Capítulo 57

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Damos uma saída depois do almoço. Estamos de mãos dadas e sinto a
mão de Kara quente na minha. O dia está claro e frio, e o sol bem baixo
no céu quando descemos a avenida ladeada de faia que leva aos portões da
frente. Jensen e Healey correm perto de nós, atrás, ao lado e na frente,
contentes por aproveitarem o ar fresco. Depois do trauma daquela manhã,
acho que nós dois estamos aproveitando essa caminhada tranquila e
sossegada de fim de tarde.
— Olhe! — exclama Kara, e aponta para o rebanho de cervos na
linha do horizonte, no pasto norte.
— Temos cervos aqui há séculos.
— Aquele que vimos ontem. Era daqui?
— Não. Acho que era selvagem.
— Os cães não perseguem eles?
— Não. Mas mantemos os cães longe do pasto sul perto da época do
nascimento das crias. Não queremos que incomodem as ovelhas.
— Tem cabras aqui?
— Não. Criamos ovelhas e gado.
— Nós criamos cabras.
Ela sorri. Seu nariz está rosado do frio, mas ela está de casaco, gorro e
cachecol. Encantadora.
E acho até difícil acreditar que ela tenha sido mesmo vítima de uma
tentativa de sequestro hoje de manhã.
Minha garota não se abala facilmente.
Mas há algo que vem me incomodando. Preciso saber.
— Por que você quis ir embora? Por que não quis ficar e tirar satisfação
comigo? — Espero que ela não perceba a apreensão na minha voz.
— Tirar satisfação?
— Conversar comigo. Discutir comigo — explico.
Ela para embaixo de uma faia e olha as próprias botas. Não sei se vai
me responder.
— Eu estava magoada — solta após uma eternidade.
— Eu sei. Desculpe. Não quis magoar você. Jamais ia querer isso. Mas
para onde você ia?— Não sei. — Ela me encara. — Acho que foi... Como se diz? Instinto.
Sabe, Ylli e Dante... Já estou fugindo há muito tempo. Eu estava meio
abalada.
— Não consigo nem imaginar como deve ter sido apavorante. — Eu me
encolho e fecho os olhos, agradecendo a todos os deuses por ter chegado a
tempo. — Mas você não pode fugir sempre que tivermos um problema.
Fale comigo. Pergunte. Sobre o que for. Eu estou aqui. Vou escutar. Discuta
comigo. Grite comigo. Vou discutir com você. Vou gritar com você. Vou
entender errado as coisas. Você vai entender errado também. Tudo isso
acontece. Mas, para resolvermos nossas diferenças, precisamos conversar.
Um olhar fugaz de ansiedade aparece no rosto de Kara.
— Ei. — Levanto o queixo dela e trago seu corpo mais para perto do
meu. — Não se preocupe. Se... se você vai morar comigo... sabe... Precisa
me dizer como se sente.
— Morar com você? — sussurra ela.
— Isso.
— Aqui?
— Aqui. E em Londres. É. Quero que venha morar comigo.
— Como sua faxineira?
Rio e balanço a cabeça.
— Não. Como minha namorada. Eu estava falando sério na escada.
Vamos tentar.
Prendo a respiração. Meu coração está disparado. E, no fundo, não sei
se ela tem alguma opção... mas eu amo Kara. Quero que fique comigo.
Casar parece um passo ousado demais para sugerir no momento. E não
quero que ela fuja de novo.
É um passo ousado para você também, Lena!
— Eu vou, sim — sussurra ela.
— Vai?
— Vou!
Com um grito de alegria, eu a agarro, levantando-a e girando-a no ar. Os
cães começam a latir e a pular em cima de nós abanando os rabos, ansiosos
para participar da farra. Ela está rindo, mas de repente se retrai.
Merda.
Eu a devolvo ao chão imediatamente.
— Machuquei você?— Não — responde, e seguro seu rosto entre as mãos; ela está aos
prantos, os olhos brilhando de amor e talvez desejo.
Kara.
Eu me abaixo e a beijo. E o que pretendia ser um beijo carinhoso de eu-
te-amo se transforma em... outra coisa. Ela se abre como uma flor exótica,
retribuindo meu beijo com uma paixão avassaladora, e eu me deleito com
tudo o que ela tem para dar.
A língua dela em minha boca.
Suas mãos passando pelas minhas costas e apertando o tecido do meu
casaco.
Toda a tensão da manhã — de encontrá-la com aqueles dois
delinquentes, de pensar que talvez eu nunca mais a visse... Tudo isso
desaparece, e despejo em nosso beijo meus medos e minha gratidão por ela
ainda estar comigo. Quando nos separamos, sem fôlego, nossa respiração se
mescla em uma névoa de vapor no frio ao nosso redor, e os seus dedos
seguram as lapelas do meu casaco.
