❧ proibida | [16]

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MARIA CLARA;point of view

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MARIA CLARA;
point of view.

Minha vó havia ouvido os gritos do meu pai e acabou subindo, ajudando a levá-lo para a sala enquanto Nathan e eu nos vestíamos

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Minha vó havia ouvido os gritos do meu pai e acabou subindo, ajudando a levá-lo para a sala enquanto Nathan e eu nos vestíamos. Peguei uma roupa limpa no guarda roupa, murmurando pedidos de desculpa para ele. Eu estava nervosa, nem conseguia raciocinar direito.

Meu pai não tinha a mente muito aberta. E para piorar, me pegou em uma situação completamente constrangedora, onde não havia nem como mentir e disfarçar. Márcio ainda me via como sua garotinha, já era de se esperar uma reação ruim quando soubesse que eu não era mais virgem.

Ainda mais nessas condições.

— Tá tudo bem. A gente não fez nada errado, precisa pedir desculpa não. – Nathan se aproximou, após vestir sua blusa. Selou nossos lábios rapidamente e acariciou minha bochecha.

De mãos dadas, saímos do quarto, porém, soltei sua mão antes de chegar até a sala. Não queria irritar – mais ainda – o meu pai.

— Ai, senhor. Com todo respeito, eu...

Nathan nem teve tempo de concluir nenhuma linha de raciocínio, pois foi interrompido rudemente por meu progenitor.

— Escuta aqui, rapaz. Eu não te conheço e nem quero conhecer, então, por favor se retire e me deixe com a minha família. Não quero mais ver você por aqui e muito menos perto da Clara. – o tom de voz de Márcio não era nenhum pouco sútil ou calmo

Quando a expressão do garoto ao meu lado se fechou e percebi que o mesmo não ficaria quieto, não abaixaria a cabeça para nenhuma das palavras de meu pai, resolvi interferir. Não queria gerar mais conflito.

— Nathan, tá tudo bem. Pode ir pra sua casa. Vai ficar tudo bem, vai tudo se resolver. Por favor, vai embora. Prometo que ligo depois e dou notícias. – pedi, acariciando sua mão, utilizando de um tom mais baixo

— Na moral, não queria te deixar sozinha nessa situação não, mas, já que tu tá falando, então vou meter o pé. Qualquer coisa me liga e eu venho voando pra cá. – sua voz saiu firme; eu sabia que ele estava falando completamente sério

— Vem, meu filho. Eu te levo até a porta. – minha vó se apoiou em seu braço, o conduzindo em direção à escada

Meu pai trancou a porta e se sentou no sofá, apoiando os cotovelos no joelho, unindo as mãos e encaixando o queixo entre os polegares. Me sentei no sofá oposto, o encarando em silêncio. Embora estivesse me sentindo culpada por ter traído sua confiança e trazido outra pessoa para dentro de casa em sua ausência, sem comunica-lo, sabia que não estava errada por ter simplesmente transado.

Sexo ainda era um tabu enorme para Márcio. E talvez seria para sempre, já que em sua visão eu ainda era uma criança, mesmo estando prestes a fazer dezoito anos.

— Você está errada em tantos níveis que eu nem consigo descrever. – ele iniciou, rindo sem humor. — A minha filha, a minha garotinha, que eu sempre criei com tanto esforço, simplesmente me enganando e colocando um garoto qualquer aqui dentro. E o pior de tudo, colocou ele aqui para...

Eu o ouvia, porém, em um tom distante, sem propriamente focar em suas palavras. Ouvi seu monólogo até o fim, aguentando suas conclusões e ofensas à Nathan e eu. Minha mente estava cansada, não aguentava processar mais nada. Não tinha força e ânimo para nada.

— Chega, pai!Chega!Você descobriu que eu não sou mais virgem, assim como uma boa parte das garotas de dezessete anos. Parabéns!Foi realmente algo chocante. – acabei soando mais sarcástica do que o esperado, porém, não parei aí. — Errei em ter chamado o Nathan pra vim aqui, sem ter te informado?Errei, tudo bem, mas, ele não é desconhecido, já conheceu minha vó e ela adora ele. É um garoto legal, o melhor pra mim, me trata super bem. Você deveria dar uma chance e conhecê-lo. Sexo não é o fim do mundo, ele quis e eu também, pronto e acabou. Nós não precisamos falar sobre esse assunto e não precisamos tratar como um bicho de sete cabeças, quando não é.

— Esse moleque mudou você. A minha Clara nunca me responderia dessa forma. – seu tom era de decepção, porém, não me abalei

— Eu sempre fui assim, pai. Você que me conhece pouco então. – retruquei, cansada

— Você tá proibida de ver esse moleque. Não quero mais saber de nenhum contato entre vocês e eu não estou brincando. Ele não é companhia para alguém como você e você ainda é uma adolescente, não tem idade pra essas coisas que presenciei quando cheguei em casa. Eu sou seu pai, mando em você e a partir de hoje, te quero longe desse tal de Nathan. Estamos entendidos? – Márcio levantou do sofá, me encarando seriamente, apontando o dedo em riste em minha direção

— Pai...você não pode fazer isso. Não pode me proibir de falar com ele. – ri, sem humor, incrédula

— Você vive de baixo do meu teto, eu pago suas contas e enquanto isso permanecer, eu posso decidir sim. Só quero o melhor pra você e sei que tô fazendo a coisa certa. – seu tom de voz era neutro, calmo, como se não tivesse dizendo algo absurdo

Simplesmente não podia acreditar no que estava ouvindo.

— Sabe o que eu acho mais engraçado? – umedeci os lábios, tentando não chorar. — Se minha mãe estivesse aqui, ela não teria me crucificado desse jeito. O máximo que ela teria feito, seria me passar recomendações sobre me preservar, se oferecer pra marcar um médico e provavelmente me repreender por ter chamado o Nathan pra cá sem avisar. E pensar nisso, me faz desejar que ela não tivesse morrido, que eu pudesse ser criada por ela. Mas, as coisas não acontecem como a gente quer, não é?

Sabia que minhas palavras haviam o afetado. Da mesma forma que sua ordem havia afetado à mim. E era um fato: palavras machucavam bem mais do que ações ou ordens.

𝗠𝗔𝗞𝗧𝗨𝗕 ━ 𝙲𝚑𝚎𝚏𝚒𝚗Histórias para pegar e não largar. Descubra agora