"O suicídio demostra que na vida existem males maiores do que a morte" - Francesco Orestano
Não percebi para onde estava indo até que cheguei lá uma hora depois. O Cemitério Campos Elísios se encontra quieto e calmo, como sempre. Entrei, passando por algumas lápides de pessoas que um dia conheci, meu pés já fizeram aquele caminho tantas vezes que agora ir até lá é automático.
Andei por cinco minutos até achar o túmulo que estou procurando. Meus avós, enterrados lá, quietos e frios. Engraçado como aqui é o único lugar do planeta onde me sinto confortável e segura.
Meus avós morreram em um acidente de helicóptero quando eu tinha 13 anos. Ainda lembro como se fosse ontem quando meu pai deu a notícia a minha mãe. Depois que ela ficou sabendo, se trancou no quarto durante quatro dias, não saiu nem para me explicar o que estava acontecendo.
Meus avós sempre me ensinaram que dinheiro e reputação não são tão importantes como amor, amigos e família. Quando eles morreram, fui deixada sozinha, com ninguém para tomar conta de mim e me dizer que tudo ia ficar bem, com ninguém para me dizer o quanto eu era amada e importante.
Pensar nas viagens que nós fazíamos para a América do Sul, ou quando eles me levavam ao meu restaurante favorito em Londres ou Paris, as lembranças são como sal nas minhas feridas.
Me deitei ao lado da lápide deles, abraçando meus joelhos e os segurando contra o peito. Como eles fazem falta. Minha mãe, mesmo ligando mais para a conta do banco dela do que para mim, ainda era minha mãe, e perde-la me fez perceber o quão sozinha estou.
Meu pai nunca foi um pai. Ele nunca disse que me ama, nunca me levou para escola no primeiro dia de aula, nem mesmo me ensinou a andar de bicicleta. As únicas lembranças que tenho dele são de quando ele ia viajar a negócio e ficava meses e meses fora. Depois sempre voltava acompanhado de presentes que ele mandava a secretária comprar. Nunca brinquei com nenhum deles.
Não sei por quanto tempo deitei lá, chorando, tentando fechar o grande buraco que se abriu no meu peito desde que recebi a notícia. Minha mãe tão indefesa e inocente, tão morta. Meus pensamentos foram interrompidos quando ouvi alguém se aproximando, mas as forças para levantar e olhar quem é deixaram meu corpo.
- Srta. Marriott, levante-se e venha comigo.
- Vá embora, Marta. - Minha voz saiu cansada e rouca.
- Stra. Marriott, você tem que se levantar! - Ela tentou me puxar, mas seus braços curtos e gordos não são fortes o bastante, então ela desistiu, sentando-se ao meu lado e acariciando minha cabeça.
- Como você me achou?
- A Stra. sempre vem aqui quando está triste. - Olhei para ela, seus olhos estão vermelhos, provavelmente por conta de tanto chorar. Ela gostava muito da minha mãe.
- Você é a única pessoa que me sobrou agora, sabia? A única que se importa.
Ela não negou, afinal é verdade.
- Não é culpa dele - Eu cochichei.
- O que?
- Eu disse a ela, no telefone noite passada, que queria que ela não fosse minha mãe. - As lágrimas voltaram a banhar meu rosto, me surpreendendo, achei que meu departamento de lágrimas estava seco.
- Eu matei ela. - As palavras saíram em meio a soluços, mas me aliviaram. Finalmente aquele segredo não é mais meu. Tenho alguém com quem compartilha-lo.
- Não diga isso! A Sra. Marriott te amava. Você não matou ela. Ninguém a matou, querida. Ela já vinha sofrendo de depressão há um bom tempo.
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Roleta Russa
Teen FictionGaia Marriott, uma garota de 16 anos, cresceu em uma das famílias mais ricas dos Estados Unidos. Ela mora com seus pais em uma metrópole na Califórnia chamada La Savior e estuda na melhor escola particular da região. Contudo, o dinheiro e o estilo...
