capítulo 2

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Ali, em pé perto do balcão, ele continuava a me encarar, mesmo eu tentando desviar o olhar para evitar o contato visual. Mas não adiantava. Eu sentia os olhos dele sobre mim, sobre o meu corpo, e uma sensação de vulnerabilidade tomou conta de mim. Meus pelos estavam completamente arrepiados, como se eu estivesse completamente exposta a ele, como se ele tivesse o poder de me ler, de ver além da minha fachada.

Ele não desviava o olhar, e isso me deixou sem escolha. Resolvi encará-lo de volta. Seus olhos eram de um azul profundo, como as profundezas do oceano, um azul tão vívido que me puxou para ele assim que coloquei os olhos nele. Ficamos assim, sem palavras, apenas trocando olhares, por talvez um minuto, mas aquele tempo parecia se estender eternamente.

Mesmo sem conhecê-lo, era evidente que ele gostava de encarar as pessoas, como se fosse um desafio silencioso, e isso era algo que eu também fazia. Como se, naquele momento, tivéssemos algo em comum. Nenhum de nós parecia disposto a quebrar o contato visual, até que, finalmente, ele desviou o olhar e voltou sua atenção para a atendente.

Mas, mesmo assim, o efeito sobre mim era indescritível. Meu corpo estava pegando fogo, uma sensação de calor que se espalhava por cada músculo, e cada um deles doía, como se estivesse sendo desafiado. Minhas mãos tremiam, e as palmas estavam suadas, molhadas de nervosismo. O que estava acontecendo comigo? Perguntei a mim mesma, tentando entender aquele turbilhão de sensações.

Olhei para minha bolsa e, com as mãos ainda tremendo, a peguei. Levantei-me da mesa e caminhei em direção à bancada para pagar o meu café.

Agora, com apenas alguns metros de distância dele, meu coração estava batendo tão rápido que parecia que eu iria ter um treco ali mesmo, no meio do estabelecimento. A tensão era palpável, e a sensação de estar tão perto dele fazia meu corpo vibrar de nervosismo.

Para minha sorte, ele não havia notado minha aproximação, o que era um alívio. Assim, eu não precisaria encará-lo novamente, o que, de alguma forma, me deixava mais tranquila.

Quando me aproximei da atendente para pagar, finalmente pude entender o que estava acontecendo. A curiosidade que havia me consumido o tempo todo agora se dissipava. Ele estava discutindo com a garçonete sobre o fato de que a lanchonete não aceitava cartão, e ele não tinha dinheiro em espécie. Uma situação aparentemente simples, mas que, de alguma forma, me fez sorrir por dentro.

-- desculpa , mais não recebemos cartão de crédito apenas dinheiro -- explicou.

-- por favor, não tem como passar só essa vez ? Não tenho dinheiro agora -- disse ele tentando manter a voz calma .

Encarei a atendente e depois olhei para ele novamente , então fiz oque eu nunca faria .

-- quanto custa o café ? -- perguntei para a mulher que estava do outro lado do balcão .

Ela me encarou surpresa e respondeu .

-- 5 dólares -- sem nenhum tipo de expressão no rosto.

O cara ao meu lado finalmente havia notado minha presença e, mais uma vez, me encarou. No entanto, dessa vez a reação foi diferente. Não senti aquele arrepio que antes tomava conta de mim, e meu coração batia com calma, sem pressa. As palmas das minhas mãos não estavam mais suadas, e o tremor no meu corpo desapareceu. Estava, finalmente, sob controle.

Olhando fixamente em seus olhos, tentei manter a gentileza, sem parecer estranha ou invasiva. Queria agir naturalmente, sem deixar transparecer a tensão que, antes, parecia me dominar.

— Eu posso pagar o seu café — disse, formando um leve sorriso no canto da boca, com uma covinha aparecendo em minha bochecha.

Ele pareceu um pouco surpreso e, talvez, um pouco constrangido com o meu comentário. Não era essa minha intenção, claro. Eu só queria ser educada, mas percebi que minha oferta talvez o tivesse deixado desconfortável.

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