Capítulo 18

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  Dianne  

Copacabana, 2014.

Dianne ainda estava indecisa sobre qual carreira seguir, realizando trabalhos temporários e, ocasionalmente, recorrendo à sua poupança. Júlia, com formação em ciências contábeis, oferecia seus serviços a empresas locais e vizinhas e, recentemente, foi chamada para trabalhar para a prefeitura; sua competência era indiscutível, apesar dos laços de seus pais com o prefeito Ruy Morales.

Mary, redatora, atuava no jornal local e colaborava como colunista em revistas eletrônicas. Seu blog, "Dicas da Mary", refletia sua paixão por moda, onde ela explorava as últimas tendências e as transformações comportamentais no mundo feminino.

Para cada uma delas, a viagem tinha sua importância particular. Gaby, buscando descanso, enfrentava uma rotina intensa na clínica "Maria Da Paz" e, embora amasse sua profissão, sentia a necessidade de recarregar as energias.

Mary, a aventureira, desejava aproveitar cada instante com a paixão que emanava de seu ser. Caso a vida não lhe oferecesse emoções espontâneas, ela criava suas próprias aventuras românticas, defendendo ideias como "a felicidade é construída por nós mesmos" e "a vida é curta, devemos buscar a felicidade".

Júlia ansiava por momentos de tranquilidade, longe da pressão de ter que escolher entre internar Renato em uma clínica psiquiátrica ou deixá-lo, já que a convivência se tornava cada vez mais difícil.

Dianne, tinha nos olhos a chama do recomeço, aquela viagem significava um mergulho na parte boa de seu passado, o reencontro do quarteto fantástico. Ela sabia que suas amigas lhe permitiam uma conexão indescritível com o mundo, extraíam metade do peso que carregava no peito, a saudade, a dor presente em cada lembrança.

A caminhada nas calçadas de Copacabana em sincronia, os passos na areia da praia com as sandálias nas mãos, em cada centímetro que seus olhos apreciavam, a sua alma se tornava mais suave e seu coração sentia uma energia estranhamente incrível, misturada com aquela paz que há tanto tempo não sentia.

— Então, meninas, o que estão achando do hotel "Astoria Copacabana"? Perguntou Gaby, responsável pelas reservas do hotel.

— Não é um hotel cinco estrelas, mas é confortável e acessível. Também gostei do atendente — respondeu Mari com sua espontaneidade habitual, seguida de piscadelas.

— Gostei da vista! — exclamou Júlia, um pouco mais descontraída.

— Meninas, o hotel parece ótimo, mas estou ansiosa mesmo é pelo nosso tour pela cidade — disse Dianne, com sua doçura característica e um entusiasmo que deixou Gaby muito contente.

— Meninas, vamos descansar esta noite. Amanhã, às sete, descemos para o café da manhã e nosso tour começa às oito. Combinado?

Todas concordaram, admirando a liderança de Gaby. Por volta das duas da madrugada...

— Gaby... Você já dormiu? — cochichou Diane.

— Está tudo bem, Di?

— Vamos descer um pouco? Estou meio sem ar aqui...

— De pijama?

— Não, né... Troca rapidinho.

— Estava brincando, sua boba!

Dez minutos depois...

— Então, o que você quer fazer?

— Moço, podemos ir para a área da piscina agora?

— Sim, podem — respondeu o recepcionista com simpatia.

— Ela só quer tomar um ar fresco — tranquilizou-o Gaby.

— Ei, eu estava pensando em me jogar na piscina!

— Hum, agora só se for sem roupa, querida — disse Gaby, sorrindo.

— Obrigada por vir comigo, amiga. Não queria incomodar as meninas.

— É, você me deve uma! Conte-me o que houve com você.

— Não sei, amiga, um aperto imenso veio de forma inesperada e pareceu querer sufocar minha garganta.

— Você está escondendo algum problema de mim, Diane?

— Claro que não, Gabryella! Você descobriria se eu tentasse...

— Então deve ser ansiedade da viagem?

— Pode ser... Vou ficar bem, não se preocupe, está bem?

— O que você está fazendo, maluca?

— Ah, Gaby, só um banho gelado para acalmar as ideias.

— E se aparecer alguém, sua doida?

— Xi! Aposto que já viram uma turista sem roupa antes.

— Ah, droga! Lá vai eu embarcar na sua. Rafael me mata se souber que fiz isso.

Após alguns minutos, elas saíram da piscina e ficaram conversando até o amanhecer. Ao voltarem para o quarto, encontraram as outras meninas ainda dormindo. Diane sentiu-se aliviada, pois não desejava causar constrangimento ou ciúmes; ela apenas se sentia mais próxima de Gaby, como era de costume.

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