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MARIA CLARA; point of view.
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Havia se passado um mês desde o aniversário de Nathan. E honestamente, tinha se tornado um hábito eu passar os sábados na casa dele, assistindo filmes com o Bernardo e fofocando com dona Tânia e a Amanda. Era incrível a sensação de ter adotado e sido adotada em uma segunda família, embora Nathan e eu não namorássemos.
Tá que, depois que eu simplesmente tomei banho com o Nathan e pela primeira vez, chupei alguém, enquanto a família dele tava sentada na sala, fiquei completamente envergonhada de voltar lá, mas, Nathan me tranquilizou, alegando que elas não reclamaram nada com ele. Nem desconfiaram de nada.
Meu pai era o único que estava estranhando essas minhas saídas aos finais de semana e até mesmo durante a semana, quando Nathan e eu saiamos para fazer algo. Ele não sabia realmente com quem eu estava saindo, já que sempre mentia, dizia que ia sair com minhas amigas.
Conheço o senhor Márcio bem até demais para saber que ele não aprovaria qualquer tipo de relacionamento. Tenho até pesadelos com seus gritos e drama infinito quando souber que Nathanael vai passar o dia de amanhã comigo, sozinhos em nossa casa, já que papai vai estar de plantão.
O bom é que minha vó é muito minha parceira e também gostou do Nathan, portanto, não contava nada para meu pai, embora me cobrasse frequentemente para que eu contasse de uma vez que estava saindo com um garoto.
Eu contaria, mas, não agora. E só contaria, se e somente se, começássemos a ter algo mais sério.
Fui dispersada de meus pensamentos com o toque do celular, especificamente o meu. Ao meu lado, papai roncava, ignorando completamente o filme que eu havia selecionado para assistirmos. Ele sempre fazia isso; ainda tinha a cara de pau de reclamar que eu assistia as coisas sem ele e me fazia explicar todo o desenvolvimento do filme.
Levantei de sua cama, saindo do quarto para atender à ligação. Era Nathan quem me ligava, em chamada de vídeo. Soltei o cabelo, o ajeitando, tentando ficar um pouco mais apresentável, até que aceitei a chamada.
📱 | chamada de vídeo on Nathan ❤️
— E ai, meu froco de neve?Pega a visão, tá gatona hein, com todo respeito. – Chefin sorriu para a câmera, afastando um pouco o celular, me dando a visão de um studio, com alguns caras espalhados pela sala. Reconheci Oruam, sentado ao seu lado.
— Para, você sabe que eu não sei reagir à elogios. – ri, sorrindo igual a idiota apaixonada que eu era.
— Ai, foi mal por tá tomando teu tempo, mas é que nós vai lançar uma música aqui agora, aquela lá do baile, invejoso. E eu queria que trocar uma ideia contigo, só pra acalmar mesmo. Tô pilhadão. – o trapper compartilhou, coçando a nuca e posteriormente, esfregando uma mão na outra
— Já é. Tô aqui pra o que você precisar. Respira fundo, vai dar tudo certo. Assim que lançar o clipe, me avisa, pra eu compartilhar e dar streaming também, é óbvio. – comentei, o fazendo sorrir e balançar a cabeça positivamente. Maurin, que estava ao seu lado, se aproximou da câmera, ocupando todo o meu campo de visão. — Tranquilidade, Clarinha?Como tu tá?
— E ai, mano Maurin?Tudo tranquilo. E você?Como tá? – perguntei, sorrindoigual à ele.
— Tudo na paz de Deus. Vê se brota pelos acessoe leva alguma amiga gatinha, fazer a boa né?Falou ai, valeu Clarinha. – ele fez um coração para mim, recebendo um tapa na nuca.
— Vamos ver essa meta ai. Beijão, Maurin. Valeu. – repeti seu gesto, vendo Nathan revirar os olhos e forçar uma risada. Ao fundo, um homem anunciou que o vídeo já sendo upado, faltava pouco para o download ser concluído.
— Falta 66% pro vídeo 'tá na rede. – Nathan me informou, respirando fundo. Fui até minha mesa do computador, abrindo o notebook. Abri o YouTube e deixei no modo de espera para o lançamento do clipe.
— Já tá aberto aqui. A arte gráfica tá incrível. – reparei, como a boa designer gráfica que quero me tornar, assim que resolver prestar vestibular para ingressar em uma faculdade.
— Tá na pista. Lançou, lançou!Porra, tá na pista, tropa. – Nathan se levantou, comemorando com o pessoal que estava lá, abraçando alguns e apertando a mão de outros. Coloquei a música para tocar, dei like e comentei. Quando recebi a atenção de Chefin novamente, o aplaudi, comemorando.
— Essa vai ser hit!Escuta o que eu 'tô falando, tá muito braba. Você vai ser revelação do ano, anota aí, 'tô falando que vai. – sorri largamente, tão animada quanto ele. Maurin se aproximou e eu o parabenizei também. O trabalho deles estava incrível.
— Se for hitzada igual tu tá falando aí, te peço em namoro. É isso, fi'. – sua voz estava firme, arrancando murmúrios e risadas de seus colegas, principalmente de Mauro. Meu coração chegou até a errar as batidas. Ri, tentando disfarçar.
— Engraçadão você, hein. – forcei uma risada, ainda nervosa.
— Pode botar fé. Abraça o papo, na real mermo. E te falar, meu froco de neve: te peço em namoro até se a música der ruim. – Chefin piscou pra mim, me fazendo tampar a cara, vermelha de vergonha. — Ai, depois te ligo. Já é?Quando chegar em casa. Agora vou resolver umas paradas aqui.
— Beleza. Parabéns pelo lançamento, tá incrível. Boa sorte aí, se cuida. Avisa quando chegar em casa. Beijos. – enviei beijos, o fazendo sorrir. Esperei que ele se despedisse e então encerrei a chamada, sorrindo, com o coração quase saltando pela boca.
📱 | chamada de vídeo off.
Coloquei a música para tocar novamente, enquanto compartilhava o link de acesso no status do WhatsApp. Para divulgar no Instagram e no TikTok, tive a brilhante ideia de gravar uma dancinha rápida.
Apenas ajeitei o cabelo e passei um gloss, decidindo manter a roupa atual: cropped top de faixa e short de malha. Eu nunca tinha postado nada em minha conta, portanto, pediria para que minhas amigas – que possuem bons números de seguidores e curtidas – repetissem a dancinha. Assim, as chances de aparecer na for you de uma boa quantidade de pessoas, eram maiores.
Após editar o vídeo e postar, mandei o link para Nathan, mostrando que aquela música iria virar hit, de qualquer jeito. E enquanto ele digitava sobre estar extremamente grato, eu não pude deixar de pensar sobre o quão bons éramos juntos.
E exatamente por esta razão, por nos apoiarmos como ninguém, que aceitaria ser sua namorada, independente de sua música viralizar ou não.