Capítulo 21

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Caleb

Se Maya queria me provoca, parabéns, ela conseguiu.

A gente não tem nada, mas nem por isso devo aceitar de boa que ela esteja com outro.

Não quando essa garota estivesse na minha mente.

E caralho, eu não menti, sinto o cheiro dela mesmo quando ela não está, e como se ele tivesse cravado na minha pele, na minha mente.

Como é que eu tiro ela da mente se o seu cheiro não sai de mim?

Eu poderia aceitar que ela esteja com outro. Poderia. Era o certo a se fazer, aceita. Porque não temos nada e somos livres.  Mas porra, não consigo e não permito.

E eu estou foda-se se estou me comportando como um maluco. Foda-se se eu assumi muita para ela e deixei sua cabeça confusa.

Não tenho o que responde. Não sei o que isso significa. Não sei. Não sei. Não sei. E não preciso sabe o que significa essa sensação, nem sempre eu preciso de respostas.

"Qual é a sua com a garota?" - perguntou James depois que levou Raven até a porta.

"Como assim qual é a minha?" - perguntei.

"Não tem reconheço Caleb. Cara, você estava com ciúmes de Maya."

"Não viaja." - neguei balançando a cabeça. "Te onde você tirou isso?"

"Então você não sente nada?" - perguntou.

"Nada." - afirmei.

"Certeza?"

"Absoluta." - encostei minhas costas no sofá.

"A Betty me chamou para ir na casa dela essa noite, mandou o recado para você ir também." - disse ele minutos depois.

"E o que tem lá?" - perguntei.

"Ela e as amigas. Só vou trocar de roupa e a gente vai." - ele se levantou do sofá.

"Não vou." - falei.

"O que?" - ele me olhou. "Por que?"

"Já está tarde."

"Tarde cara? Agora não é nem meia noite." - ele olhou para o seu celular conferindo as horas.

"Tô com clima não." - passei a mão nos cabelos.

"Está acontecendo a alguma coisa?"

"James, eu só não quero sair, qual é o problema nisso?" - bufei.

"A gente nunca passa a noite em passa. Ontem te chamei para ir no bar você não quis, ficou na sua casa sozinho, e hoje a mesma coisa. Dois dias seguidos."

"Estou ficando velho." - ele deu risada.

"Velho com dezenove anos nas costas?"

"Isso aí."

"Comecei a entende." - ele falou pensativo. "Você quer leva a Maya para a cama e está tentando impreciona* a garota antes."

"Não me irrita James. Eu não preciso dessas coisas para ficar com ninguém."

"O que está acontecendo aqui Caleb é que você não confia em mim." - ele se exaltou. "Que caralho. Quando foi que você escondeu as coisas de mim? Você nem gosta que toque no nome da garota que já fica nervoso, negando tudo."

"O que você quer sabe?" - perguntei nervoso. "Você já sabe que eu estou afim dela. Mas não estou namorando ou procurando isso."

"Você não está procurando namoro mas se comporta como se tivesse." - falou ele. "Não tem problema nenhum nisso cara, só não é bom que você se finga de cego e não note o que está acontecendo."

"Você só fala bobagem." - deitei no seu sofá. "E na sua opinião, o que está acontecendo?"

"Você gosta dela, mas nunca vai assumi." ,- disse ele. "Você fala que não gosta, mas não tem interesse de ficar com mais ninguém. E pior, você está puto que ela esteja com outro nesse momento."

"Ela não está com ninguém nesse momento."

"De tudo o que eu falei essa foi a única parte que chamou sua atenção."

"Eu estou indo embora." - me levantei.

"Isso, foge." - mostrei o dedo do meio para ele. "Pode deixa que eu fico com  todas as outras para mim."

Bati a porta do seu apê quando sai.

Maya

Quando deitei na minha cama naquela noite, eu não senti o aconchego que eu sentia nada. Eu não sentia mais nada naquele lugar, apenas vazio.

Quantas lágrimas eu derramei nesse travesseiro. Quantas noites em claro eu passei aqui. É óbvio que eu não sinto falta, pelo contrário, sinto vontade de correr daqui até perde o fôlego, ir longe, muito longe.

Eu fiz isso um dia.

Na minha antiga cidade eu fiz isso. Na madrugada fria que eu não conseguia dormir com o coração disparado e a sensação de prisão, eu corri.

Corri para a mata a frente daquela casa. Machuquei meus joelhos e os espinhos de algumas árvores perfuraram minha pele, mas eu não me importei com isso naquele dia. Eu só queria ir longe, subi pedras molhadas e senti um frio gelado no meu corpo inteiro, mas não parei tão cedo de corre.
Só parei quando cheguei o mais longe possível e gritei. Gritei como se tivesse me libertando, como se tivesse saindo de uma prisão. Gritei para liberar a dor que sentia pela morte do meu pai, e também para aliviar a raiva que eu sentia por minha mãe, que não espero nem dois meses para se casar novamente e me trazer para a casa do primeiro estranho.

O primeiro estranho que me tratava com um peso morto e deixou minha mãe para casar com uma mulher sem filho.

E minha mãe me culpou.

Me culpou por existe, e por perde um marido rico depois de dois anos de casamento.

Mas não demorou. Menos de um ano ela arrumou Charles, a diferença que nessa vez ela me encheu de avisos para não correr o risco.

Nada de perturba Charles o enche-lo de problemas.
Nada de desobediência e seja uma garota gentil.

Dessa vez não poderia estragar seu segundo casamento depois que meu pai morre.

Meu pai... Que não teve nem um minuto de luto por parte de sua esposa.

Mas estou aprendendo a se forte. Sempre estive sozinha, sempre lidei com minhas dores e consegui viver até aqui. Só vou desisti quando minhas forças acabarem.


Tadinha da nossa Maya 💔


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