❧ sem confiança, sem relacionamento | [25]

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MARIA CLARA;point of view

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MARIA CLARA;
point of view.

No caminho até o banheiro, tentei segurar as lágrimas

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No caminho até o banheiro, tentei segurar as lágrimas. Não queria chorar. Não queria ser fraca, odiava chorar durante ou antes de qualquer briga. A porta do cômodo estava fechada, portanto, bati até escutar sua voz, pedindo para esperar. Me afastei, passando a mão direita pelo rosto, ainda com seu celular na mão esquerda.

— O mundo não vai acabar, não... – Nathan resmungou, saindo do banheiro, até se deparar comigo. Eu devia estar péssima, já que imediatamente sua expressão ficou séria. — Qual foi, meu froco de neve?Que que tá pegando?

— O que tá pegando? – ri, sem humor. Balancei seu celular em minha mão, o vendo franzir o cenho. — Eu não sei. Você prefere que eu comece pelo fato de você ter o número da minha amiga e ter, aparentemente, me traído com ela ou prefere que eu pergunte sobre a foto dela com o teu cordão?

— Do que tu tá falando?Amor, bora conversar. Eu posso explicar tudo. – ele iniciou, segurando meu braço com cautela

— Não encosta em mim. – ordenei, me desvencilhando imediatamente do seu toque

— Bora conversar ali, pra não chamar atenção. É uma parada que a gente tem que resolver entre eu e tu. – Chefin apontou para a porta atrás de mim

Entrei no quarto e ele também, fechando a porta logo em seguida. O observei acender a luz e se sentar na cama, enquanto eu permanecia de pé, no canto do cômodo, evitando qualquer proximidade, embora o encarasse atentamente.

— Eu posso explicar tudo. Só me deixa explicar tudo antes de achar qualquer parada errada. – ele pediu e eu balancei a cabeça, sabendo que se o respondesse com palavras, provavelmente sairia com a voz falhada. — Ela me chamou no dia do show que tu ainda tava de castigo, por causa daquela parada com teu coroa. Disse que tinha pegado o número com o Oruam, acho que ele nem sabe dessa fita. Ai ficou mandando várias parada indigesta, tu viu que eu cortei logo, achei até que tava bêbada e os caralho, querendo curtir a noite no meu camarim...várias ideia errada. Nem dei assunto pra ela, bloqueei mermo, só que ela me ligou no dia seguinte, pediu desculpa, disse que tinha bebido além da conta e que ela mesma ia te contar dessa conversa, porque queria ser honesta e não queria perder tua amizade. Relevei, deixei pra lá, porque não foi nada importante na minha vida e como ela disse que ia conversar contigo, achei melhor nem tocar no assunto. Quem tinha que decidir se ia continuar a amizade era você, se baseando no papo dela...

Não consegui me conter, o interrompi.

— Como assim você achou melhor me deixar do lado de uma falsa, tentando manter uma amizade mentirosa, do que simplesmente ser honesto e ter mostrado as mensagens desde o início? – questionei, com a voz carregada de sarcasmo

— Eu errei. Admito que errei nesse ponto, mas te juro por tudo quanto é mais sagrado que não te trai. Parei até de responder ela, ela me mandou mensagem no início do ano e eu nem dei assunto, nem vi. Esse bagulho de ela tá com o meu cordão, eu nem sei como, nem sabia dessa parada. O único cordão meu que sumiu, foi o do distrito 23, que minha vó até acha que foi o sobrinho da dona Cleide que entrou aqui em casa com ela, depois do culto e roubou. – Nathan explicou, com a expressão confusa. Completamente confuso.

Ou ele se fazia muito bem ou realmente não sabia.

— Não dá. Eu não consigo acreditar nisso. Teu cordão sumiu e foi parar no pescoço dela como?Voando?Porque daqui até o recreio, só pode. Ou foi teletransportado. – debochei

— Eu não sei, porra. Tô sendo transparente contigo e agora também quero saber como foi parar com ela. – ele se levantou, pedindo o celular. Lhe entreguei e esperei que o mesmo visse as últimas mensagens enviadas por minha amiga.

