No meu escritório — não de Lex —, ligo para jack. Nossa conversa é
sobre negócios. Ele está lidando com as consequências do furto. A Sra.
Blake e uma de suas assistentes estão no apartamento arrumando tudo, dois
membros da equipe de construção de Mayfair foram até lá para consertar a
porta, e um serralheiro vai trocar as fechaduras da entrada que dá para a rua.
O alarme está intacto e funcionando, mas decidimos mudar o código.
Escolho o ano do nascimento de Lex como novo número. Jack está doido
para que eu volte a Londres. Preciso assinar alguns documentos para o
Escritório da Coroa e registrar minha sucessão ao título, entrando no rol da
nobreza. Com os assaltantes de Kara presos e sob custódia, não há
motivo para ficarmos na Cornualha. Quando termino de falar com Jack,
ligo para Alex e pergunto como estão Nia e o filho dela. Conto sobre a
tentativa de sequestro.
— Mas que audácia da porra — dispara Alex. — Como está sua garota?
Bem?
— Ela é mais corajosa que todas nós juntas .
— Bom saber. Acho que devo ficar de olho na Sra. Nia-Nal e no filho
dela por uns dias. Até descobrirmos o que a polícia vai fazer com aqueles
vermes.
— Concordo.
— Retorno para você se houver qualquer coisa suspeita.
— Obrigada.
— Você está bem?
— De boa.
Alex ri.
— Bom saber. Câmbio e desligo.
Instantes depois de encerrar a ligação com Alex, meu telefone vibra. É
Samantha.
Droga. Eu disse a ela que ligaria na semana que vem.
Merda... já é semana que vem.
Perdi a noção do tempo.
Suspirando, atendo o celular com um "oi".
— Aí está você — diz ela, irritada. — O que está aprontando?
— Oi, Samantha, bom falar com você também. Sim, tive um final de
semana ótimo, obrigada.
— Não comece com esse papinho, Lena. Por que não me ligou? — A
voz dela embarga e sei que está magoada.
— Desculpe. As coisas saíram um pouco do controle por aqui. Por
favor, me deixe explicar quando nos encontrarmos. Amanhã ou depois já
vou estar de volta a Londres.
— Que coisas? O furto?
— Sim e não.
— Por que toda essa enrolação, Lena? — sussurra ela. — O que está
acontecendo? — A voz dela fica ainda mais baixa. — Senti sua falta.
O sofrimento dela ecoa em cada sílaba da resposta. E eu me sinto uma merda.
— Conto quando nos encontrarmos. Por favor.
Ela funga e sei que está chorando.
Porra.
— Por favor.
— Promete?
— Prometo. Assim que eu voltar. Vou ver você.
— Tudo bem.
— Até logo.
Desligo e ignoro o nó no estômago. Não tenho ideia de como ela vai
reagir ao que anda acontecendo aqui.
Tenho, sim. As coisas vão ficar feias.
Suspiro mais uma vez. Minha vida se complicou muito mais do que
imaginado por Kara Danvers, mas, mesmo quando penso nisso, não
consigo evitar um sorriso.
Meu amor.
Podíamos voltar para Londres amanhã. Posso ver com os próprios olhos
os danos no apartamento.
Alguém bate na porta.
— Entre.
É Eve.
— Jessie preparou almoço para a senhora e Kara. Onde gostaria que o
servíssemos?
— Na biblioteca. Obrigada, Eve.
Acho que a sala de jantar pode ser um pouco opressiva só para nós duas,
e a sala de café da manhã é um pouco entediante. Como ela gosta de livros...
— Se for do agrado de Vossa Senhoria, arrumaremos tudo em cinco
minutos.
— Ótimo.
Eu me dou conta de como estou com fome. Uma rápida olhada no
relógio de parede georgiano acima da porta me diz que são duas e quinze. O
tique-taque constante me lembra das vezes que esperei neste escritório
pelos sermões que meu pai dava sempre que eu fazia algo de errado... o
que acontecia com frequência. Mas agora o relógio diz que... já passou
muito da hora do almoço.
— Ah, Eve! — chamo-a de volta.
— Mileide ?
— Depois do almoço, pode ir ao Esconderijo e trazer todos os nossos
pertences? Coloque tudo no meu quarto, incluindo a luz noturna que está ao
lado da cama.
— Pode deixar, senhora. — Ela assente e se afasta.
Quando me aproximo da parte inferior da escada, ouço a música.
Kara está imersa em outra peça complexa que não conheço. Até ali
embaixo o som é incrível. Subo depressa a escada e paro logo depois da
porta, observando-a de longe. Acho que é uma composição de Beethoven.
Nunca a havia escutado tocando nenhum dos trabalhos dele. Uma sonata,
talvez? A música é empolgante e arrebatadora em um momento e silenciosa
e suave no seguinte. Que peça mais lírica. E ela a toca com primor. A garota
devia estar lotando salas de concerto.
A música entra em espiral até o fim, e Kara continua sentada por
mais um segundo, com a cabeça baixa e os olhos fechados. Quando olha
para cima, fica surpresa ao me ver.
— Mais uma apresentação excelente. O que era? — pergunto, indo até
ela.
— É Beethoven. "Tempestade".
— Eu podia ficar vendo e ouvindo você tocar o dia todo. Mas o almoço
está servido. Bem tarde. Você deve estar com fome.
— Sim. Estou. — Ela pula do banquinho e aceita minha mão estendida.
