vim da raiz da terra
brotei no solo fértil da vegetação ripária
e do micélio me arrancaram com a enxada
cresci no sereno
entre o verde dendrítico
e a umidade da seiva
ungida pelo sopro da água lapidada
vi o sol deitar entre os vales
e as nuvens dançarem entre as gotas
percorri o campo magnético das aves de arribação
hoje aprendo a enraizar no concreto
buscando equilíbrio no solo nivelado
vejo o sol correr entre retângulos
enquanto espio as nuvens que se escondem na janela
por mais que haja vida entre a bruma do cimento
eu vim da multidade orgânica
do húmus revirado por microorganismos
dedos que cavoucam entre o vento
sei que o tempo ainda vai me soprar de volta
pro entrelaço tecido das micorrizas
enquanto aguardo o pertencimento troposférico
meu sistema tem o prefixo eco
um dia voltarei a ser absorvida pela terra
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poemas e conectomas
Poetrypoemas autorais, orgânicos e desestruturados, escritos sob ondas cimáticas
