Capítulo 63

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— Lena, que porra está acontecendo?
Afasto as mãos da cabeça e Samantha está parada na porta. Está com
uma aparência péssima, como se tivesse enfrentado uma ventania, porém
mais calma do que alguns minutos atrás.

— Ele a levou. — Minha voz sai rouca enquanto me esforço para
controlar a raiva e o desespero.
— Quem?
— O noivo dela.
— Kara tem um noivo?
— É complicado.
Ela cruza os braços e franze a testa, parecendo genuinamente
preocupada.
— Você parece arrasada.
Lanço um olhar furioso para ela.
— E estou. — Eu me levanto devagar. — Acho que a mulher com quem
pretendo me casar acaba de ser sequestrada.
— Casar?
Samantha fica pálida.
— Sim. Casar, porra! — Minha voz ressoa nas paredes e nos encaramos intensamente, as palavras pairando entre nós cheias de arrependimento e
recriminação.
Samantha fecha os olhos e arruma o cabelo atrás da orelha. Quando me
encara outra vez, seus olhos azuis estão determinados.
— Bom, então é melhor ir atrás dela — diz.

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Kara está com o olhar vidrado na janela do carro, afogada em lágrimas que não param de cair. Elas escorrem livres, a dor encobrindo sua tristeza.
Lena e Samantha.
Lena e Samantha.
O que ela viveu com ela era tudo mentira?
Não! Não pode pensar isso. Lena disse que a amava e ela acreditou.
Ainda quer acreditar nela, mas é claro que isso não importa. Nunca mais vai
vê-la.
— Por que está chorando? — pergunta Anatoli, mas ela o ignora. Não
se importa com o que fizerem com ela agora. Seu coração está despedaçado, e ela sabe que nunca vai se curar. Ele liga o rádio e uma música pop animada ressoa pelos alto-falantes, abalando os nervos de
Kara. Ela desconfia que ele tenha feito isso para se distrair dos soluços abafados. Anatoli abaixa o volume e lhe entrega uma caixa de lenços. —
Aqui. Seque os olhos. Chega dessa bobagem, ou vou arranjar um motivo
para você chorar.
Ela pega um chumaço de lenços e continua olhando pela janela, indiferente. Nem sequer consegue encará-lo.
Sabe que vai morrer nas suas mãos.
E não há nada que possa fazer.
Talvez consiga fugir. Na Europa. Talvez possa escolher como morrer...
Kara fecha os olhos e mergulha em sua própria versão do inferno.

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— Ir atrás dela? — pergunto, a mente a mil por hora.
— Sim — diz Samantha, enfática. — Mas preciso perguntar: o que faz você pensar que foi sequestro?

— O bilhete dela.
— Bilhete?
— Aqui.
Entrego a ela o pedaço de papel amassado e me viro, esfregando o rosto, tentando organizar meus pensamentos embaralhados. Para onde ele vai levá-la?
Será que ela foi por vontade própria?
Não. Ela sentia repulsa pelo sujeito.
Ele tentou quebrar os dedos dela, cacete!
Deve tê-la forçado a ir. Como foi que a encontrou?

— Lena, este bilhete não passa a impressão de que ela foi sequestrada. Será que ela não decidiu ir para casa?
— Sam, ela não foi embora de boa vontade. Confie em mim. Preciso trazê-la de volta.
Merda. Passo por Samantha e sigo para a sala.

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— Puta que pariu!
— O que foi agora?
— Não tenho nenhum computador funcionando, porra!
— Preciso do seu passaporte — diz Anatoli enquanto eles percorrem as ruas de Londres.
— Como assim?
— Estamos indo para o trem do Eurotúnel. Preciso do seu passaporte.
Eurotúnel. Não! kara engole em seco. Aquilo é real. Está acontecendo. Ele a está
levando de volta para a Albânia.

— Eu não tenho passaporte.
— O que quer dizer com isso?
Ela o encara.
— Por quê, Kara? Me diga! Você se esqueceu de trazer? Não estou
entendendo. Ele franze a testa.

— Eu fui trazida clandestinamente para a Inglaterra por uns homens que levaram meu passaporte.

— Clandestinamente? Homens? — Ele cerra a mandíbula, e um músculo se contorce em seu rosto. — O que está acontecendo?
Ela está cansada e destruída demais para explicar.

LADY-LUTHOR -KARLENA Onde histórias criam vida. Descubra agora