capítulo 6

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Havia dormido por algumas horas quando acordei sentindo minhas costas doerem. A cadeira em que estava sentada há horas era extremamente desconfortável, e, por mais que tentasse aliviar a dor, nada parecia resolver. Massageei a lombar com as mãos trêmulas, mas o cansaço e a tensão acumulados deixavam cada músculo do meu corpo pesado.

Olhei ao redor, sentindo o silêncio do hospital pesar no ambiente. As luzes frias do corredor piscavam levemente, e o cheiro forte de desinfetante ainda impregnava minhas narinas. Assim que meus olhos encontraram o relógio preso na parede a alguns metros de distância, vi que já eram 00:00 AM. Meu coração apertou. Havia passado o dia inteiro naquele hospital, esperando ansiosamente por notícias, mas nada. Nenhuma palavra da equipe médica, nenhuma atualização.

Foi quando vários pensamentos ruins começaram a invadir minha mente, sufocando qualquer tentativa de esperança.

"E se algo muito grave tivesse acontecido com ele? E se fosse por isso que a enfermeira ainda não tinha me dito nada?"

Minha respiração falhou, e senti um nó se formar na garganta. O medo do desconhecido era insuportável. Meu corpo inteiro tremia, mas eu precisava me agarrar a algo, qualquer coisa que me impedisse de cair no desespero.

Fechei os olhos e inspirei profundamente, tentando afastar os pensamentos negativos. Ele ficaria bem. Eu precisava acreditar nisso.

Na recepção, uma enfermeira estava concentrada no computador à sua frente, digitando sem parar. Seus olhos estavam semicerrados, e sua postura denunciava o cansaço acumulado ao longo do dia. Assim como eu, assim como todos os médicos e funcionários daquele hospital, ela parecia exausta.

Por um momento, hesitei. Eu sabia que ela devia estar sobrecarregada, mas a ansiedade dentro de mim crescia a cada segundo. Eu precisava saber como ele estava.

Respirei fundo e me levantei, sentindo minhas pernas um pouco trêmulas depois de tanto tempo sentada. Caminhei até o balcão, tentando ignorar o aperto no peito.

— Oi, boa noite. Você poderia me ajudar? Eu gostaria de saber sobre um paciente… — falei, mantendo minha voz firme, embora por dentro eu estivesse inquieta.

A enfermeira continuou olhando para a tela do computador, como se não tivesse me ouvido. Seus dedos ainda digitavam rapidamente, e por um instante, pensei que ela fosse simplesmente me ignorar.

O silêncio entre nós se prolongou por alguns segundos que pareceram uma eternidade. Meu peito apertava com a incerteza, e eu já estava prestes a repetir minha pergunta quando, finalmente, ela parou o que estava fazendo e ergueu o olhar para mim.

— No que posso ajudar? — perguntou da maneira mais gentil possível, apesar do cansaço evidente em sua expressão.

Engoli em seco e tentei organizar as palavras em minha mente. Eu só precisava da informação certa, mas, ao mesmo tempo, temia a resposta que poderia receber.

— Eu estou há horas sentada naquela cadeira — apontei para o lugar onde passei a noite inteira — e preciso saber sobre o paciente Brandon Davis. Ele deu entrada no hospital hoje cedo.

A enfermeira manteve o olhar profissional enquanto pegava o mouse e clicava em algo na tela.

— A senhora faz parte de algum membro da família? — perguntou, sua voz soando neutra, mas atenta.

Meu coração disparou. Se dissesse que não o conhecia direito, ela não me diria nada. E eu não podia simplesmente contar que Brandon era um completo estranho para mim, que nos conhecemos hoje cedo em uma lanchonete e, de alguma forma, ele despertou uma preocupação em mim que eu mesma não conseguia explicar.

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