O primeiro dia para o fim

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Tulipa


      Entrei finalmente pelos portões do salão principal. Veterana. Fui mais adiante, para mais próximo, onde habitualmente eu me sentava, e admirei o palco dos professores, as velas, o céu artificial acima. E respirei fundo.

- Tulipa.

Virei-me para trás ao ouvir sua voz suave, ela se aproximou apenas até que estivesse à um passo de distância. Tonks. Está um pouco mais alta e o tom de rosa de seus cabelos me parecem mais vibrantes. Sorri largamente ao vê-la.

- Tonks.

Ela sorriu.

- Espera, agora que eu consigo te sustentar no colo você não vai vir correndo e gritando e pulando em cima de mim?

Retraiu os ombros junto ao rosto e sorriu, não retirou as mãos dos bolsos dianteiros nem por um segundo.

- Melhor deixar o vexame alheio pros Weasleys.

Desta vez eu quem ri.

- Eu não te vi no expresso. - comentou

- Ah, sou culpada! Não estive em nenhum vagão fixo, estava pregando peças e depois acabei dormindo sentada em um corredorzinho, o Diego Caplan me encontrou e me acordou. Nossos caminhos apenas se desencontraram...

- É...

Ela mantinha um sorriso fraco no rosto e eu estava começando a ficar tão séria quanto. É o nosso último primeiro dia. É o primeiro dia para o fim, o nosso fim. É isto que seus olhos tão apagados me dizem, é isto que grita, que berra, em meio ao silêncio entre nós. Puxei um pouco os lábios num sorriso breve e triste, suspirei, aproximei-me devagar e a abracei. Sua cabeça estava baixa em meu ombro, os braços dela me acolhiam pela cintura enquanto eu a mantinha confortável com o pescoço entre os meus braços. Sabia que era eu quem devia tomar conta desta situação, meus lábios trepidaram um pouco.

- Senti a sua falta.

Ela respirou fundo, fez mover meus braços para cima e para baixo.

- Eu também. Ainda mais desta vez.

Sim, desta vez. Esta vez em que deitamos e apenas encaramos o teto do quarto ou sentávamos à mesa quietas sem prestar atenção na conversa. Sempre pensando nisto, o início do fim.

- Recebeu minha última carta? - perguntei um pouco incerta

- Sim.

- Por que não me respondeu?

Ela sorriu desta vez:

- Porque queria responder isto pessoalmente... E eu já o fiz.

De fato, nesta última carta eu não consegui pôr em palavras tudo que tinha dentro de mim, então, mandei apenas três palavras em um pergaminho pequeno: Sinto sua falta.

- É dia primeiro de setembro, vamos sentar, assistir a chegada dos primeiranistas, comer, atirar comida na Gabriela Smith... tudo que nós sempre fizemos. - digo

Ela assentiu, contrariada.

- Só preciso esperar a Badeea. Vai indo na frente que eu te encontro depois.

Ela assentiu e partiu para junto dos lufanos, olhei em volta, tantos rostos em movimento, e vi Talbott vindo em minha direção. Eu o puxei e o abracei.

- Que bom, um rosto familiar. Onde está a Badeea?

- Estava vindo nesta direção, acho que nos desencontramos.

- Woa, caramba.

- O quê?

- Nada, sua voz parece um pouco mais... deixa pra lá. Onde esta vaca foi parar?

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