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Henrique|Caveira ☠️

Acordei mais uma vez levando porrada nessa porra. Isso é normal por aqui, só que dessa vez os ratos do Luiz me batiam e ele me olhava sentado na cadeira fumando um charuto.

Eu estava dormindo pesado mermo porque nem escutei quando esses filhos da puta entraram.

Luiz: Acordou bela adormecida?-debochou e eu cuspi nele o sangue que saia na minha boca enquanto os ratos dele me seguravam.- Tá nervosinho Caveira?- ele riu.- Não sabia que você tinha mulher e que bela mulher hein? Gostosa demais.- olhei sem entender.- Ana Luíza né? Para os íntimos, Analu.

Ele sorria com uma cara de tarado do caralho, que nojo desse velho porra. E como ele sabe da minha morena mano? Que porra é essa? Que ódio do caralho!

Caveira: Que mulher? Tá maluco? Não tenho mulher nenhuma não, sou bicho solto.- tentei parecer sincero.

Luiz: Que engraçado.- fez uma cara de pensativo.- Ela se apresentou na delegacia como sua esposa.

Eu tenho certeza que meu coração parou por alguns segundos e que meu cérebro paralisou assim que ele terminou a frase.

Como assim a Analu se apresentou em delegacia e ainda mais como minha mulher? Essa mandada só pode tá maluca das idéia mano, se colocando em risco porra. Eu não sou fixado mais porra vários me conhece e querem minha cabeça porra. Não tô acreditando que o Ph deixou isso acontecer não parceiro.

Caveira: SE TU TOCAR NELA EU TE MATO SEU FILHO DA PUTA!- eu fui pra cima dele.

Luiz: Ué, você não acabou de falar que não tem mulher?- debochou.- Eu tinha até pensado em trazer ela pra te fazer uma visitinha Caveirinha porque você anda muito estressado.

Meu ódio foi tão grande que eu tirei forças da onde eu não tinha e consegui me soltar dos dois pau no cu que me seguravam e conseguir ir pra cima do filho da puta do Luiz e acertar um soco no nariz dele que começou a sangrar na merma hora e eu senti um alívio do caralho de ter descontado 1% de todo ódio que eu sinto desse cuzão.

Caveira: Esse soco foi só um esquenta do que ainda estar por vim. Se tu encostar em um fio de cabelo de qualquer pessoa da minha família eu mato um por um da sua até não sobrar ninguém.- falei calmo.

Luiz: Você acha que tá podendo alguma coisa né seu lixo?- deu risada.- Mete porrada nesse bandido de merda.

Ele saiu da sala e os caras começaram com mais uma sessão de porrada até começar sair sangue pela minha boca e eu desmaiar.

[...]

E mais uma vez a dona Zélia tinha cuidado de mim, ela limpou e fez curativo em todos os meus ferimentos e me deu remédio pra dor.

Eu estava terminando de comer dois pães com manteiga que ela tinha trago junto com uma garrafa de água enquanto ela me encarava com o olhar de pena.

Zélia: Eu ouvi ele falando no celular com um tal de Jacaí.- ela pensou.- Não... Não, era Jacaré, Jacaré ele falou no celular.

Caveira: Tu tem certeza disso dona Zélia?- ela confirmou.- Filho da puta!

Zélia: Tenho sim, eu não consegui ouvir bem o que eles falavam, mais o Luiz parecia exaltado.

Que filho da puta do caralho!

Então era o Jacaré que estava o tempo inteiro de trairagem pra cima de nós porra. Esse cuzão me paga!

Eu ajudei esse arrombado em tudo que eu pude e até no que eu não pude, achei que era meu parceiro e ele me traiu da pior forma possível.

Caveira: Dona Zélia eu sei que eu não tenho o direito de te pedir ajuda porque posso colocar tua vida em risco, mas só a senhora pode me ajudar.- ela me encarou.

Zélia: Eu te ajudo meu filho!

