Sigo pela Cheyne Walk a passos largos.
Foda-se. Preciso de uma bebida para me acalmar. Dou uma olhada no
relógio. Kara não me espera antes das sete. Tenho tempo. Dou a meia-
volta e retorno à Oakley Street, decidindo ir ao Coopers Arms.
O vento me açoita, mas não sinto frio. Estou com raiva demais. Não
consigo acreditar na reação de Samantha.
Ou talvez eu já soubesse que seria ruim.
Eu sabia? Tão ruim assim? A ponto de ela me botar para fora da casa?
Droga.
Em geral, a única pessoa que consegue me deixar com tanta raiva é minha mãe. As duas são grandes esnobes. Assim como eu.
Cacete.
Eu não! Não!
O que Samantha vai dizer quando eu contar que quero me casar com Kara?
O que minha mãe vai dizer?
Case-se com alguém que tenha dinheiro, querida.
Lex escolheu bem.
Meu mau humor piora enquanto saio pisando forte noite adentro.
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— Eu não vou com você — declara Kara, a voz tremendo e entregando seu medo.
— Vamos conversar sobre isso lá fora. — Anatoli aperta o cotovelo dela até doer.
— Não! — grita Kara e consegue se soltar dele.
— Não me toque!
Ele a encara, furioso, o pescoço cada vez mais vermelho e os olhos se estreitando e se transformando em pedras afiadas de gelo.
— Por que está agindo assim?
— Você sabe por quê.
Os lábios dele se comprimem.
— Vim de muito longe atrás de você. Não vou embora de mãos vazias.
Você foi prometida a mim pelo seu pai. Por que o está desonrando?
kara cora.
— É aquela mulher ?
— Mulher ?
O coração de Kara dispara. Ele sabe sobre Lena ?
— Quando me falaram não acreditei. Mas Se for, eu vou matá-la.
— Não tem mulher nenhuma— sussurra ela, mais que depressa, o medo começando a levar a melhor, fazendo-a mergulhar mais fundo no desespero.
— Aquela amiga da sua mãe. Ela mandou um e-mail. Disse que havia uma mulher.
Kara está perplexa. Nia-Nal?
Anatoli pega a cesta dela e segura mais uma vez seu cotovelo.
— Vamos — diz ele, levando-a em direção à porta automática e largando a cesta na pilha logo ao lado da saída. Atordoada com o repentino aparecimento dele, Kara se deixa ser levada para a rua.
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Estou no bar tomando um Jameson. O líquido âmbar queima minha garganta, mas acalma a tempestade violenta no meu estômago.
Sou uma idiota.
Uma tremenda idiota.
Eu sabia que ainda pagaria o preço por ter ido para a cama com Samantha.
Puta merda.
Mas ela está certa. Eu sempre pensei em mim mesma. Até Kara aparecer. Então, tudo mudou. Para melhor.
Nunca conheci ninguém como ela, alguém que não tem nada — além do
talento, da inteligência e de um rosto lindo. Imagino o que teria feito da
minha vida se tivesse nascido menos privilegiada. Talvez fosse só alguém que toca piano, sem um tostão — isso se eu tivesse aprendido a tocar. Merda. Tenho tanta coisa e não valorizo. Eu vinha levando a vida sem preocupação, recebendo tudo de mão beijada, nada me afetava, e eu fazia só o que queria. Agora, preciso trabalhar, e várias centenas de pessoas dependem de mim e das minhas decisões. É uma tarefa assustadora e uma responsabilidade gigante que preciso aceitar se quiser manter meu estilo de vida.
No meio dessa confusão, encontrei Kara, e, num intervalo curtíssimo de tempo passei a gostar mais dela do que já gostei de alguém. Mais até do
que eu gostava de mim mesma. Eu a amo, e ela me ama e se preocupa comigo. Ela é um presente raro, uma mulher maravilhosa que precisa de mim. E eu preciso dela. Kara é uma mulher que me faz querer ser mais. Uma mulher que me faz querer ser uma pessoa melhor.
Não é isso que todo mundo quer da pessoa com quem pretende passar o resto da vida?
Mas aí Samantha entra na história. Olhando desanimada para o meu copo, preciso admitir que detesto discutir com Samantha. Ela é minha melhor amiga. Sempre foi. Meu mundo parece ficar de cabeça para baixo quando
brigamos. Isso já aconteceu algumas vezes, quando Lex estava aqui para mediar, mas ela nunca tinha me expulsado.
O pior é que eu pretendia lhe pedir ajuda para resolver a situação legal de Kara. O pai de Samantha é diretor sênior no Ministério do Interior. Se há alguém que pode ajudar, é ele.
Mas isso no momento está fora de questão.
Esvazio meu copo. Samantha vai mudar de ideia. Espero que ela mude de ideia.
Coloco o copo no balcão com força e chamo o barman. São 19h15, já está na hora de ir. Preciso voltar para a minha garota.
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LADY-LUTHOR -KARLENA
FanfictionKara não é o que Lena esperava, mas agora é tudo que ela mais deseja. Prepare-se para uma nova história de amor! Uma trama repleta de romance, ação e suspense.
