❧ Deus é o meu guia | [29]

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MARIA CLARA;point of view

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MARIA CLARA;
point of view.

Era oficial: agora eu tinha uma madrasta

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Era oficial: agora eu tinha uma madrasta. Meu pai conseguiu surpreender eu e minha avó na noite passada, quando levou Mariana para jantar conosco e a apresentou como sua namorada. Inicialmente, fiquei introspectiva, mas, ela se mostrou ser super simpática e engraçada. Descobri que ela é body piercer e na tentativa de me agradar, ela sugeriu que eu visitasse seu studio hoje.

Chamei Beatriz e Débora, já que Camilla estava ocupada estudando. As duas surtaram quando Mariana simplesmente nos ofereceu três perfurações sem cobrar nada. Era nítido que ela estava mesmo tentando entrar para a minha família.

E se ela faz meu pai feliz, não vejo problemas.

— Já sabem onde vão furar, meninas? – a mulher ruiva indagou, jogando fora as luvas que havia acabado de utilizar em uma perfuração no nariz

— Sobrancelha. Presta atenção na grande gostosa que eu ficaria. – Beatriz nos mostrou sua imagem com um filtro do Instagram, simulando a perfuração

— Muito anta, mermo. Escolhendo uma parada por filtro de Instagram... – Débora arfou quando o filtro focou nela, passando o efeito para seu rosto. — Porra, é esse mesmo que eu vou colocar. Pode meter marcha, tia Mariana.

— E você, Clarinha?Já sabe onde vai fazer? – Mariana perguntou, nos guiando até o armário de vidro com as joias

— Já sim. – confirmei, sorrindo quando achei a joia correta. A peguei e entreguei para a body piercer. — Mamilo. Bem escondido pelo corpo.

Como dizia o ditado: o barato saí caro

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Como dizia o ditado: o barato saí caro. Após a dolorosa, porém rápida, perfuração, Mariana me pediu para buscar seu filho de 11 anos, Thiago, na escola e levá-lo para a minha casa, já que essa noite ela iria para lá e faria um jantar para nós. Não tive como negar, aceitei seu pedido e esperei que a própria ligasse para a escola e avisasse que seria eu quem o buscaria.

Me despedi de minhas amigas, que estavam absurdamente lindas com os novos piercings e comecei a caminhar em direção ao colégio, que ficava há umas quatro quadras do estúdio de Mariana. Quando cheguei, o porteiro chamou a criança e eu fiquei esperando.

Estava um sol pra cada um e o lugar estava mais cheio que Japeri em horário de pico.

O menino magrelo, com reflexo no cabelo e brinco na orelha direita veio em minha direção, com um olhar desconfiado, cheio de marra. Sorri e estendi a mão para que ele apertasse, porém, acabei cedendo ao toque engraçado que ele reproduziu.

— Oi, Thiago. Eu sou a Maria Clara, filha do namorado da sua mãe. Sua mãe pediu pra eu te levar pra minha casa, já que mais tarde a gente vai jantar juntos. – expliquei, o guiando para o caminho que deveríamos seguir.

— Suave. – foi tudo o que ele disse, parecendo um pouco tímido

Durante o caminho, comprei dois açaís para nós e foi o que bastou para o garoto começar a falar sem parar. Thiago me lembrou muito o Bernardo, só quem em uma versão que fala muito mais gírias e tem mais respostas na ponta da língua. Chegamos na minha casa e como dona Neide não estava – provavelmente estava na igreja –, subimos direto.

— Você deixa eu ouvir música enquanto jogo no meu celular? – o menino pediu, todo animado

— Claro. Depois que você tomar banho. Sua mãe disse que tem roupa na sua mochila. – impus, apontando para a mochila em suas costas

O mostrei onde ficava o banheiro, lhe entreguei uma toalha limpa e disse que o aguardaria em meu quarto. Liguei o ar e separei uma roupa para ser a próxima a tomar banho. Thiago voltou e me pediu para pentear seu cabelo do jeito que estava antes, como só sua mãe sabia fazer. Foi simples, já que o intuito era que mostrasse ao máximo o efeito causado pelo reflexo loiro.

Liguei a televisão e deixei o controle com o filho de Mariana, após ter lhe passado a senha do Wi-Fi. Fui tomar meu banho e aproveitei para lavar o cabelo também.

Quando voltei para o quarto, a televisão estava quase no último volume, com a música de Chefin. Aquela era nova, provavelmente bem recente. Ele estava todo de branco, em uma floresta. O cabelo estava do mesmo modo que o próprio fez questão de passar todo o mês de Dezembro: com tranças raiz. Eu gostava, ele ficava bem.

— O que você tá ouvindo?Por que tão alto? – indaguei Thiago, pegando o controle e abaixando um pouco

— Lançou hoje. É do brabo, o Chefin. Me amarro nele, quero ser que nem ele quando eu crescer. – o filho de Mariana revelou, ligado no duzentos e vinte, demonstrando o quão fã era.

Me sentei na cama e fiquei em silêncio, prestando atenção na música. O que não foi fácil, já que Thiago ficava tentando cantar junto. Reconheci dona Tânia em uma corrente de oração que teve no meio do clipe e foi inevitável não sentir saudade dela e toda a família. A letra era linda, me fez ficar arrepiada e tocada.

Eu havia entendido e sentido absolutamente tudo o que ele quis passar. Nossa conexão ainda parecia de outro mundo.

Quis chorar por isso.

Lá na frente Deus vai te honrar. Aquela frase havia me feito refletir. Estava carregada de razão. Lá na frente Deus daria o que fosse para ser meu, me honraria. Assim como Nathan tinha certeza que aconteceria com ele.

Então, quando me dei conta, estava com o celular na mão, o desbloqueando no WhatsApp. Era isso: estava disposta a ouvi-lo. Nem que fosse pela definitiva última vez.

𝗠𝗔𝗞𝗧𝗨𝗕 ━ 𝙲𝚑𝚎𝚏𝚒𝚗Histórias para pegar e não largar. Descubra agora