A dona Zélia estava a uns dias me passando todas às informações que ela conseguia ouvir, e inclusive me explicou como era às saídas da casa, quantos funcionários do Luiz ficavam aqui e como era a troca de turno deles.

Ela só não sabia me informar a localização daqui exata, porque ela também não sabia. A dona Zélia é mantida aqui em cárcere por anos e é feita de empregada por esses filhos da puta.

Eu prometi pra mim mermo que quando eu sair daqui, eu vou levar ela junto. Afinal se não fosse ela eu poderia estar até morto uma hora dessas.

Assim que eu comi ela teve que sair do quarto e disse que voltava mais tarde pra me trazer comida.

Se antes minha mente já estava a milhão, imagina agora? Eu tô no puro ódio e quando eu pegar o Jacaré eu vou torturar ele de todas às formas possíveis.

Uma das coisas que eu pedi pra dona Zélia foi pra ela tentar arrumar um celular pra mim, uma parada que vai ser complicada já que ela terá que pegar o celular de um dos seguranças.

Essa é a única forma de eu conseguir algum contato com alguém de fora e tentar mandar minha localização para os meus parceiros.

Outro bagulho que eu também pedi foi uma faca ou até mermo uma arma caso ela conseguisse, mas eu não posso agir na emoção tá ligado? Porque se eu agir e falhar, ela pode morrer porque vai ser a primeira a ser acusada de ter me ajudado.

Ela já me falou que todas às sextas ficam apenas dois seguranças aqui, e um deles sempre saí durante a madrugada e só volta de manhã.

Com certeza o safado vai dá uma passeada por aí né? E eu vou me aproveitar disso.

[...]

Não conseguir pregar o olho essa noite que passou, literalmente eu fiquei acordado a noite toda com a mente a mil pensando nas formas de sair daqui.

E depois que o filho da puta do Luiz falou da minha morena eu fiquei com a minha mente perturbada e preocupada só pensando nela pô.

Se acontecer algum bagulho com a Analu eu não vou me perdoar nunca nessa vida papo reto.

Hoje os filhos da puta me deixaram sem comer o dia inteiro e nem se quer entraram aqui. Eu já estava até conformado que hoje ficaria como fome quando escutei o barulho da porta sendo aberta e a dona Zélia entrou segurando um pote de sorvete.

Zélia: Só liberaram agora filho.- suspirou.- Você deve tá morrendo de fome né?- concordei.- Consegui o celular.- sussurrou e eu quase não entendi.- Você tem pouco tempo.- me entregou.

Eu nem acreditei que estava segurando aquele celular na mão e o primeiro número que veio na minha mente foi o da Analu. Os moleques e minha família vivem mudando de número, então eu nem arrisquei perder tempo.

No terceiro toque ela atendeu e no fundo eu ouvi bastante barulho, com certeza ela estava em algum lugar bem movimento e quando eu escutei a voz dela meu coração acelerou e eu nem tive reação.

Zélia: E aí alguém atendeu?- me tirou do transe.

A morena como sempre sem paciência nenhuma começou a reclamar e ameaçou a desligar o telefone, e quando eu soltei a voz chamando ela de morena a mesma começou a gritar desesperada do outro lado da linha e na merma hora escutei o baralho da porta sendo destrancada e eu tive que desligar rápido e esconder o celular.

- Vocês dois tão de muito papinho né caralho? Já entregou a comida então vaza velha porca.

Caveira: Respeita ela caralho!- tentei distrair ele pra dona Zélia conseguir pegar o celular de volta.

- Tá defendendo a velha é?- deu risada.- Viraram amiguinhos mermo? Luiz vai adorar saber disso.- disse sarcástico.

Zélia: Tá tudo bem filho.- falou pra mim.- Come sua comida.

Ela saiu do quarto sendo escoltada pelo rato, e eu suspirei aliviado por ela não ter sido descoberta.

Caralho mano...

Eu ouvi a voz da minha morena, que saudades do caralho que eu estava de ouvir a voz daquela mandada.

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LEAL - [FINALIZADO] Onde histórias criam vida. Descubra agora