Capítulo 1

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LEONARDO SAVÓIA

O silêncio dentro do jatinho era perturbador, quebrado apenas pelo barulho baixo dos motores. A tensão, no entanto, era quase tangível. Enrico, meu primo e conselheiro, caminhava de um lado para o outro, sua frustração evidente.

— Você ficou completamente louco, Leonardo? Porra, estamos levando uma estranha para a Itália! O conselho vai nos matar antes que possamos explicar! — Ele disparou, o tom irritado cortando o ar.

Eu o encarei, segurando a garota nos braços. Tão pequena. Tão vulnerável. Mas também, de algum jeito inexplicável, indispensável. Não podia abandoná-la, não depois de vê-la desmaiada na estrada e de perceber algo que jamais senti antes. Algo que me dizia que ela me pertencia.

— Enrico, cala essa boca. Ela vai para a Itália conosco, e ponto final. Não vou deixá-la aqui. Nunca mais.

Enrico parou abruptamente, me olhando como se eu tivesse enlouquecido.

— Você só pode estar brincando. E o seu noivado com a família Collalto? Já pensou nas consequências? Vai jogar no lixo a aliança que seu pai construiu para manter a paz entre as famílias?

Antes que eu pudesse responder, Dante, meu irmão mais novo, interveio do outro lado do jatinho. Ele estava inclinado na poltrona, mexendo no celular como se o mundo não estivesse prestes a desmoronar.

— Relaxa, Enrico. Leonardo agora é o chefe. Papai pode espernear o quanto quiser, mas ele não pode mover um dedo contra as decisões do Don. Se ele quer desfazer o noivado, quem somos nós para impedir?

Enrico lançou um olhar exasperado para Dante, depois voltou-se para mim.

— Vocês dois estão cavando a própria cova. E essa garota? O que sabemos sobre ela? Como ela vai reagir ao descobrir sobre a organização?

Ele se aproximou do bar, servindo-se de uma dose generosa de uísque.

— De onde ela vem? Quem ela é? E se for uma agente infiltrada? Vocês pensaram nisso, ou estão agindo só com o pau e a emoção?

Minha paciência estava por um fio. Enrico era eficiente, mas sua língua afiada muitas vezes me irritava. Cruzei as pernas, mantendo a voz calma e firme:

— Esse é o seu trabalho, não é? Descobrir as verdades que ninguém mais vê. Quero tudo sobre ela antes que eu a leve ao altar. Entendido? E faça isso rápido. Não quero o conselho descobrindo nada antes de mim.

Enrico resmungou algo inaudível, pegou seu notebook e desapareceu no pequeno escritório na traseira do jatinho. Antes de fechar a porta, lançou uma última provocação:

— Você manda, chefe. Só não diga que eu não avisei quando tudo isso explodir na sua cara.

Suspirei, esfregando a têmpora. Mas a calma não veio. A ideia dela estar no quarto ao lado, tão próxima e, ao mesmo tempo, tão distante, era perturbadora.

— Dante, vá ver se ela já acordou. — Ordenei, sem olhar para ele.

— A prisoneira é sua, não minha. Vai você. — Ele deu de ombros, sem tirar os olhos do celular.

Levantei a cabeça lentamente, minha expressão se endurecendo. Saquei a arma que sempre carregava na cintura e apontei para a cabeça dele.

— Eu mandei ir, porra. Agora.

Dante suspirou teatralmente, levantando-se com calma.

— Cazzo, você anda mesmo de TPM. Espero que essa garota te acalme.

Ignorei a provocação enquanto ele seguia em direção ao quarto onde ela estava. Assim que ele saiu, recostei-me na poltrona e fechei os olhos por um momento, mas minha mente continuava inquieta.

Que porra eu estava fazendo? Peguei uma garota que eu mal conhecia, coloquei em um jatinho particular e estou a levando para o meu império. Nem sei seu nome, mas sei que ela será minha esposa. A mãe dos meus filhos. A Primeira-Dama da Itália.

Louco? Talvez. Mas nunca fui um homem que se importava com limites. Eu sabia que as consequências viriam – o noivado desfeito com a Collalto, a ira do conselho, meu pai furioso. Mas isso não importava.

Ela era minha. E não abriria mão dela por nada.

Eu me levantei e caminhei até o bar do jatinho, pegando uma garrafa de vinho tinto e enchendo uma taça com movimentos controlados. Meus pensamentos estavam uma bagunça, mas havia uma certeza que reinava sobre o caos: eu não ia deixá-la.

Minha mente voltou ao momento em que a vi pela primeira vez. Estava na estrada, caída, frágil, mas com algo nos olhos... mesmo atordoada, havia uma força lá. E essa força me puxou. Não podia explicar. Não era só atração ou instinto de proteção. Era algo mais profundo, algo que me dizia que ela estava destinada a ser minha.

Bebi um gole do vinho, tentando conter o turbilhão de emoções, quando ouvi passos. Era Dante, voltando do quarto. Ele entrou com as mãos nos bolsos e uma expressão despreocupada, mas eu conhecia meu irmão o suficiente para saber que ele estava tramando alguma coisa.

— Então? Ela está acordada? — Perguntei, seco.

Ele assentiu, jogando-se na poltrona à minha frente.

— Sim, mas está assustada. Não falou muito. Perguntou onde estava e tentou sair do quarto, mas... bom, eu tranquei.

— Você trancou o quarto? — Minha voz saiu baixa, mas carregada de ameaça.

— É, porra. O que você esperava que eu fizesse? Deixasse ela sair andando pelo jatinho e esbarrar nos seus capangas? Ou pior, nos documentos que Enrico vive largando por aí? — Ele riu, como se tivesse dito algo brilhante.

Respirei fundo, colocando a taça de vinho no balcão com um pouco mais de força do que o necessário. Dante sabia me irritar como ninguém, mas ele tinha razão em um ponto: não podíamos deixá-la vagar livremente. Não ainda.

— Eu vou falar com ela. E se ela perguntar por que está trancada, eu resolvo. Não faça isso de novo sem me consultar. — Peguei a chave do quarto e comecei a andar, mas parei na metade do caminho. — E fique de olho no Enrico. Ele está inquieto, e não confio no que ele pode estar pensando.

Dante riu, balançando a cabeça.

— Claro, chefe. Vou vigiar o cachorro
raivoso enquanto você vai cortejar sua futura esposa. Boa sorte.

IL SEGRETO DELLA MÁFIA - 1 Histórias para pegar e não largar. Descubra agora