Capítulo 30 - Angústia

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(POV Sakura)

Era por volta das duas da manhã e eu ainda não tinha pregado os olhos, tamanha a ansiedade que sentia. Iori tinha dormido enquanto Kakashi ainda estava aqui e parecia tudo bem até então. Agora ele se remexia inquieto na cama e eu torcia para ser apenas um pesadelo incomodando-o.

Minhas mãos estavam suando e procurei meu celular na bolsa pensando se devia ou não mandar mensagem para Sasuke e perguntar a respeito do Shikamaru. Aquela história de assalto me parecia tão... mal contada, ou talvez fosse só meu desespero tomando conta e atrapalhando meu bom senso em analisar a situação de uma perspectiva normal.

— Mamãe! — A voz de Iori saiu entrecortada, e seu rosto exibia claramente o pânico que ele sentia. — Eu... não consigo... — Ele tentou forçar a respiração, mas não conseguia terminar de falar. Corri até o botão de emergência ao lado da cama tentando não desmaiar pelo caminho.

— O que aconteceu? — Uma enfermeira entrou rapidamente.

— Ele não consegue respirar. — Não reconheci minha própria voz.

Dali em diante tudo passou como um borrão. Não me deixaram me aproximar do meu filho, e só pude observar de longe ele ser entubado e levado do quarto sem uma explicação prévia. Meu coração se fragmentou em incontáveis pedaços e eu não tinha tempo para juntá-los.

— Senhorita Haruno? — A voz da enfermeira me trouxe de volta a realidade. — Iori teve um derrame pleural e está sendo encaminhado para uma sala de cirurgia para ser drenado. A Dra. Tsunade já se encaminhou para a cirurgia e prometo que venho avisar assim que tiver mais notícias. — Suas palavras soavam desconexas e sem sentido para mim, a única que se sobressaía era a palavra cirurgia.

— Cirurgia?

— Não se preocupe Sakura. A Dra irá drenar todo o líquido no pulmão e ele vai melhorar. Se quiser posso te acompanhar até a sala de espera. — Assenti ainda anestesiada com aquelas informações. Antes de segui-la eu busquei pelo meu celular, precisava informar minha mãe e Kakashi sobre o ocorrido.

(POV Shikaku)

Olhei para o relógio mais uma vez, e o tempo parecia ter estagnado. Fazia quatro horas que eu estava ali sentado naquela sala de espera, sem qualquer informação sobre meu filho. Inoichi estava ao meu lado e eu apreciava seu apoio, mas no momento eu apenas me sentia sufocado. Já Sasuke, tinha saído para se limpar, o que eu mentalmente agradeci. Eu seria eternamente grato por ele ter chegado a tempo de salvar meu filho, mas ver o sangue de Shikamaru em suas roupas estava me deixando desesperado.

— Você pode esperar aqui senhorita. — Observei uma enfermeira indicar um dos sofás para a mulher de cabelos rosas. Ela tinha vindo mais cedo e ficado ao lado de Sasuke, mas eu não me recordava seu nome. Pelo seu semblante pude perceber que algo havia acontecido com seu filho e por isso fui até ela.

— Posso me sentar? — Apontei para o espaço ao seu lado. Ela pareceu sair de uma espécie de transe e assentiu. — Aconteceu algo com seu filho?

— Derrame pleural, pelo que eu entendi os pulmões dele se encheram de líquido e vai precisar passar por uma cirurgia para drenar. — Ela mal terminou de falar e desabou a chorar. Eu entendia aquela sensação então apenas permaneci ali sem falar mais nada.

— Vou buscar água para vocês dois. — Inoichi falou e eu assenti. — Ou preferem café? Sakura? — Então esse era o nome dela.

— Eu não quero nada, obrigada. — Sakura se virou para mim como se tivesse lembrado do motivo de eu estar ali. — Shikaku, alguma notícia do Shikamaru?

— Ainda em cirurgia. — Respondi, seu olhar transbordava compaixão. — Nossos filhos vão sair bem de tudo isso. Tenha fé, Sakura.

Ela se levantou e foi até a janela, ligou para alguém então me mantive distante para lhe dar privacidade. Inoichi não demorou a voltar e mesmo sendo água parecia não descer pela minha garganta, como se algo ali bloqueasse qualquer coisa.

— Sakura! — Observei um homem de cabelos brancos se aproximar preocupado e envolver a mulher em seus braços. Em circunstâncias normais eu me sentiria constrangido por encará-los, mas naquele momento eu precisava ver qualquer gesto de amor que pudesse me dar esperanças.

— Kakashi, você veio. — Inoichi segurou minha mão e eu retribuí o aperto ainda sem desviar os olhos do outro casal.

— Claro que eu viria. — Então aquele era o professor de Shikamaru? Kakashi Hatake, o famoso arquiteto contemporâneo da cidade. Já tinha ouvido falar sobre ele, mas nunca tinha participado de um projeto com o Hatake. — Já ligou para sua mãe?

Desviei o olhar dos dois e me voltei para Inoichi.

— Estou com medo. — Admiti.

— Eu sei, por isso não vou deixá-lo sozinho. — Ele abriu os braços e me envolveu no seu calor tão familiar.

Ficamos ali por mais uma hora, e sem informação de Shikamaru ou Iori. Kakashi e Inoichi eram nosso apoio para aquele turbilhão de sentimentos que nos assola, e só quando se aproximava das quatro horas da manhã Sasuke retornou já tomado banho e recomposto.

— Nada ainda. — Falei assim que nossos olhos se encontraram. Ele assentiu sério e se sentou ao meu lado, só então notando Sakura e Kakashi.

— O que aconteceu?! — O Uchiha perguntou visivelmente exaltado.

— Calma Sasuke. — O alertei.

— Iori está em cirurgia para drenar um edema pleural. — Kakashi respondeu ao invés de Sakura e isso pareceu irritar ainda mais Sasuke.

— O que você está fazendo aqui Kakashi? — Ele nem disfarçou o tom ríspido.

— Sasuke, por favor. Se acalme. — Sakura levantou-se e foi até o Uchiha.

— Senhorita Haruno? — A mesma enfermeira de antes apareceu com uma médica loira ao seu lado. — A cirurgia foi um sucesso, a Dra. Tsunade vai lhe explicar exatamente qual foi o procedimento.

Olhei para Sakura e foi como se a vida voltasse para seu corpo, também pudera, ter um um filho na sala de cirurgia era como se nosso coração estivesse também.

— Senhor Nara? — Procurei pela pessoa que me chamava e me deparei com um médico alto de cabelos pretos. — Sou o cirurgião Orochimaru, responsável pelo procedimento no seu filho. — Tentei decifrar sua expressão, mas não parecia haver qualquer emoção em seus traços. — Os danos causados pelo projétil foram muito severos, atingindo o estômago e pulmão esquerdo. Tentamos de todas as formas estabilizá-lo, mas ele teve uma parada cardiorespiratória. — Eu não conseguia absorver suas palavras, meu filho estava vivo ou não? — Tentamos reanimá-lo por quarenta minutos, mas não conseguimos e ele veio a falecer na mesa de cirurgia.

Querido ProfessorHistórias para pegar e não largar. Descubra agora