Capítulo 07 Diane

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Diane
Divinópolis, 30 de set. 2015.

A dançarina da noite. Diane surgiu detrás da cortina, posicionou-se em silêncio no centro do salão, enquanto Zenny pôs para tocar um mix de romance e som de suspense, o salão ficou totalmente escuro, na sequência luzes brancas e azuis surgiram bem devagar, no centro se revelara a silhueta de Diane, com os olhos fechados começou a movimentar-se lentamente, as batidas do seu coração ditavam o ritmo da sua dança.

As pessoas a observavam de pé no meio do palco, ainda de olhos fechados, talvez você ache meio clichê, mas nesse momento ela cantou a canção "The Climb", tema do filme "A última música", (Miley Cyrus), nem é preciso dizer que esta tinha um significado muito especial para ela, maior parte dos presentes, sabiam disso, pois era de sonho e superação que a letra da canção retratava.

Na sequência ainda em meio aos aplausos, ela dançou o mix de três músicas: Skycraper (Demy Lovato), Stronger (kelly Clarkson), Firework (Katy Perry).

Durante o mês inteiro ela havia ficado a sós com suas dores, contara à sua psicóloga, que passara a ouvir música clássica enquanto chorava no banho, a companhia ilustre de André Rieu, trazia um certo toque de suavidade, até romântico, para as horas de angústias debaixo do chuveiro, era quando sua alma apenas sussurrava:

"Deus me odeia tanto assim?"

Ela também contara à sua psicóloga Mariana Oliver, que se sentia em um casulo prestes a criar asas, por isso naquela semana havia se sentido um pouco mais deprimida, ansiosa e ao mesmo tempo seu coração estava contando os minutos para transbordar.

Foi por sugestão dela que Diane havia começado a fazer anotações diárias sobre suas emoções referente ao luto, após perceber que escrever no papel deixava-a com a mente" bloqueada", optou por seu diário de autoanálise digital, realmente merece um troféu quem teve essa ideia de blocos de nota no celular, rira ao pensar nisso.

Portanto aquela era sua forma de revelar-se totalmente ali, sem usar palavras, como prometera, através do movimento de seu corpo ela rompia o silêncio de uma vida toda, aquela era também sua maneira de expressar sua GRATIDÃO à vida por todas as lições que teve que aprender sozinha, sem direito a passar a limpo seus rascunhos...

E logo após aquela sucessiva onda de assovios, aplaudiram enquanto ela rodopiava pelo salão com seu vestido azul da meia-noite, as fendas longas deixavam à mostra suas pernas bem definidas, ao mesmo tempo que despertava a deusa Terpsícore dentro de si, ela sentia os seus pensamentos fazendo cócegas em seu cérebro,

"não havia nada de errado, a sensualidade de dançarina da noite livre no salão, não lhe tornava vulgar, nem profana, revelava apenas a intensidade da dor que precisava lidar".

Após terminar a dança, Zenny pôs um fundo musical bem calmo, Diane atravessou a passarela e foi até o portão do salão, despedir-se de cada uma de suas convidadas, mais precisamente das vinte integrantes do clube MED, (Mulheres Empreendedoras de Divinópolis).

As conversas soltas, as risadas, os assovios, eram sinais que havia saído tudo conforme o planejado. Diane respirou aliviada, "nada de fogo no palco, nenhum lustre havia desabado, nem o teto ousara cair durante a dança, nenhum maníaco-invasor, enfim nenhum dos pesadelos se tornara real, uffa"!

Zenny chegou sem ser notada e a tirou de seu devaneio, o que de forma automática a fez rir.

¯¯¯Obrigada pelo convite, sua festa foi incrível, deixei programadas as internacionais que você pediu para curtir sozinha. Amanhã eu pego o equipamento. Vou nessa, ok? Ah, e obrigada! Você realmente é tão simpática quanto me disseram.

___ Hum... Você fez jus a fama que tem, obrigada Zenny!

***

Depois de uns dez minutos ali no portão, o salão estava vazio, exceto por aquele moço que a encarava com aquela expressão um tanto ansiosa, olhos brilhando perdidos em alguma dimensão entre ansiedade e o deslumbre. Ele caminhou sensual e devagar (ao som de Thinking Out Loud de Ed Sheeran) ela ouvia com excitação aqueles passos firmes vindo ao seu encontro, seu coração batia rápido, insano, claramente não fazia ideia de como deveria agir [...]

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