Decisões mistériosas

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HINATA / +18

Depois daquele dia na Nekoma, alguma coisa mudou.

Não exatamente entre mim e Hana, pelo menos não de uma maneira que eu conseguisse apontar e dizer. Era mais sutil. Ela continuava falando comigo, continuava aparecendo nos treinos quando podia e ainda me corrigia quando eu fazia alguma coisa errada, mas havia momentos em que eu percebia que sua cabeça estava longe. Às vezes eu falava alguma coisa e ela demorava alguns segundos para responder, como se tivesse que voltar para o lugar onde estava antes de me ouvir.

Eu não gostava de vê-la daquele jeito.

Não porque eu achasse que ela precisava me contar tudo. Eu já tinha entendido que algumas coisas pertenciam somente a ela. O problema era outro. Eu estava começando a perceber que me preocupava com Hana de uma maneira diferente da que me preocupava com os outros. Quando Kageyama estava irritado, eu discutia com ele. Quando Nishinoya se machucava, eu perguntava se estava bem. Quando Tanaka fazia alguma besteira, eu ria. Mas com Hana era diferente. Quando ela ficava em silêncio, eu queria saber o motivo. Quando ela se afastava, eu queria ir atrás. Quando ela parecia cansada, eu ficava tentando descobrir se havia alguma coisa que pudesse fazer. E isso estava começando a me deixar confuso.

Então eu fiz a única coisa que sabia fazer quando estava confuso.

Treinei.

Treinei até minhas pernas doerem, até minha camisa ficar completamente molhada de suor, até o treinador mandar que eu parasse antes que eu acabasse caindo no chão. Eu queria melhorar. Queria ficar mais rápido, mais preciso, mais forte. Queria conseguir fazer tudo aquilo que Hana tinha me ensinado sem precisar que ela estivesse ao meu lado corrigindo cada movimento. E, principalmente, queria que ela olhasse para mim e percebesse que eu estava levando aquilo a sério.

— Você vai acabar destruindo o piso — Kageyama comentou certa tarde, sentado no chão enquanto amarrava novamente os cadarços.

Olhei para ele, ainda respirando pesado.

— O piso aguenta.

— Você que não vai.

— Está preocupado comigo?

Ele me encarou como se eu tivesse acabado de falar a coisa mais absurda do mundo.

— Não.

— Mentiroso.

— Cala a boca.

Sorri. Era bom ter algumas coisas normais acontecendo no meio de toda aquela confusão. Eu e o kageyama voltamos a conversar depois do mal entendido, ele começou a me ouvir mais e aceitou a minha proposta de bater na bola com os olhos abertos. E acabei também recebendo certos treinos de pessoas, pra me ajudar.

Naquela mesma tarde, depois do treino, mandei uma mensagem perguntando se ela iria aparecer no dia seguinte. Ela demorou bastante para responder.

"Provavelmente."

Só isso. Fiquei olhando para a tela. Provavelmente? Aquilo não parecia Hana. Depois de algumas horas ela apareceu, mas novamente estava diferente. Quando perguntei sobre a Nekoma, ela respondeu apenas que não tinha encontrado o que procurava. Não parecia satisfeita com a resposta, e eu sabia que ela estava escondendo alguma coisa.

Foi por isso que, alguns dias depois, tomei uma decisão. Eu iria até a casa dela. Não para interrogá-la, só queria vê-la, talvez conversar. Talvez descobrir se ela estava bem, queria estar por perto.

Quando cheguei, toquei a campainha e esperei. Depois de alguns segundos, a porta se abriu.

Era o tio dela.

𝕊𝕦𝕟 𝕆𝕗 𝕄𝕪 𝕃𝕚𝕗𝕖Histórias para pegar e não largar. Descubra agora