Capítulo 66

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UMA HORA DEPOIS, estacionamos em um acostamento pequeno que leva a dois portões de metal enferrujados, abertos. Para além deles, no final de uma entrada de carros feita de concreto, há uma única casa de telhado terracota às margens do Drin. Apenas o telhado é visível. — Thanas, é melhor você vir comigo — digo, e deixamos Drita e Alex  no carro. O brilho do sol poente forma sombras compridas na entrada de carros. Estamos em um espaço amplo, circundado de árvores nuas, embora haja alguns pinheiros e uma horta bem-cuidada e de bom tamanho. A casa foi pintada de verde-claro e, pelo que vejo, tem três andares e duas varandas com vista para a água. É maior do que as outras casas que vimos no caminho. Talvez os pais de Kara sejam ricos. Não faço ideia. O lago está deslumbrante, iluminado pelos tons do pôr do sol do inverno. Do lado de fora da casa, vejo uma antena parabólica, o que me faz lembrar uma conversa que tive com Kara. E já fui aos Estados Unidos assistindo à TV. Programas de TV americanos? Sim. Netflix. HBO. Bato no que suponho ser a porta da frente. É feita de madeira maciça de boa qualidade, então bato novamente, mais forte dessa vez, para garantir que dê para ouvir. Meu coração está acelerado e, apesar do frio, uma gota de suor escorre pelas minhas costas. Chegou a hora. Agora é para valer, Lena. Não tem como fugir.

Estou prestes a conhecer meus sogros, embora eles ainda não saibam disso. A porta se entreabre, e uma fenda de luz revela uma mulher de meia idade, magra e com um lenço na cabeça. Na penumbra do fim da tarde, percebo que ela me olha com desconfiança, um pouco como Kara.

— Sra. Danvers? — Sim. Ela parece assustada.

— Meu nome é Lena Luthor e estou aqui por causa da sua filha. Ela me olha boquiaberta, piscando furiosamente, depois abre um pouco mais a porta. É esbelta, ombros esguios, e se veste de forma muito desleixada, com uma blusa e uma saia volumosas. O lenço esconde seu cabelo, me fazendo lembrar o momento em que vi sua filha pela primeira vez, parada no meu corredor feito um coelho acuado.

— Kara? — murmura.

— Sim. Ela franze a testa.

— Preciso falar com a senhora sobre Kara. Acho que ela está voltando para casa. Ela inclina a cabeça, de repente alerta.

— Estamos à espera, ela deve chegar logo. A senhorita ouviu dizer que ela está voltando? Meu coração reage, acelerando. Ela está voltando para casa. Eu estava certa.

— Ouvi. E vim até aqui para pedir à senhora e ao seu marido...

— engulo em seco — permissão... para casar com sua filha.

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POV Autora:.........


— Última fronteira que cruzamos, carissima — diz Anatoli. — De volta ao seu país. Você devia sentir vergonha de ter saído de fininho daqui feito uma ladra e desonrado a sua família. Quando chegarmos, pode pedir desculpas aos seus pais pela preocupação que causou. Kara evita os olhos de Anatoli, amaldiçoando-o no íntimo do seu ser por fazê-la sentir culpa de fugir. Ela estava fugindo dele! E sabe que muitos homens albaneses deixam o país para trabalhar no exterior. Só que, para as mulheres, não é assim tão fácil.

— Essa é a última vez que você vai se esconder no porta-malas. Mas, espere, antes preciso pegar uma coisa. Ela fica de costas e olha para o oeste, onde o sol acabou de desaparecer atrás das montanhas. O frio entra por suas roupas e envolve seu coração. E ela sabe o motivo: está ansiando pela única mulher que já amou e vai amar na vida. As lágrimas brotam inesperadas em seus olhos e ela pisca para reprimi-las. Agora, não. Ela não quer dar esse prazer a Anatoli. Só vai chorar hoje à noite. Com a mãe. Ela inspira fundo. É esse o cheiro da liberdade: frio, estrangeiro. Quando inspirar novamente, estará na sua terra, e suas aventuras se tornarão... do que foi que Lena chamou? Uma tolice do passado.

LADY-LUTHOR -KARLENA Histórias para pegar e não largar. Descubra agora