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Ana Luíza|Analu 🌪️

Tempos depois.

Ana Luíza: Até à próxima sessão Karla.

Karla: Até doutora Ana.- sorriu simpática, e eu acompanhei ela até a porta.

Peguei meu celular que estava em cima da minha mesa, e me assustei quando vi que era 19h30.

Hoje meu dia foi muito corrido, minha agenda estava lotada e, eu ainda tive que atender alguns encaixes de última hora porque a outra fisioterapeuta da clínica passou mal e os pacientes dela já estavam aqui aguardando pra serem atendidos e aí sobrou pra mim né??

Mais eu não achei ruim não, ultimamente estou totalmente focada apenas no meu trabalho. É da clínica pra casa, e de casa pra clínica. Depois da morte do meu pai eu não tenho mais vontade de fazer nada, e trabalhar é a única coisa que ocupa minha mente um pouco e me faz esquecer a perca dele mesmo que seja apenas por algumas horas.

Ontem completou um mês que ele faleceu, e eu ainda não sei lidar com essa dor dentro de mim e pra ser sincera acho que nunca vou aprender.

Eu voltei pro Rio de Janeiro com o Henrique um dia após o enterro. Não consegui ficar em São Paulo, na casa onde vive meus melhores momentos com meu pai, tudo me lembrava ele e isso me machucava ainda mais. Minha mãe ficou, até tentei convencer ela de vim morar comigo no Rio mas ela não quis.

Nos primeiros dias tudo foi muito difícil pra mim, eu não conseguia aceitar de jeito nenhum tudo que tinha acontecido e me culpava de alguma forma pela morte do meu pai.

O Henrique, minhas amigas e também os meninos me deram todo carinho, conforto e apoio que eu precisava. Foi muito importante pra mim eles estarem ao meu lado nesse momento difícil, e se não fosse eles, com certeza eu estaria bem pior sabe??

Eles sempre estão tentando arrumar uma maneira de me animar um pouco. Inventam noite da pizza, churrasco, noite do pijama e por aí vai.

Inclusive amanhã é meu aniversário, e todos eles estão animados, principalmente às meninas que estão à semana inteira tentando me convencer de fazermos alguma coisa mas não estou com ânimo e muito menos vontade de comemorar.

Será meu primeiro aniversário sem meu pai do meu lado e eu não sei lidar com isso. Desde quando moro no Rio, todo ano ele e minha mãe vinham passar essa data comigo e mesmo sendo só a gente, sempre era a maior festa. Meu pai amava uma bagunça.

Saí da clínica e o Fefeu estava me esperando dentro do carro no outro lado da rua. Ele é um dos funcionários do Henrique, e todo dia vem me buscar na clínica. Já falei um milhão de vezes pro Henrique que não precisa mas adianta falar alguma coisa? Não né, ele sempre faz o que ele quer e ponto e por esse motivo a gente briga bastante.

Desde quando voltei de São Paulo estou ficando na casa dele, na verdade era pra mim ficar na casa da Nayara mas ele praticamente me obrigou a ficar na casa dele.

Eu queria ter ficado na minha casa, no meu cantinho mas ninguém aceitou que eu ficasse sozinha no meu apartamento, por conta do estado que fiquei pós a morte do meu pai, eles tinham medo até de eu me matar acreditam? Fiquei muito deprimida e tive um início de depressão.

E o Henrique já está até tentando me convencer de vim morar definitivamente com ele, mas acho que ainda está muito cedo pra darmos um passo tão grande e nós ainda não somos nem se quer namorados, e também não quero abrir mão do meu apartamento, porque foi algo que lutei muito pra conquistar sabe?? Ainda sou muito apegada no meu cantinho.

LEAL - [FINALIZADO] Onde histórias criam vida. Descubra agora