Jensen esfrega o focinho na minha coxa. Ignorando-o, volto a olhar a
expressão admirada de Kara.
— Acho que Jensen quer participar.
A risada dela sai rouca, e minha boceta reage àquele som.
— Também acho que estamos usando roupas demais. — Encosto minha
testa na dela.
— Quer tirar as roupas? — Ela morde o lábio.
— Sempre.
— Estou com calor. Muito calor — sussurra ela.
O quê?
Eu a encaro mais uma vez. Era para ser um comentário irreverente,
apenas uma gracinha — não um incentivo.
O que ela está dizendo?
— Ah, meu amor, você acaba de passar por uma experiência terrível.
Ela ergue um dos ombros, tipo "e daí?", e desvia o olhar do meu.
— O que está querendo me dizer? — pergunto.
— Acho que você sabe.
— Quer ir para a cama?
Seu sorriso largo é todo o estímulo de que preciso, e, embora eu saiba
que não devia, pego a mão dela. Radiantes e zonzos, voltamos rápido para casa, com os cães em nossos calcanhares.
— Este é meu quarto. — Lena sai do caminho para Kara poder
entrar.
Fica a umas poucas portas do quarto azul para onde Eve a levou mais
cedo.
Uma imponente cama com dossel domina o quarto em tons de verde-
escuro. Da mesma madeira lustrosa que o piano, a cama tem entalhes
igualmente intricados. As chamas da lareira lançam sombras bruxuleantes
sobre os entalhes. Acima da lareira, uma pintura reproduz a casa e os
terrenos que a cercam, e no fundo do quarto há um guarda-roupa imenso da
mesma madeira que a cama. Em todas as paredes, as prateleiras estão
cobertas de livros e objetos raros, mas algo na mesa de cabeceira atrai o
olhar de Kara: a luzinha noturna em formato de dragão.
Lena joga mais um tanto de lenha no fogo até formar labaredas.
— Ótimo. Fico feliz que alguém teve a ideia de acender a lareira. —
Voltando para perto de Kara, lena aponta para um cesto de vime sobre o
pufe aos pés da cama. — Mandei que trouxessem suas coisas do
Esconderijo. Espero que não se incomode. — A voz dela soa baixa e suave,
os olhos estão brilhantes. Intensos. Cada vez mais profundos e escuros...
cheios de desejo.
Um formigamento desce pelas costas de Kara.
— Tudo bem — murmura ela.
— Você teve um dia difícil.
— Quero ir para a cama. — Ela se recorda do beijo na escada. Ela teria
arrancado as roupas de lena ali naquela hora, se tivesse tido coragem.
Lena acaricia o rosto de Kara.
— Talvez você ainda esteja em estado de choque.
— Estou mesmo — sussurra ela. — Estou chocada por você me amar.
— Com todo o meu coração — diz Lena com uma sinceridade
genuína, mas depois sorri e a abraça. — E com isso. — Ela pressiona o
quadril nela, de modo que kara possa sentir o desejo nos olhos de sua amada.
Ela retribui o sorriso, sentindo uma chama se avivar dentro de si. Ela
deseja desesperadamente tocá-la— afinal, Lena a tocou em tudo que é lugar,
com as mãos... os lábios... a língua, exatamente como havia prometido. O olhar de Kara vai para a boca de lena, aquela boca sensual e
habilidosa, e ela sente o fogo em seu íntimo se intensificar.
— O que você quer, minha linda? — As costas dos dedos de Lena
acariciam o rosto de Kara, e seu olhar atinge a alma dela.
Desde que Lena confessou que a amava, seu desejo por ela a
consome.
— Quero você. — As palavras mal podem ser escutadas.
Lena geme.
— Você está sempre me surpreendendo.
— Você gosta de surpresas?
— Vindas de você, muito.
Kara puxa a blusa branca de Lena de dentro do jeans.
— Você vai tirar minha roupa? — A voz de lena está rouca, quase
como se ela tivesse parado de respirar.
Kara a encara por trás dos cílios.
— Vou.
Ela consegue fazer isso. E com dedos trêmulos, mas corajosos, abre o
botão inferior da blusa de Lena e a encara.
— Continue — incentiva Lena, a voz doce e sedutora.
Kara capta a excitação brotando na voz de Lena, o que alimenta seu
desejo. Ela desabotoa o seguinte, revelando o botão superior do jeans e o
caminho segue em direção ao abdômen definido. O botão a
seguir revela o umbigo e os músculos delineados da barriga. O ritmo da
respiração de Lena muda. Acelera. Fica mais rápido. O som excita
Kara, e seu dedos sobem pela camisa de lena, desabotoando-a até ficar
aberta e solta, revelando seus seios volumosos e que Kara saliva. Ela tem vontade de se aproximar e levar os lábios à pele de sua amada.

LADY-LUTHOR -KARLENA Histórias para pegar e não largar. Descubra agora