príncipe, após o ataque, as sombras seguiram os fugitivos e já confirmam a localização do novo esconderijo dos rebeldes.

– E quanto a Adam Fannel?

– Ele foi levado para a base da cordilheira.

– Ótimo! Ouviu isso, caro Barão Ludwig? – Serin dirigiu-se a outra entidade morta-viva que estava no local.

O cadáver animado do Barão Ludwig Fannel tinha uma expressão de ira em sua face. – Os malditos rebeldes vão pagar por terem me matado. Vão pagar por manterem meu filho prisioneiro. O usurpador, Calisto vai pagar pelo que fez com minhas terras. Todos vão pagar.

– É claro meu amigo, todos vão pagar e seu filho, meu querido discípulo Adam, vai ter o lugar que merece como Barão de Fannel. Vamos agir enquanto o usurpador está fora. Há muito que fazer. Venha Ludwig, conheça o Barão Dagon, meu prodigioso cavaleiro da morte.

O velho barão Ludwig aproximou-se, mostrando seu aspecto quase humano, exceto pela sua tonalidade fria e certa rigidez de movimentos. – Barão Dagon, eu fico grato pelo excelente trabalho que tem feito. Seus desejos serão compensados e será sempre bem-vindo nas terras de Fannel, uma vez que meu filho, herdeiro legítimo assuma seu lugar de direito.

– Sim Barão Ludwig. – proferiu Dagon.

– Como pode notar, Dagon, Ludwig ainda mantém muito de sua personalidade e memórias. Conseguimos um ótimo resultado com sua reanimação. É quase como se ainda vivesse.

– Sim meu príncipe.

– Como pode notar, Ludwig, Dagon não tem uma das mentes mais brilhantes, mas é de fato uma das criaturas mais fortes de Lacoresh. Não é mesmo Dagon?.

– Sim meu príncipe.

– Venha Dagon, quero lhe mostrar minhas novas criações. Em outra ocasião, você irá comandá-los para mim até que recuperem e ganhem experiência.

Entraram no mausoléu descendo a escadaria úmida e empoeirada. Um cheiro de antiguidade e morte enchia as narinas de Serin e Clefto. Logo chegaram ao salão dos mortos da nobre família dos Fannel. Alguns necromantes, agindo como alfaiates, ajustavam peças de armadura em oito criaturas mortas-vivas.

– Eu os chamei de Oito Barões de Fannel. São meus novos cavaleiros da morte.

Dagon observou, com seus olhos implantados, as criaturas iluminadas por pela luz de velas posicionadas no lustre. Porém uma das figuras lhe chamou a atenção. Examinou-a com mais cuidado.

Serin observou a cena, surpreso. – Será que reconhece o velho Barão Dewart Fannel?

A memória de Dagon parecia quere dizer-lhe algo mas não sabia bem o que. – Uma estranha familiaridade, meu príncipe.

Maré VermelhaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora