capítulo 1

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Estava em cima de um completo estranho que nunca havia visto antes na vida, com as duas mãos sobre o seu peito, tentando conter a hemorragia que insistia em escorrer entre meus dedos. O sangue jorrava sem controle, tingindo minha pele e minha roupa em um vermelho intenso. Meu coração batia acelerado, cada pulsação ecoando em meus ouvidos como um tambor de guerra.

Estava dentro de uma ambulância em alta velocidade, o som da sirene ecoando pelos meus ouvidos enquanto observava o homem abaixo de mim. Minha respiração estava acelerada, mas eu me recusava a sair dali. Minhas mãos ainda pressionavam seu peito ensanguentado, meu corpo inteiro tenso com o medo de que, a qualquer instante, ele simplesmente... parasse.

Após o que pareceu uma eternidade, a ambulância freou bruscamente. As portas se abriram, e os paramédicos retiraram a maca do veículo com rapidez e precisão. Mas eu continuei ali, imóvel, sem desgrudar dele. Não sairia tão fácil. Não enquanto ele ainda estivesse entre a vida e a morte.

Ao atravessar as portas do hospital, senti o peso dos olhares sobre mim. Pessoas pararam o que estavam fazendo, algumas abriram caminho, outras apenas me encararam, chocadas com a cena diante delas. Meu corpo inteiro estava coberto de sangue - minha camiseta, minhas mãos, até meu rosto devia estar sujo com os respingos da luta desesperada para mantê-lo vivo.

Cada minuto que se passava parecia uma tortura. Eu via sua vida escapando, lenta e cruelmente, bem diante dos meus olhos. Ele já não reagia mais, sua pele pálida contrastando com o vermelho intenso do sangue que encharcava o lençol da maca. Sem consciência, sem forças, ele estava pendurado em uma linha fina entre este mundo e o outro. E tudo que eu podia fazer era esperar - esperar e torcer para que ele tivesse tempo o suficiente para ser salvo.

Eu não devia estar aqui, não devia estar segurando a vida de um completo estranho entre minhas mãos. Mas, no instante em que vi o sangue escorrer, não consegui simplesmente ignorar. Segui meus instintos, sem pensar em consequências, sem me perguntar quem ele era ou por que isso estava acontecendo.

Eu precisava salvá-lo.

Nem que isso significasse passar o dia inteiro lutando contra o inevitável. Nem que eu tivesse que ignorar o cansaço, o medo e a incerteza. Nem que fosse a última coisa que eu fizesse na vida.

A morte é um fato inevitável, uma certeza silenciosa que paira sobre todos nós. Ela chega sem aviso, sem explicações, sem dar tempo para despedidas. É uma presença invisível, uma sombra constante que ignoramos até que esteja próxima demais para ser evitada.

E com ela vem o desconhecido. O medo. As perguntas sem respostas. O que acontece depois que fechamos os olhos pela última vez? Para onde vamos? Existe algo além, ou apenas o vazio?

São dúvidas que nos acompanham, inquietantes e persistentes. Porque, no fim, a morte não é apenas o fim da vida-é o começo do maior mistério que jamais poderemos desvendar.

Cada vez que levantamos da cama e saímos para cumprir nossas obrigações, colocamos nossa vida em risco, mesmo sem perceber. A vida é frágil, um fio delicado que pode se romper a qualquer instante, sem aviso, sem chance de voltar atrás.

É por isso que cada segundo importa. Não podemos nos dar ao luxo de desperdiçar tempo com coisas que não fazem sentido, com arrependimentos que nos prendem ou com medos que nos paralisam. Porque, no fim, nunca sabemos quando seremos nós deitados sobre uma maca, à mercê do destino, sem garantias de que veremos o dia seguinte.

HORAS ANTES

Estava na entrada de uma lanchonete localizada em um bairro tranquilo, cercado por árvores e um gramado bem cuidado. O lugar transmitia uma sensação de calma, e isso me agradava. Assim que entrei, notei que o ambiente não estava muito movimentado, o que era perfeito. Poderia comer em paz, sem barulho ou interrupções.

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