— Adorei esse piano. Tem um... hum... tom rico.
— Tom. É a palavra certa
— Você tem vários instrumentos aqui. No começo eu só tinha os olhos
para o piano.
Sorrio.
— Só tinha olhos. Sem "os". Você não se importa mesmo de eu corrigir
você?
— Não. Eu gosto de aprender.
— Violoncelo é o instrumento de minha irmã. Meu pai tocava contrabaixo. As guitarras são minhas. A bateria ali era do Lex.
Ele era um monstro na bateria. — Paro
no címbalo e passo os dedos pelo bronze polido. — Lex e sua bateria.
— Vamos. Estou com fome.
Os olhos de Lena brilham em um tom intenso de verde quando a
encara, mas ela percebe pela tensão na testa dela que seu sofrimento
continua presente e ela sente falta do irmão.
— Então, aquela é a sala de música — diz lena, saindo e descendo a
grande escadaria, parando lá embaixo. — A sala principal fica do outro lado
dessas portas duplas, mas hoje vamos almoçar na biblioteca.
— Você tem uma biblioteca? — pergunta Kara animada.
Lena sorri.
— Sim, temos alguns livros. Alguns são bem velhos. — As duas seguem
de volta para a cozinha, mas Lena para diante de uma das portas do
corredor. — Preciso avisar que meu avô se interessava muito por tudo
relacionado ao Egito.
Ela abre a porta, chegando para o lado para Kara passar. Ela para logo
depois de entrar. É como se tivesse adentrado outro mundo: um tesouro
escondido de literatura e antiguidades. Em todas as paredes há prateleiras
do chão ao teto lotadas de livros. Em cada canto há ou um pedestal, ou um
armário com relíquias do Egito: vasos canópicos, estátuas de faraós,
esfinges, um sarcófago em tamanho real!A lareira de mármore ornamentada está acesa, entre duas janelas altas,
mas estreitas, com vista para um pátio. Pendurada acima da lareira há uma
pintura antiga das pirâmides.
— Nossa, o pessoal se superou — diz Lena, mais para si mesmo.
Kara acompanha o olhar dela. Diante do fogo, uma mesinha coberta
por uma toalha fina de linho está cuidadosamente posta para duas pessoas:talheres
de prata, taças de cristal e pratos de porcelana delicados, decorados com
raminhos. Lena puxa uma cadeira para ela.
— Pode sentar.
E indica o lugar para ela com a cabeça.
Kara está se sentindo a nobre Donika Kastrioti, esposa de
Skanderbeg, herói do século XV da Albânia. Lança para Lena um sorriso
gracioso e senta-se à mesa, de frente para o fogo. Lena se acomoda na
cabeceira.
— Quando jovem, no início dos anos 1920, meu avô trabalhou com o
Lorde Carnarvon e Howard Carter escavando vários sítios arqueológicos no
Egito e pilhando todas essas antiguidades. Talvez eu devesse devolvê-las.
— lena faz uma pausa. — Até pouco tempo atrás, esse era o dilema de Lex.
— Vocês têm muita história aqui.
— Temos, sim. Talvez demais, até. É o legado da família.
Kara não consegue imaginar a responsabilidade de lidar com uma
herança dessas.
Alguém bate na porta e, sem esperar por uma resposta, Eve entra,
seguida por uma moça carregando uma bandeja.
Lena pega o guardanapo de linho e o coloca no colo. Observando-a,
Kara faz o mesmo. Eve apanha dois pratos da bandeja e serve a cada
uma delas o que parece uma salada com carne, abacate e sementes de romã.
— Porco desfiado de uma das fazendas locais com salada de folhas
frescas, finalizada com molho de romã — diz Eve.
— Obrigada — responde Lena, lançando-lhe um olhar curioso.
— Quer que eu sirva o vinho, mileide?
— Pode deixar comigo. Obrigada,Eve.
Ela responde com um aceno discreto de cabeça e com a mesma
discrição leva a moça para fora do aposento.
— Uma taça de vinho? — Lena pega a garrafa e observa o rótulo. —
É um bom Chablis.
— Sim. Por favor. — Kara a observa encher a taça até a metade. —
Nunca fui... aceitada e servida assim... só quando estou com você.
— Aceita — diz lena.— Talvez acabe se acostumando enquanto estiver
por aqui.
Ela dá uma piscadela.
— Você não tem uma equipe em Londres.
— Não. Embora talvez isso precise mudar. — Lena franze a testa por um
momento, então levanta a taça. — A fugas.
Ela ergue a própria taça.
— Gëzuar, Lena. Mileide.
Lena ri.
— Ainda não me acostumei com esse título. Agora, coma. Você teve
uma péssima manhã.
— Acho que a tarde vai ser muito melhor.
O olhar de Lena está fervoroso. Kara sorri e toma um gole
cauteloso do vinho.
— Hummm...
É muito melhor do que o vinho que ela provou com a avó.
— Gostou? — pergunta Lena.
Ela assente e examina os talheres. Tem uma variedade de facas e garfos
entre os quais escolher. Virando-se para Lena , ela a vê sorrir e pegar a
faca e o garfo mais distantes do prato.
— Sempre comece pelo lado de fora e vá entrando a cada prato.
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LADY-LUTHOR -KARLENA
FanfictionKara não é o que Lena esperava, mas agora é tudo que ela mais deseja. Prepare-se para uma nova história de amor! Uma trama repleta de romance, ação e suspense.
