É normal estar ansiosa

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Tulipa


        Estive com Badeea a maior parte do meu tempo, embora ela não fale nada, vejo o jeito que me olha por várias vezes, ainda que eu não a olhe de volta. Claro, sinto falta da risada de Tonks, sinto falta até dos tropeços nos próprios pés e estou preocupada. Mas sei que não posso invadi-la, se ela se isolou no almoço, se não compareceu ao jantar, se nenhum dos amigos dela sabiam o que dizer sobre ela, então eu devo dar a ela o devido espaço. Mas me parte o coração em apenas lembrar da cena que presenciei ontem, me entristece o que ela pode estar sentindo.

      Foi no meio da tarde em que suspirava, tentando ler, a mão nos cabelos, numa poltrona do salão comunal, que um aluno da corvinal me estendeu a mão. Eu o encarei nos olhos, não havia muita vida ali, mas eu sabia do que se tratava, ali, olhando para ele - levantei-me, entrelacei nossos dedos e caminhei para fora do salão. Alguns olhares se viraram para nós, mas quando olhei para ele no corredor, vi na ponta dos seus cabelos a primeira transfiguração, lentamente tudo estava se tornando ela. Apenas deixei que me guiasse, até estarmos juntas e sozinhas nos limites de Hogwarts, no mesmo lugar em que sempre viemos. Ela se senta próxima a uma árvore e eu me sento de frente para ela, pernas para dentro e olhos atentos,  embora finja estar avoada.

       Esperei, esperei e esperei ainda mais, ela não disse nada, olhávamos para os terrenos de Hogwarts sem motivação. Então decido me levantar e caminhar mais adentro, fui pela extensão da lateral até chegar na trilha certa, não olhei para trás, apenas segui até estar de pé em uma grande pedra com o lago negro e um ilha de árvores no meio como paisagem para nós. Sento-me com as pernas cruzadas, estico a coluna, fecho os olhos e respiro fundo; a brisa aqui sempre me confortou de alguma forma, sempre me relembra o que é a paz.

      Momentos depois, senti Tonks se sentar ao meu lado, então, abri os olhos e passei a admirar a beleza natural que está debaixo dos nossos narizes vinte e quatro horas por dia. Por um momento estivemos assim, mas percebi que ela não conseguiria falar.

- É o meu segundo lugar favorito.

Ela não falou nada por um instante, escutei ela respirar fundo.

- Você vinha aqui com a Skye?

A voz dela estava um tanto rouca, prendi os cabelos por causa do vento e, desta vez, foi a minha vez de respirar fundo.

- Não sei de onde tirou isto, mas sim, ela quem me trouxe aqui. Viemos muito, por sinal, mas ela nunca soube apreciar... eu gostava mesmo era de vir sozinha, tanto que ainda venho.

- Por que me trouxe aqui, então?

- Skye nunca realmente esteve aqui, ela só queria um lugar isolado para nós, um lugar para que eu chamasse de bonito, então, o lugar sempre foi, se tornou meu lugar especial, sem ela. Apenas eu. E isto aqui, este lugar me trouxe paz por muitos momentos, espero que faça o mesmo por você.

Apoiei-me atrás do corpo e estiquei-me, mas o vento forte que nos sobreveio fez com que abraçasse a mim mesma. Neste momento, Tonks colocou sobre mim o manto da corvinal que havia pego com algum corvino, o puxei para dentro pelas bordas e o amarrei.

- Obrigada. - sussurro

- Neste tempo que estive sozinha, recordei de momentos como este em que uma de nós se afasta e a outra some.

Percebi que ela queria falar alguma coisa em especial.

- E me veio uma pergunta que tem me assombrado:

Respirei fundo e finalmente olhei para ela. Ela estava um pouco mais atrás, seus olhos estavam acesos, estavam sobre mim.

- Por quê? Por que você não veio até mim?

Without FearOnde histórias criam vida. Descubra agora