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YOOJUNG E EU ESTAMOS AMBAS no meio de um dilema, todavia, as nossas razões são completamente distintas. No meu livro, a personagem principal tem que tomar uma decisão entre mudar-se para Paris a fim de estudar moda, ou ficar em casa perto da família. Eu me sinto dividida entre ir ou ficar também, mas Mapo-gu não é nenhuma Paris.
Nos últimos dias eu pensei e repensei sobre a proposta, em todas as vezes chego a conclusão de que é o que mais quero fazer. Mas, por mais que deseje, não consigo falar com a mais velha sobre o assunto. Já é quinta-feira e eu não falei com a mamãe sobre a minha decisão ainda. Isso não envolverá uma enorme burocracia pois já atingi a maioridade coreana, mas fazer isso sem sua aprovação é ir contra os meus princípios.
Eu espero de verdade que ela entenda que eu só quero ter a experiência de viver com o meu pai também e que não estou a abandonando. Tenho medo de que mamãe encare isso como algo horrível, como se eu estivesse sendo ingrata por tudo que ela fez e faz por mim.
Estava quase na hora da aula, eu me atrasei hoje porquê isso estava ocupando os meus pensamentos. Em suma, perdi o ônibus e ela terá que me levar de carro, que bom que está em casa. Quando vou à cozinha mamãe ainda está me esperando, pego um pouco do leite zero lactose e coloco em um copo enquanto ela diz para eu me apressar ou chegarei atrasada e acabarei perdendo aula.
— Vamos, Jiyoon! Você sabe que não deve dormir tarde, sempre acaba atrasando.
— Eu sei — digo ao terminar de tomar a bebida ainda gelada. — Sabe mãe, eu invejo o Lix. O papai vai mudar-se para perto da escola agora, ele vai poder dormir um pouco mais... — eu jogo a primeira informação, espero que ela entenda os meus pequenos sinais.
A minha estratégia é bem simples. Enquanto estivermos indo a caminho da escola, eu falarei de forma sútil sobre a mudança do papai e como eu gostaria de poder ir com eles.
— Não fale assim, filha. Inveja é um sentimento muito feio — ela diz enquanto me apressa.
Pelo visto, fazer ela perceber as indiretas será mais difícil do que pensei.
Eu pego minha mochila e nós duas praticamente corremos até a garagem. Quando entramos no carro, aí sim corremos. A mais velha pressiona o pé no acelerador, sem medo — totalmente em oposto a mim —, talvez a velocidade em que estamos seja um pouco maior do que a indicada por lei.
Um lembrete mental: nunca mais me atrasar.
— Mãe, tem certeza que não está rápido de mais? — pergunto segurando o cinto de segurança, inteiramente aflita. — O papai disse que...