CAPÍTULO 18

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Apoiada no batente da porta,eu a observo,hipnotizada. Sua performance é fenomenal, cada nota medida e tocada com precisão e emoção. A música flui seme esforços através dela... vindo dela. Uma peça que eu não conheço.

Ela tirou o lenço da cabeça. Eu estava me perguntando se o usava por motivos religiosos, mas talvez seja apenas para os momentos de faxina. Tem um cabelo volumoso loro. Enquanto toca,uma mecha se solta da trança e enrola perto da bochecha. Como será aquele cabelo solto e caindo sobre seus ombros nus? Fecho os olhos,imaginando-a nua,como faço nos sonhos, deixando a música tomar conta de mim.

SERÁ QUE ALGUM DIA EU ME CANSARIA DISSO? DE OUVÍ-LA TOCAR?

Abro os olhos.

DE OBSERVÁ-LA? SUA BELEZA. SEU TALENTO.

Tocando uma peça tão complexa de cor. A garota é um gênio.

Enquanto estive fora, pensei que havia exagerada seu desempenho na minha imaginação. Mas, não. A técnica é impecável.

ELA É IMPECÁVEL.
EM TODOS OS SENTIDOS.

Ela termina, a cabeça baixa, os olhos fechados,e eu aplaudo.

__ Isso foi de tirar o fôlego. Onde você aprendeu a tocar tão bem?

Seu rosto fica corado quando ela abre os olhos azuis profundos, mas um sorriso tímido ilumina sua expressão, e ela dá de ombros.

__ Em casa.—responde.

__ Você pode me contar durante o trajeto. Vamos?

Ela se levanta e é a primeira vez que a vejo sem aquele uniforme horroroso de nylon. Minha boca fica seca. Ela é mais magra do que eu pensava, mas tem curvas delicadas, totalmente femininas. Está usando um suéter verde justo com decote em V. O volume suave dos seios estica a lã e marca sua cintura estreita. A calça jeans que está vestindo mostra o movimento delicado dos quadris esguios.

PORRA.
ELA É MARAVILHOSA.

Tira rapidamente os tênis, que coloca no saco de plástico, e calça as velhas botas marrons.

__ Você não usa meias?—Pergunto.
Ela nega com a cabeça enquanto se abaixa e amarra as botas,mas está com o rosto corado mais uma vez.

SERIA UM COSTUME ALBANÊS?

Olho pela janela, satisfeita por levá-la para casa. Não só vou passar mais tempo com ela como vou descobrir onde mora e impedir que seus pés congelem.

Estendo a mão.

__ Me dê seu casaco.— digo,e ela dá um sorriso hesitante enquanto a ajudo a vesti-lo.

ESSE TRAPO NUNCA VAI MANTÊ-LA AQUECIDA.

__ Quantos anos você tem? ——Pergunto, subitamente em pânico.

__ Tenho vinte e três.
IDADE SUFICIENTE. ÓTIMO.

Balanço a cabeça, aliviada.

__ Vamos ?—Pergunto.

Ela assente e,pegando o saco plástico, me segue para fora do apartamento.

Esperamos em silêncio pelo elevador que vai nos levar até a garagem.
No elevador kara fica o mais longe possível. É nítido que ela não confia em mim.

A ideia me deprime e tento parecer a mais calma e descontraída possível, mas estou absoluta e completamente ciente da presença dela. De todo o seu corpo. Ali naquele pequeno espaço.

Talvez não seja só eu. Talvez ela não goste de mulheres. Com essa ideia me incomoda ainda mais, prefiro nem pensar nisso.

A garagem é pequena, mas como minha família é proprietária do prédio, tenho vagas para dois carros. Não preciso de dois, mas tenho mesmo assim. Não sou amantes de carros,como Lex.

LADY-LUTHOR -KARLENA Onde histórias criam vida. Descubra agora