Capítulo 14

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Diane

Divinópolis, 2013

No domingo, o dia pareceu demorar uma eternidade para amanhecer, ou teria sido a noite anterior excessivamente longa?

Com os olhos vidrados e a mente incapaz de desligar, Dianne já não distinguia mais a diferença, sentindo-se como um zumbi em ascensão. Ela tentava manter pelo menos a alma lúcida, já que o corpo não podia se dar ao luxo de descansar mais do que duas ou três horas por noite. Ela interrompeu seu torturante monólogo ao ouvir a voz que tanto amava.

— Dianne... Cheguei um pouco mais cedo, caso você precise de algo.

— Entra, Gaby! Estou na cozinha.

— Uau! Não era para ser apenas "um lanchinho simples"? Gaby a provocou, fazendo aspas com os dedos.

— Fiquei ansiosa, você sabe o que isso significa, respondeu Dianne, soltando o ar com risadinhas, e nunca é só chá com biscoitos quando se trata de nós, replicou, imitando Gaby com as aspas.

— Sei, que exagero, sua doida! - Gaby disse em tom de brincadeira, sempre tranquilizador.

Mais tarde, Dianne olhava para o relógio pela centésima vez, sorria para Gabryella, olhava para a rua e ria novamente, tentando disfarçar a tensão. Gaby suspirou aliviada quando ouviram o som da buzina de uma moto parando em frente ao portão.

— Desculpem o atraso! - disseram em um coro animado.

— Tudo bem! - respondeu Dianne.

— Até que enfim, meninas! - exclamou Gaby com uma voz aguda, - alguém aqui pensou que vocês nos dariam um bolo, metaforicamente falando, e começou a rir alto, com as outras se juntando a ela.

— O marido da Júlia teve mais uma de suas crises infernais! - Mary confidenciou baixinho no ouvido de Dianne, - depois ela te conta tudo.

— Mary... O que você está cochichando aí? - Gaby provocou.

— Gaby, não seja ciumenta! - responderam juntas.

[As quatro se entreolharam]

— Então, está tudo bem, Júlia? - perguntou Gaby, após um breve silêncio.

Júlia respondeu, quase sem fôlego, - Deixa eu abraçar a Dianne também, Mary, em seguida, gritou- Abraço coletivo! - tentando mudar cinicamente de assunto, tudoo que não queria era ser o foco da conversa naquela tarde

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