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Há cinco anos

Ele rodeia. Constantemente rodeando.
Todos sabemos o porquê. É tão óbvio toda vez que ele a traz. Ela está esperando para fugir.
Ela é bonita e doce, mas há algo nela que torna quase dolorosamente evidente que uma criança como Tyler nunca poderia segurá-la. Seria necessário um homem para manter aquela carinha bonitinha. Só de pensar que, enquanto estou na cozinha, observar os dois na sala de jantar me faz sentir como um pervertido. Ela tem apenas dezesseis anos, embora suas curvas a façam parecer mais uma mulher e menos uma garota. Ele lhe dá pequenos toques enquanto eles se sentam um ao lado do outro assistindo algo em seu laptop. Sua risada o faz sorrir. Ele é tolo por pensar que ela ficará com ele. Garotas assim não ficam com homens como nós. Ele pode continuar fingindo, se quiser. Ele pode continuar trazendo-a para casa e abraçando-a, porque ele não sabe como é fácil para as pessoas o afastarem. Ela vai empurrar, ela vai pressionar, ela vai embora. E eu não posso culpá-la. Seus ombros tremem enquanto ela ri e se inclina para ele. Seu sorriso largo cresce e, como o garoto que ele é, ele passa o braço em volta dos ombros dela. O sorriso morre quando Anahi se inclina para frente e para longe. Ele não sabe que ela precisa de espaço.
Não é culpa dele. Tyler tem muito a aprender. Lições de vida difícil. Como os que tive que suportar.

O câncer pegou nossa mãe e nos deixou um pai amargo que gosta demais do cinto. Sem mencionar uma pilha de contas que uma única pessoa não poderia pagar. Levou anos para transformar o pequeno negócio do meu pai em um negócio próspero. Anos destruindo a pouca vida que me restava.
— Não vamos. — ouço Anahi dizer e quando olho para cima, seus olhos estão em mim. Preso em seu olhar, eu a seguro lá, mas não dura muito. Tyler está sempre lá para recuperar sua atenção. Uma sensação de perda passa por mim, seguida de desgosto.
Não sou uma boa pessoa há tanto tempo, talvez tenha esquecido como. Ou talvez eu nunca tenha sido uma boa pessoa para começar.
— Você e Carter vão sair hoje à noite? — Meu pai pergunta enquanto interrompe a visão que tenho de Tyler e sua namorada.
Somos apenas Carter e eu. Nunca meus outros irmãos. Nós somos os mais velhos, afinal. Os que precisam pegar a folga do meu pai. Os que pagam essas contas e fazem do negócio o que é. Somos nós que temos que arcar com o fardo. E, na verdade, é o trabalho duro de Carter e as táticas comerciais brutais que tornam isso possível. Com certeza não é meu pai. Ele é bom em esconder sua dor. Mas toda vez que ele se lembra de minha mãe, eu sei que ele lida com um vício diferente. Um que facilita o uso desse cinto. Apenas sempre para Carter e eu.
— Sim. — digo a ele e espero que ele indique que ele quer que traga parte do suprimento de volta para seu uso pessoal. Sexta-feira marca quatro anos desde que nossa mãe se foi e eu sei que uma recaída está chegando. Ele desaparecerá por dias, talvez até semanas. Foi pior quando passou pela primeira vez. Acho que deveria estar agradecido por ele estar melhor agora do que era antes.
— Cuidado ao voltar para casa. Ouvi dizer que há uma patrulha no lado leste, então talvez mude o caminho de volta depois que você receber a remessa.Um segundo passa e depois outro antes que eu acene.
Alguns dias me pergunto se ele se importa mais comigo. Ele sempre foi um homem duro. Mas quando mamãe morreu, ele não ficou nada além de zangado. Os anos talvez o tenham mudado para ser menos cheio de ódio. Mas isso não significa que ele tem algo para substituí-lo. Dou-lhe outro aceno de cabeça e olho além dele quando o som de Tyler e Anahi se levantando da mesa chama minha atenção.
Meu pai olha por cima do ombro na direção que estou olhando e depois se vira para mim. Ele apenas balança a cabeça e sai, mas eu o ouço murmurar: — Ela não é sua.
Eu o odeio ainda mais neste momento. Porque ele está certo. A garota triste e bonita não me pertence.
Não importa o quanto eu ache que ela aliviará minha dor.

Possessive - Anahi e Poncho (Adaptada) AyAHistórias para pegar e não largar. Descubra agora