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MARIA CLARA; point of view.
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Três semanas. Era o tempo que Nathan e eu não nos víamos. E também era o mesmo período de dias que se passou desde a ideia brilhante de Márcio, meu pai, de não me deixar sair para nada além do curso. Para ver minhas amigas, precisei chamá-las para uma noite das garotas; Micaella foi a única que não compareceu, alegando estar passando mal.
As coisas estavam estranhas. Nathan queria me ver, eu também queria vê-lo, mas a oportunidade não tinha surgido; meu pai não estava mais flexível, não estava disposto à conversar novamente sobre esse assunto. Minha insegurança começava a chutar a porta, pensando sobre até quando Chefin aguentaria aquela situação.
Era impossível não pensar em coisas desse gênero.
Sua vida estava seguindo. Ele estava lançando mais músicas, até agenda de show já tinha. E infelizmente eu não pude estar ao seu lado no primeiro show, em Caxias. Havia sido na semana passada, Márcio não estava me deixando colocar os pés para fora de casa e minhas amigas estavam comigo, não podia dispensá-las.
Soltei um longo suspiro, deitando no sofá da minha vó. Estávamos passando a manhã juntas, já que eu só teria aula mais tarde e meu pai não estava em casa.
— Filha, pendura a roupa na corda por favor, enquanto a vó termina a torta de limão. Ai você leva um pedaço pra comer na aula. – dona Neide surgiu na divisória entre a sala e a cozinha, secando as mãos em um pano de prato
Bloqueei a tela do celular, concordando e indo imediatamente fazer o que ela pediu. Minha vó era o tipo de pessoa que queria tudo feito na hora, caso contrário, ela reclamaria por horas.
Fui até o corredor de acesso à minha casa, abrindo o varal e pegando as roupas dentro da máquina. Comecei a pendurar, cantarolando "invejoso", a música chiclete do momento. Estava quase terminando a tarefa, quando meu celular começou a vibrar, indicando que haviam novas mensagens.
Peguei o aparelho, vendo através da central de notificações que eram mensagens de Nathan, me chamando para almoçar com ele, alegando que havia recebido seu salário dos shows e a grana dos direitos autorais de invejoso. Antes de respondê-lo, mordi os lábios, pensando sobre como fazer aquilo e o principal: estava mesmo disposta à enganar meu pai?
Estava prestes à digitar um pedido de desculpas por não poder ir, porém ele foi mais rápido e disse que não aceitava um não como resposta, já que seria uma forma de comemorarmos suas conquistas.
Quando vi, já estava aceitando seu convite. Sua sugestão foi que comêssemos no tutto nhoque de Botafogo. Concordei, ponderando sobre ser mais rápido de pegar o metrô e ir para o curso, no Centro. Era a melhor opção e meu pai não precisaria ser totalmente enganado.
Sem perder tempo, terminei de pendurar a roupa e fui até a cozinha.
— Vó, vou subir e me arrumar. Hoje vou mais cedo, pra encontrar a Micaella. Ela quer comprar algumas coisas na Uruguaiana e não tá acostumada à andar por lá. Sabe como é, né?Moradora de condomínio. – ri, arrancando risadas de minha vó
— Tudo bem. Ah, mas nem vai dar tempo de levar a torta, Clarinha. Vou guardar e mais tarde você passa pra buscar. – dona Neide veio em minha direção, beijando minha bochecha. — Boa aula e vê se come alguma coisa.
— Pode deixar. Obrigada, vó. Te amo. – beijei sua testa
Esperei que ela terminasse sua oração, algo que a mesma sempre fazia antes que eu ou meu pai saíssemos de casa. Posteriormente, subi correndo para minha casa, dessa vez bem mais animada. Finalmente veria Nathan após tanto tempo.
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O restaurante escolhido por Chefin era super aconchegante e bonito. E embora durante todo o caminho até o ponto de ônibus, onde nos encontramos, ainda na VK, eu tenha pensado sobre acabar ficando um clima ruim entre nós por ser a primeira vez que nos vemos após aquele dia, tudo ocorreu completamente ao contrário; acho que nunca estivemos tão bem.
— Tu tem que ir em algum show meu, na moral, papo reto mermo. – Nathan comentou, cheio de marra, como sempre
— Eu quero muito ir. Você ainda vai alcançar muitos e muitos shows, ai quando for cantar lá na Europa, vai ter que me levar. – fiz graça, brincando com os anéis enormes em seu dedo, por cima da mesa
— Com certeza é tu merma que vai comigo. Esse é só o começo dos planos que Deus tem pra mim, sabe?Deus é o meu guia sempre e Ele ainda tem muita coisa boa reservada pra gente. – seu sorriso quase fez eu me derreter por completo, assim como suas palavras
— A gente?Eu e você?Por acaso também tô inclusa nesses seus planos? – indaguei, soltando sua mão, uma vez que a garçonete se aproximou de nossa mesa
Interrompemos o assunto para fazer os pedidos. Nenhum de nós dois esteve ali antes, portanto, acabamos ficando indecisos. Nathan havia reforçado que eu poderia pedir o que quisesse e ele quem pagaria. Se dependesse dele, estaríamos almoçando no Pobre Juan. E, honestamente, se dependesse de mim estaríamos comendo o cachorro-quente do Cláudio, na VK.
Fizemos os pedidos e após a funcionária anotar tudo, voltamos nossa atenção um para o outro.
— Você deu sorte, tá ligada? – sua voz soou presunçosa, mesmo que o tom fosse divertido, retomando o assunto
— Eu?Eu quem dei sorte?Certeza? – arqueei a sobrancelha, colocando a mão no peito, debochando.
— Claro, pô. Te contei meus planos e tu tá envolvida em todos eles. – Nathan segurou minhas mãos, puxando a direta para beijar os nós dos meus dedos.
Ri, o encarando sem desviar o olhar. Não sabia o que falar, estava tímida.
— E meu próximo plano é dobrar teu coroa. Vou conquistar a família toda, anota aí. Pode dizer pra ele que eu quero fazer uma parada mais formal pra gente se conhecer, pode ser ainda essa semana. Quando tu quiser. – Chefin declarou, me fazendo arregalar os olhos, surpresa ao perceber que ele não estava brincando.
Não discordava de sua ideia, portanto, já estava preparada para os surtos do senhor Márcio Castro, meu digníssimo pai.