CAPÍTULO 51

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Sinto um aperto no peito como se tivesse levado um chute no plexo

solar.

Prometida?

Que babaquice medieval é essa?

Ela levanta a cabeça e me encara. Os olhos bem abertos, angustiados.

Sinto uma descarga de adrenalina; estou pronta para uma briga.

— Prometida? — repito num sussurro, sabendo muito bem o que isso

quer dizer.

Cacete, a mão dela foi dada a outro cara.

Ela abaixa a cabeça de novo.

— Sim. — Sua voz é quase inaudível.

Tenho um rival. Merda!

— E quando você pretendia me contar isso?

Ela está com os olhos bem fechados, como se estivesse com dor.

— Kara, olhe para mim.

Ela leva a mão à boca — para conter um soluço, talvez? Não sei.

Engole em seco e me fita. Sua expressão é de um sofrimento intenso, o

desespero palpável. Num segundo minha raiva se desfaz e me sinto em

meio a um turbilhão.

— Estou contando agora — diz.

Ela está comprometida.

A dor é instantânea. Visceral. Chocante. Estou em queda livre.

Mas que merda!

Meu mundo caiu. Minhas ideias. Meus planos vagos. Ficar com ela...

Me casar com ela...

Não posso.

— Você ama seu noivo?

Ela reage com um sobressalto, a boca aberta, em choque.

— Não! — É uma negação aflita, veemente. — Não quero casar com

ele. Foi por isso que saí da Albânia.

— Para fugir dele?

— Sim. Eu devia ter me casado em janeiro. Depois do meu aniversário.

Tinha sido aniversário dela.

Sem reação, eu a encaro. E, de repente, parece que as paredes estão se

fechando ao meu redor. Preciso de espaço. Como quando a conheci. Estou

sufocando num redemoinho de dúvidas e confusão. Preciso pensar. Eu me

levanto e, num gesto deliberado, ergo a mão para afastar o cabelo do rosto e

organizar meus pensamentos. Kara se encolhe ao meu lado. Ela se abaixa

e leva as mãos à cabeça como se estivesse esperando...

O quê?

— Meu Deus. Kara! Você achou que eu ia bater em você? —

exclamo e recuo um passo, chocada com a reação dela.

Outra peça do quebra-cabeça que é Kara Danvers se encaixa. Não

espanta que ela sempre tenha mantido certa distância de mim. E estou

pronta para matar o filho da mãe.

— Ele bateu em você? Hein, bateu?

Ela abaixa a cabeça, olhando as pernas. Envergonhada, eu acho.

Ou talvez sinta uma versão deturpada de lealdade em relação a esse

LADY-LUTHOR -KARLENA Histórias para pegar e não largar. Descubra agora