na minha alma sempre chove
então não preciso fugir da chuva gélida
que banha minha carne exposta
as águas escoam em minhas terras dérmicas
germinando em minhas ranhuras
transbordando meus sulcos
fazendo brotar em meu solo mais inóspito as frágeis plântulas que me vislumbram
na minha alma sempre chove
chove a garoa que rega minhas dúvidas
onde amadurecem os frutos da minha angústia
chove para que cresçam inteirezas
das plantas robustas e rudimentares
às flores mais suaves e delicadas
a chuva se encarrega de suas distintas existências
na minha alma sempre chove
chove a tormenta que alimenta meu ser
sacia-me a sede de vida
e embriaga meus sentidos
é na garoa que minhas flores crescem
mas é no vendaval em que minha essência afoita se pronuncia
onde a chuva cai em mim
algo há de florescer
mas enquanto não houver sol
a chuva que tanto me sustenta
também me afoga
mas na minha alma sempre chove
então, eu aprendi a nadar
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poemas e conectomas
Şiirpoemas autorais, orgânicos e desestruturados, escritos sob ondas cimáticas