Fiquei em silêncio, observando seu cenho franzido. Até que uma risada escapou de meus lábios. Gargalhei, nervosa, sentindo meu coração angustiado. Me sentei na cama e entrelacei meus dedos no couro cabeludo.

— Eu deveria ter previsto essa situação. Várias mina rendendo pra você, agora que tá famoso, era claro que alguma delas ia conseguir algo. O que mais dói é saber que foi a porra da minha amiga quem conseguiu montar uma coroa de chifres na minha cabeça. Você pode ser honesto, eu não vou mais brigar, surtar, xingar...nada nisso. Pode falar que você foi até a casa dela quando eu me afastei, pode confessar. – ordenei, tentando respirar fundo

— Eu não fui na casa dela. Pode perguntar pra quem você quiser, te juro que não fui lá. Nem sei onde fica. Acredita em mim, confia em mim. Liga pra ela, pro porteiro, até mermo pro Yuri, pode perguntar pra qualquer um. Eu não fui na casa dela, nunca nem cogitei dar ideia pra ela. – Chefin insistiu, se ajoelhando na minha frente, olhando em meus olhos

Balancei a cabeça, começando a chorar. Ele entendeu o que significava: eu não conseguia confiar, não conseguia acreditar.

— Você tá duvidando de mim, cara. Porra, assim não dá. Se eu quisesse aquela doida, tinha chamado ela pra curtir o baile naquele dia, tinha corrido atrás dela, tinha atravessado a VK pra deixar ela em casa. Acredita em mim, amor. Eu te amo. Bora deixar essa parada interferir na nossa história não. – Nathan beijou meu joelho, sem desviar o olhar do meu. Não respondi nada. Ele ficou em pé, andou de um lado para o outro. — Sem confiança, sem relacionamento.

Levantei da cama, com o cenho franzido e o coração acelerado.

— Você tá querendo dizer que a gente tá terminando? – perguntei, limpando o rosto e fungando

— Acho que é o melhor mermo. Eu acabei de perceber que essa porra de fama tá fudendo a tua cabeça, essas mina rendendo pra mim é a última coisa que eu ligo, mas tu não consegue acreditar, porque não consegue confiar. Tu não vai conseguir me acompanhar. E a última coisa que eu quero é te ver sofrer. – ele se aproximou, beijando minha testa

Não tive reação. Suas palavras me pegaram de jeito, me atingiram como apunhaladas nas costas.

Ele havia terminado o nosso namoro. Não estávamos mais juntos.

— É, realmente eu não ia conseguir te acompanhar mesmo. Realmente essa porra toda tá fudendo a minha cabeça, tá fudendo tanto a minha cabeça que eu me sujeitei à aguentar o teu primo assediador, me olhando como se eu fosse um prato de carne, me encurralando, me fazendo ter medo, me fazendo ter a pior sensação: a de impotência, a de me sentir pequena. Me sujeitei à aguentar tudo isso calada porque não queria estragar nada pra você, me sujeitei à tudo isso e ainda vim pra tua casa, já que em momento algum você quis ir até mim. Parabéns, Nathan, você tá muito certo. – bati palmas, me afastando. Seu olhar demonstrou o quão atingido ele foi. — Que bom que você terminou isso antes do que eu, porque se não tivesse feito, eu faria.

Não esperei por mais nada, apenas saí daquele quarto como um foguete. Fui até sua casa, no andar de cima, e peguei todas as minhas coisas. Não me despedi de ninguém, ignorei os chamados de seus familiares e principalmente os gritos de Nathan quando me viu passar pela porta e subir no primeiro moto táxi parado na esquina.

Sem olhar para trás, eu fui embora.

𝗠𝗔𝗞𝗧𝗨𝗕 ━ 𝙲𝚑𝚎𝚏𝚒𝚗Histórias para pegar e não largar. Descubra agora