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MARIA CLARA; point of view.
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A comemoração do aniversário de trinta e cinco anos da minha sogra estava ocorrendo na mais perfeita ordem. Ela tinha amado, chorou bastante e me agradeceu mais ainda. Acabei chorando junto com ela, como a boa manteiga derretida que sou. Todos estavam se divertindo, adorando as comidas que encomendei.
Porém, eu não conseguia estar na mesma vibe.
Não quando sabia a gravidade da conversa que teria com Nathan assim que ele se cansasse da festa; o que não estava nem perto de acontecer, já que até dançando com dona Tânia ele estava. Entendia sua felicidade de estar proporcionando, aos poucos, coisas boas para sua família.
Me levantei da cadeira de plástico, seguindo em direção à cozinha. Peguei um copo descartável e me servi com água gelada. Escorei meu corpo na pia e fiquei ali por alguns minutos, sozinha, aproveitando para refletir. Até sentir que não estava sozinha.
Na porta de entrada, Yuri estava parado, me encarando; exatamente com o mesmo olhar da viagem. Me incomodei, sentindo um arrepio terrível. Esperei que ele saísse, porém, nada aconteceu. Nenhum de nós dois se moveu. Quando tomei a iniciativa de sair dali, o primo de Nathan olhou para trás, conferindo algo e deu alguns passos em direção à pia.
— Tá bem, Clara?Tá igual o nome já diz: Clara de mais. – ele riu. Eu não achei graça.
— É o calor. Verão sempre fica mais abafado durante a noite. – dei a primeira desculpa, evitando dar muito papo
— Tá realmente muito calor. – seu tom não foi nada inocente, o sorriso em seu rosto demonstrava o mesmo
— É, pois é. Agora deixa eu ir lá, preciso ver quem vai cortar o bolo e também quem vai tirar as...
— Relaxa, bebê. Tá muito acelerada, muito estressada. Meu primo não tá dando conta do recado não? – Yuri se serviu um copo d'água, bebendo enquanto me olhava. O encarei, irritada. — Foi brincadeira, bebê. Segura tua peteca ai, sem estresse.
— Beleza. Tô indo lá. – apontei para a porta, porém, ele se aproximou, me encurralando contra o móvel de madeira branca. Tentei sair, mas, Yuri bloqueou a passagem.
— Não encosta em mim. – o empurrei, fazendo-o cambalear
Ele riu, negando com a cabeça, achando tudo muito divertido. Aproveitei a distância e saí correndo daquele cômodo. Esbarrei em Nathan, que me segurou pelos ombros. Olhei em seus olhos, percebendo sua preocupação.
— Qual foi, froco de neve?Tá correndo aí, toda desesperada. Aconteceu alguma coisa? – Chefin acariciou meus ombros, olhando por trás de ambos, tentando entender o que acontecia
Não tive tempo de responder. Yuri parou ao lado de Nathan, gargalhando.
— Tu não vai acreditar, primo. Tua mina viu uma barata lá na cozinha e quase foi parar na China de tanto que correu. Não foi não, Maria Clara? – ele debochou, me encarando
Respirei fundo, vendo Nathan rir. Aquele não era o momento.
— Foi isso mesmo. – concordei, balançando a cabeça
— Fica com medo não. Eu te protejo, amor. – meu namorado me abraçou e eu olhei para Yuri, o vendo me encarar de volta, completamente sério. — Bora lá tirar as foto' na mesa que tu organizou, bonitona.
Concordei, nos separando e segurando sua mão, deixando que ele nos guiasse até a mesa. Por questão de qualidade de câmera, peguei seu celular e comecei a tirar as fotos. Nathan, Bernardo e Amanda foram os últimos que tiraram foto. Me enfiei no meio deles e depois tirei de ambos sozinhos com a mãe.
— Vou no banheiro e já volto. – meu namorado avisou, antes de correr para dentro da casa de dona Tânia
— Minha linda, me envia todas essas fotos ai, pelo WhatsApp mesmo. – minha sogra pediu, pegando seu próprio aparelho
Concordei, abrindo o aplicativo de mensagens no celular de Nathan. Esperei que a confirmação de Face ID sumisse quando não houve reconhecimento, coloquei o código e digitei somente a letra "M", de mãe, não querendo invadir sua privacidade.
O contato de Amanda apareceu, no topo da lista, salvo como "minha rainha" e embaixo, estava o contato de Micaella. A minha amiga. A porra da minha melhor amiga havia mandado seis mensagens não visualizadas para o meu namorado, pouco tempo depois de termos nos visto, na primeira semana do ano.
— Quero postar algumas fotos agora, ai você me envia por favor, minha linda. – Amanda chamou minha atenção, toda sorridente, prestando atenção em seu celular
Fiz o que ela pediu, em uma velocidade absurda, doida para ver o que Nathan e Micaella estavam conversando. Provavelmente não era nada de mais, talvez fosse algo em relação ao Maurin' e ela. Micaella nunca agiria pelas minhas costas, assim como meu namorado.
Tentando me tranquilizar mentalmente, abri a conversa.
Senti minha cabeça doer, de repente o espaço pareceu pequeno demais para respirar, embora estivesse em um local aberto. Arrastei as mensagens até o início, tentando identificar em qual momento Nathan foi à casa de Micaella e deixou com ela o cordão que ela estava esbanjando em uma das fotos das mensagens não lidas.
Foi justamente no dia em que Micaella alegou não poder ir para a minha casa, quando reuni minhas amigas para uma noite das garotas. Ela mentiu, não estava se sentindo mal e muito menos em casa; ela estava no show.
Li o momento em que ela revelou ter pegado o número dele no celular de Mauro, o momento em que pediu para curtir a noite de graça no camarim, sem que eu precisasse ficar sabendo e principalmente o momento em que ela revelou que sempre sonhou em dar para o meu namorado.
Ele bloqueou ela, porém, uma chamada foi efetuada no dia seguinte e após isto houve a confirmação do desbloqueio. Ela continuou mandando mensagem e não recebeu nenhuma resposta.
Até chegar as mais recentes. Havia a porra da foto, comprovando que a pesada e inegavelmente pertencente à Nathan, corrente com o símbolo "distrito 23", estava no pescoço de Mirella. Em seu quarto, deitada em sua cama, enquanto perguntava quando ele aparecia para pegar de volta.
E embora eu tentasse raciocinar, aquilo não tinha explicação. Não havia o que falar. Estava nítido, explícito, qualquer idiota interpretava:
Meu namorado e minha amiga estavam tendo um caso. Estavam me traindo.