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CHEFIN; point of view.
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Ai, vou nem ficar de caô: ri pra caralho e achei merecido a cobrança que a Débora deu naquela mandada lá. Feião brigar na frente dos outro', mas isso nunca foi grande coisa pra Débora. A mina é boa de briga, tem nem conversa. Em cinco minutin' ela conseguiu descobrir a parada toda, enquanto eu nem sabia que aquele arrombado do Yuri tava de conchavo com a Micaella.
A sorte dele é que a mãe acolheu de volta, porque se tivesse pelos acesso ainda, eu ia quebrar ele de novo. O maluco me roubou e ainda assediou minha mina; acabou com meu namoro.
Mandei mensagem pra Débora, prestando apoio e as parada toda. Queria saber se a mina tava bem. E papo reto mermo, quase deixei o celular cair quando vi a ligação da Clara. Da última vez que chequei essas parada', ela tinha me bloqueado. Em todas as redes sociais, sem neurose.
Pra ser sincero, no começo fiquei bolado por ela não querer me ouvir e preferir acreditar nos outro', mas, pô, conheço a minha mina, sei que ela sempre foi insegura, tem dificuldade em confiar. E embora seja uma parada indigesta, não posso julgar ela por traumas que outras pessoas e situações deixaram nela. Passei um mês esperando ela querer falar comigo e não me arrependo não, ficaria mais uma cota se fosse pra me resolver com ela. Quem ama não desiste fácil não, parceiro. O sentimento não passa de uma hora pra outra.
Assim que ela sugeriu de a gente se ver pra resolver os bagulho', aceitei. Foda-se que eu ia atravessar a cidade praticamente, peguei a Range Rover que um parceiro deixou comigo, pra fazer um teste e ver se vou comprar mermo, e parti pra VK. Sou cria de lá, gosto mermo da minha comunidade, mas assim que tive a oportunidade de dar uma melhoria pra minha mãe, pensei nem duas vezes, na real, é aquilo: não adianta eu ficar gritando "favela venceu" se quem venceu foi só eu. Acho feião essa fita; o que eu puder fazer pela minha comunidade, vou fazer. Sem essa de fugir das origem.
Demorei papo de uma hora e meia pra chegar na casa da Clara. Mandei uma mensagem pra ela e fiquei esperando dentro do carro. O portão foi aberto e eu fui até lá, depois de trancar a nave. A morena tava gostosa pra caralho, lindona mermo, como sempre. Fazia uma cota que a gente não se via, acho até que tá mais gata que antes, se é que essa porra é possível.
Demônia essa ai, impossível de esquecer. Se fuder pra lá, irmão. Zero condições.
— Oi, Nathan. – Maria sorriu, tímida, sem saber como me cumprimentar
— E ai, Clara? – nem liguei, puxei logo pra um abraço mermo
Ficamos abraçados por um tempinho, até que ela nos afastou e fechou o portão, explicando que podíamos subir, já que o pai dela ia dormir na casa da nova namorada. Pelo pouco que ela contou, a parada tava séria mermo.
Mó sacanagem. Agora que o coroa tá transando e tá de bem com a vida, nem deve pegar mais no pé, quem não tá transando sou eu.
Sentamos no sofá da sala e ficamos em silêncio, até que ela tomou a iniciativa.
— Eu quero que a gente esteja bem, sabe?Quero explicar tudo e me desculpar. Fui muito injusta com você. – Clara lamentou, cheia de arrependimento mermo, dava pra sacar
— Já entendi o teu lado, Maria. Tu tem dificuldade em confiar, tem essas parada toda de insegurança por culpa de outras pessoas e acontecimentos. Não tem como ficar te julgando por essa parada, ainda mais que nem eu e nem você sabíamos a verdade. Se eu ficasse te julgando por essa parada, ia significar que não te amo de verdade e que não aprendi a lidar com teu jeito por justamente te amar. Essa é uma parada indigesta, ruim pro nosso relacionamento e principalmente pra você, por isso me preocupei mais contigo. – desabafei, querendo que ela se sentisse mais confortável e menos culpada
— Você não existe. Não é possível que exista alguém tão compreensivo quando tudo o que te dei foi o completo oposto. – ela tampou o rosto, respirando fundo
— Antes disso tudo tu foi mó compreensiva, me apoiou pra caralho, deu mó suporte quando geral desacreditou. – respondi, não gostando daqueles papo' dela
— Eu...eu voltei pra psicóloga. Tô fazendo tratamento, tá tudo indo bem. Quero um recomeço, quero fazer tudo diferente. Estou aprendendo à confiar mais em mim, à lidar com meus sentimentos e emoções. Acho importante ter um amigo como você ao meu lado. – a morena segurou minha mão, sorrindo sem mostrar os dentes
Que mané amigo o que, da boca. Não percebeu que eu te amo, desgraça?
— Tá tudo bem nós sermos apenas amigos?Quero avaliar as coisas e se você quiser me esperar, ver se é certo nós dois voltarmos ou não. – Clara foi sincera e eu balancei a cabeça, concordando
— Tá suave. Tô aqui pra tudo. – apoiei, puxando ela pra um abraço
Ficamos sentados naquele sofá por quase a madrugada inteira, porém nem vi a hora passar, já que o tempo sempre parecia passar muito rápido quando estávamos juntos. Ela me contou tudo o que aconteceu nos últimos tempos e na moral, cheguei até a chorar junto com ela, sem caô. A gente não merecia ter passado pelo que passou, mas ela merecia menos ainda.
E na real, se pra ver ela bem eu precisasse ser só amigo, era isso que eu ia ser. O importante era a felicidade dela.