Capítulo 99

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Maya

Na manhã seguinte Caleb acordou bem disposto, ou estava apenas fingindo para que o médico lhe desse alta, se esse for realmente o caso eu não conhecia esse lado dele.

"Pelos resultados dos exames você está bem, apenas suas memórias foram afetadas temporariamente." explicou o médico. "Deve evitar água nos seus ferimentos, e para os hematomas no seu abdômen e costas eu recomendo compressas antes de dormir, peça ajuda a sua namorada." - disse. "Beba os remédios na hora certa, tenha uma alimentação leve e nutritiva, nada de esforços físicos bruscos. Bem, como você é menor de idade nem preciso dizer que nada de consumo alcoólico ou cigarro."

"Tudo bem." - disse Caleb e a sua falta de entusiasmo fez o médico olhar para mim.

"Eu vou cuidar bem dele, qualquer complicação voltamos para o hospital." - afirmei.

"Você ainda não se lembra de absolutamente nada?" - perguntou o médico.

"Tenho alguns fleches apenas." - resumiu.

"Isso é um bom sinal." - disse o médico assinando algo no papel que segurava com suas mãos. "Sua alta, tenha uma ótima recuperação." - disse o médico lhe entregando o papel.

"Obrigado." - respondeu Caleb.

...

"Cadê meu carro? Eu vendi o outro?" - perguntou quando sairmos pela porta giratória do hospital.

"Está na garagem da sua casa." - respondi chamando um táxi em seguida. "Você só poderá dirigir quando se recuperar."

"Eu não tenho o que recuperar, eu estou ótimo." - disse fazendo uma careta a entrar no carro.

"Percebe-se." - zombei entrando no carro.

"Onde você mora?" me perguntou.

"Por que?"

"Para te deixamos em casa primeiro." - disse.

"Sem essa Caleb, vou com você. E não estou aberta para discussões."

"Não quero sua presença." - disse me fazendo revirar os olhos.

"Você é um tanto mal agradecido, eu estou indo apenas cuidar de você, para que tanta negação? Ou você acha que eu me diverto enquanto você me trata tão mal? As pessoas tem amor próprio, e se eu estou aguentando suas palavras grosseiras você já devia entender que sou alguém importante no meio das suas memórias perdidas." - desabafei deixando o motorista em completo silêncio.

"Por que você está falando tanto?" - reclamou.

"Porque você é um chato." - me virei para a janela.

Continuamos o restante do caminho em absoluto silêncio. Meu corpo cansado estava desejando uma cama macia para dormir ou apenas alguns minutos de paz de espírito, alguma fuga de realidade.

"Chegamos." - informou o motorista parando de frente a casa de Caleb.

"Obrigada, senhor." - falei lhe entregando o dinheiro e descendo do carro com minha mochila. "Quer ajuda?"

"É meio óbvio." - disse Caleb me dando a mão.

"Pensei que você era o super homem e pudesse lida com tudo sozinho." - o ajudei a sair do carro.

"Se provocação, Maya." - ele reclamou.

"Aprendeu meu nome, isso é ótimo." - peguei a chave da sua porta na minha bolsa e abri a porta.

"Espera, por que tem a chave da minha porta?" - exclamou.

"Você me deu esse chaveiro com as chaves da porta principal e a dos fundos." - expliquei e entramos. "Eu vou fazer alguma coisa para comer pois já estou me sentindo tonta, você quer alguma coisa?"

PerdiçãoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora