Um grito primitivo de agonia perturba o meu sonho, de repente me
acordando.
Kara.
À luz suave do dragãozinho, vejo que ela dorme ao meu lado
completamente imóvel, as mãos juntas e fechadas embaixo do queixo.
Parece uma estátua petrificada por algum desastre natural. Sua boca se abre
e ela grita de novo, os sons mais assustados e sinistros do mundo. Eu me
apoio em um dos cotovelos e a sacudo com delicadeza, tentando acordá-la.
— Kara. Meu amor. Acorde.
Suas pálpebras se abrem na mesma hora. Ela olha ao redor desesperada
e começa a lutar comigo.
— Kara. Sou eu. Lena. — Agarro suas mãos antes que ela
machuque uma de nós.
— L... L... Lena— murmura ela e para de se debater.
— Você teve um pesadelo. Estou com você. Estou aqui. — Eu a abraço
e a puxo para cima de mim, beijando o topo da sua cabeça.
Ela está tremendo.
— Eu... eu achei... eu achei... — gagueja ela.
— Está tudo bem. Foi só um pesadelo. Você está a salvo. — Eu a seguro
firme e acaricio suas costas, desejando acabar com todo aquele medo e dor.
Ela estremece, mas parece se acalmar, e em pouco tempo cai no sono de
novo.
Fecho os olhos, uma das mãos no cabelo dela, a outra nas costas,
aproveitando a sensação do seu peso sobre mim, da sua pele contra a minha.
Eu poderia muito bem me acostumar com isso.
***************
Kara acorda na luz cinzenta do início da manhã. Está aninhada sob o
braço de Lena, a mão aberta sobre a barriga de Lena. Lena dorme
profundamente, o rosto voltado para ela. Seu cabelo está despenteado, os
lábios meio abertos. Ela parece relaxada e completamente irresistível. Ela se espreguiça ao
seu lado, desfrutando a sensação de alongar os músculos. A lateral do corpo
está um pouco dolorida, a área do hematoma continua sensível, mas ela se
sente... bem.Não. Mais do que bem.
Esperançosa. Tranquila. Poderosa. Segura.
Graças àquela mulher maravilhosa dormindo ao seu lado.
Ela a ama. De todo o coração.
E, o que é mais extraordinário, Lena a ama também. Ela mal pode
acreditar nisso.
Lena lhe deu esperança.
Lena se mexe, e suas pálpebras piscam e se abrem.
— Bom dia — sussurra ela.
— Acabou de ficar bom — responde Lena com um brilho malicioso no
olhar. — Você está linda. Dormiu bem?
— Dormi.
— Você teve um pesadelo.
— Eu? Essa noite?
— Não se lembra?
Kara balança a cabeça. Lena roça as costas dos dedos na bochecha
dela.
— Fico feliz de você não lembrar. Como está se sentindo?
— Bem.
— Bem ou bem? — O tom de voz dela é provocante.
— Muito bem. — Ela abre um largo sorriso.
Lena rola, prensando-a contra o colchão, e a encara, os olhos verdes
brilhando.
— Meu Deus, como eu gosto de acordar com você — murmura, e beija
o pescoço dela.
Ela envolve Lena com os braços e fica feliz em se render àquela boca
habilidosa.
* * * * *
— IMAGINO QUE DEVAMOS levantar e voltar para Londres — murmura Lena, a cabeça apoiada na barriga dela.
Os dedos de Kara brincam com o cabelo de Lena, mas ela está relaxada
demais para se mexer. Está desfrutando os poucos momentos de
tranquilidade depois da paixão tempestuosa delas. Por fim, Lena interrompe seu devaneio.
— Venha comigo para o chuveiro. — E olha para o rosto dela, com um
sorriso imenso nos lábios.Como ela poderia resistir?
Kara seca o cabelo com a toalha enquanto seco o meu com o secador. O hematoma
na lateral do seu corpo parece menor, mais ainda tem uma cor roxa bem
viva. Sou atingida por uma onda de culpa — ela não me deu a menor indicação na noite passada ou nessa manhã de que estava dolorida. Ela me oferece um sorriso deslumbrante por cima do ombro, e, tal como uma névoa soprada pela brisa marítima, minha culpa desaparece.
Uma parte de mim quer que fiquemos aqui para sempre. Mas também
estou ansiosa para ir. Não quero que o sargento Nancarrow ou sua parceira
venham interrogar Kara. Preciso mantê-la longe da polícia. Caso necessário, direi a eles que precisei voltar a Londres por conta dos negócios.
Será uma pena ir embora. Estou gostando da nossa confortável familiaridade, e fico maravilhada com as mudanças em Kara. Ela parece muito mais confiante, e só se passaram alguns dias. Jogando o cabelo para o lado e olhando de relance para mim, ela sai do banheiro, nua como no dia
em que nasceu. Eu espio o quarto pela porta; a visão é tentadora demais
para não ser apreciada, seus cabelos balançando quase até a cintura em um
movimento delicado conforme ela anda. Kara para perto da cama e
vasculha o cesto de vime sobre o pufe, à procura de roupas. Quando levanta
os olhos e me pega olhando toda boba em sua direção, ela sorri. Volto a
encarar meu reflexo no espelho com um sorriso convencida. A confiança recém-descoberta de Kara é muito, muito sensual.
Minutos depois ela reaparece e se apoia no batente da porta. Está vestindo as roupas que lhe comprei, e já sei que vai ser um bom dia.
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LADY-LUTHOR -KARLENA
FanfictionKara não é o que Lena esperava, mas agora é tudo que ela mais deseja. Prepare-se para uma nova história de amor! Uma trama repleta de romance, ação e suspense.
