capítulo 3

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Perto do balcão, continuei imóvel, meu corpo inteiro tremia por dentro, mas por fora eu me mantinha rígida, como se fosse feita de pedra. Meus olhos não desgrudavam dos dois homens à minha frente. Havia dois assaltantes: um deles estava do lado de fora, atento a qualquer movimento da polícia ou de curiosos, enquanto o outro fazia a limpa no local, pegando tudo que pudesse carregar — dinheiro, joias, celulares. Nada escapava de suas mãos.

Eu queria desesperadamente saber o nome dele. Era uma necessidade quase absurda, mas não conseguia ignorar. Quem era ele? Qual era a sua história? Por que estava fazendo aquilo? A angústia de olhar para seu rosto e não saber absolutamente nada sobre ele me consumia, doía mais do que o medo de morrer. Porque, se tudo saísse como eu temia, aquele homem poderia ser a última pessoa que eu veria antes de morrer, e eu não suportava a ideia de partir desse mundo sem saber ao menos o seu nome.

— Eu quero que você vá até a caixa registradora e coloque todo o dinheiro nessa bolsa — ordenou ele, arremessando a bolsa na minha direção com força.

O objeto caiu aos meus pés. Baixei os olhos, engoli em seco e me abaixei para pegá-la. Minhas mãos tremiam tanto que quase deixei a bolsa cair novamente. Respirei fundo, tentando me controlar, e caminhei até o outro lado do balcão. Foi quando levei um susto — quase tropecei — ao ver uma das atendentes sentada no chão, abraçada aos próprios joelhos, soluçando sem parar.

Ela tremia dos pés à cabeça, a respiração completamente descompassada. Seus olhos estavam arregalados, cheios de lágrimas, e ela balbuciava algumas palavras que não consegui entender. Parecia rezar, implorando para não morrer. Dava para ver claramente como seu corpo estava rígido, tenso, paralisado de pavor. Ninguém queria morrer ali — nem ela, nem eu, nem ninguém.

Meu coração se apertou ao vê-la tão vulnerável. Por um segundo, quis ir até ela, abraçá-la, dizer que tudo ficaria bem, mas não podia. Não havia tempo nem segurança para isso. Qualquer movimento poderia ser interpretado como uma ameaça, e eu não duvidava que aquele homem fosse capaz de meter uma bala em mim, nela ou até mesmo no comparsa que estava do lado de fora. Eu não podia arriscar.

Travei a respiração, ignorando o aperto no peito, e segui para o caixa. Abri a gaveta com dificuldade e fui pegando cada nota, cada moeda, e jogando dentro da bolsa sem olhar direito. O som das moedas caindo parecia ensurdecedor no silêncio pesado que se espalhava pelo ambiente. Quando não restou mais nada no caixa, fechei a bolsa e me levantei devagar, tentando manter a calma.

Dei a volta no balcão e caminhei até o assaltante, sentindo minhas pernas bambas.

— Aqui está — falei com a voz falhando, e joguei a bolsa perto dele. Assim que fiz isso, levantei as mãos, mostrando que não pretendia reagir de forma alguma.

— Muito bem. Agora eu quero que você se sente perto daquela mesa — ele disse, apontando com o cano da arma para uma mesa próxima da janela.

Assenti rapidamente, sem ousar discutir, e fui até a mesa. Cada passo parecia durar uma eternidade. Quando finalmente me sentei, tentei não fazer nenhum movimento brusco. Permaneci quieta, sentindo o coração martelar no peito, como se fosse explodir a qualquer momento.

O que aconteceria depois? Eu não fazia ideia. Mas sabia que, a cada segundo que passava, minha chance de sobreviver diminuía — e isso me apavorava ainda mais.

Eu estava preocupada com o que poderia acontecer comigo, mas ainda mais angustiada com o destino dele. Eu me importava com a minha vida, claro, mas, no fundo, não havia ninguém esperando por mim, ninguém que sentiria minha falta ou que se desesperaria caso eu morresse ali mesmo. Minha mãe existia, mas não éramos próximas; ela só tomaria conhecimento da minha morte ao ler no jornal do dia seguinte, talvez com um misto de choque e resignação. Já a minha irmã, Julie, me odiava — e, para falar a verdade, ela tinha todos os motivos para isso. Eu não a julgo, porque se estivesse no lugar dela, faria exatamente o mesmo. O que eu fiz não era algo que pudesse ser perdoado, e carregar esse arrependimento era um fardo que pesava no meu peito a cada segundo.

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