CAPÍTULO 25

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Kara está sentada no trem,nervosa, revirando entre os dedos o pequeno crucifixo de ouro pendurado no pescoço. Pertencia a sua avó, o único bem que lhe restara da querida Alura. Ela gosta tanto daquele crucifixo. Nas horas de desespero, ele lhe traz conforto. Embora seus pais não sejam religiosos, a avó era... No momento, ela remexe no pingente e continua repetindo seu mantra.

DEUS,PROTEJA OS DOIS.
DEUS, PROTEJA OS DOIS.

Sua ansiedade é esmagadora. Eles a encontraram. Mas como? Como eles ficaram sabendo de Nia? Nia e Mon-El precisam estar bem. Em geral, Kara gosta de andar de trem, mas hoje está lento demais. Quando ele chega a Putney, Kara sabe que ainda vai demorar vinte minutos até Brentford.

POR FAVOR, DEPRESA.

Seus pensamentos voltam a Lena. Pelo menos ela está salva,por ora.
Seu coração vacila.

LENA.
Ela me beijou.
Duas vezes.
Duas vezes!

Ela disse palavras bonitas. Sobre mim.

VOCÊ É LINDA.
VOCÊ É DESLUMBRANTE.

E ela a beijou!
É assim que eu me sinto.

Se as circunstâncias fossem diferentes, Kara estaria em êxtase. Ela toca os lábios com os dedos. Foi um momento bom e ruim, ao mesmo tempo. Seus sonhos finalmente se realizaram, apenas para serem destruídos por Dante.

Não tem como ela se envolver com a Lady. Não. Lena. O nome dela é Lena.

Ela levou um perigo terrível até a casa dela. E precisa protegê-la.

ZOT ! SEU EMPREGO.

Ela vai perder o emprego. Ninguém quer encrenca batendo à sua porta,nem criminosos como Dante fazendo ameaças.

O que ela vai fazer?
Precisa ser cuidadosa ao voltar para a casa de Nia. Não pode deixar Dante descobrir onde ela está.

Não mesmo.
Ela precisa se proteger também.

O medo provoca um nó em sua garganta, e ela sente um calafrios. Kara se abraça, tentando evitar que a angústia aumente. Todos os sonhos e as esperanças estão perdidos. E, em um raro momento de autopiedade, ela balança o corpo para a frente e para trás, tentando encontrar algum conforto e aliviar o medo.

POR QUE O TREM TEM QUE DEMORAR TANTO?

Ele para na estação Barnes,e as portas se abrem.

____ Por favor. Por favor, depressa. —Sussurra Alicia, e seus dedos encontram o crucifixo de ouro mais uma vez.






LENA POV:


Dirijo a toda pela A4,minha mente pulando por Kara para aqueles homens e depois para Lex enquanto costuro pelo trânsito.

LEX ? O QUE VOCÊ FARIA?

Ele saberia o que fazer. Sempre sabia.
Eu me lembro do último Natal. Lex estava tão bem. Lyra e eu encontramos ele e Samantha em um festival de jazz em Havana. Alguns dias depois,nós todos voamos para São Vicente e Granadinas e pegamos um barco para Bequia a fim de passarmos o Natal juntos em uma mansão particular que alugamos. Lyra seguiu para Whistler, onde iria esquiar e passar o Réveillon com amigos, e Samantha, Lex e eu voltamos para a Inglaterra para o Ano-novo.

Foi uma semana incrível.
E um dia depois do Ano-novo, Lex morreu.

OU SE MATOU.

Pronto. Eu pensei nisso.
A suspeita que não falei para ninguém.

DROGA, LEX SEU MERDA.

A A4 vira M4, e dou uma olhada nas Torres altas que dominam a paisagem de Brentford e sinalizam que estou perto.

Seis minutos depois, estaciono na frente da casa dela,salto do carro e percorro às pressas o curto caminho até a porta. Ainda há montinhos de neve na grama e os restos tristes de um boneco de neve. O som da campainha ressoa em algum lugar lá dentro, mas ninguém responde. A casa está vazia.

MERDA.
ONDE ELA ESTÁ?

A apreensão me consome. Onde ela poderia está?
Ela vem de trem. É claro!

Eu tinha visto a placa da estação quando virei na Church Walk. Saio correndo em disparada,voltando pela rua de Kara,e viro à direita para a estrada principal. A estação fica menos de duzentos metros à minha esquerda.

GRAÇAS À DEUS É MUITO PERTO.

Enquanto desço as escadas da estação correndo, vejo um trem esperando na plataforma mais distante, mas está indo em direção a Londres. Paro e me concentro. Só há duas plataforma, e estou na que recebe os trens chegando. Tudo o que tenho a fazer é esperar. Uma tele no alto anuncia que o próximo trem chega às 15:07. Checo meu relógio;são 15:03.

VAMOS. VAMOS. REPITO, COMO SE MINHA VONTADE FOSSE O SUFICIENTE PARA FAZÊ-LO CHEGA.

Finalmente o trem chega,virando a curva devagar. Devagar demais, porra. Fico de pé com a coluna muito ereta,o estômago revirando de ansiedade à medida que as portas do trem se abrem e algumas pessoas desembarcam.

Doze pessoas.
Nada de Kara.
PUTA MERDA.

Quando o trem deixa a estação, volto a checar a tela. O próximo chega em quinze minutos.

NEM É TANTO TEMPO.
É UMA ETERNIDADE, CACETE!
DROGA.

Fico feliz que na pressa não esqueci do casaco. Está um frio de rachar. Junto as mãos na frente da boca e sopro, bato os pés no chão e puxo a gola do casaco tentando me manter aquecida. Enfiando as mãos nos bolsos,ando para a frente e para trás na plataforma enquanto espero.

Meu celular vibra, e por algum motivo louco, penso que pode ser Kara,mas é claro que não, porque ela não tem meu número. É Samantha. E o que quer que ela queira, pode esperar. Ignoro a ligação.

Após intoleráveis quinze minutos, o trem de 15h22 vindo de Waterloo aparece.
Ele diminui a velocidade quando se aproxima da estação e, depois de um minuto agonizante, para.

O tempo parece ficar em suspenso.
As portas se abrem, e Kara é a primeira a desembarcar.

AH, ATÉ QUE ENFIM PORRA.

O alívio que sinto quase me faz cair de joelhos, mas só a visão dela já me acalma.


KARA POV:

Quando Kara a vê, ela para e fica completamente perplexa. Os demais passageiros passam pelas duas, enquanto ela e Lena se encaram, absorvendo uma a outra. As portas se fecham com um sibilo de ar comprimido, e o trem sai da estação devagar, deixando as duas sozinhas.

____ Olá. —Diz Lena, quebrando o silêncio, ao se aproximar de Kara.

____ Você saiu sem se despedir.

A expressão de Kara desaba, e seus olhos se enchem de lágrimas, que descem pelas bochechas.
























☆Desculpa a demora ☆💋

LADY-LUTHOR -KARLENA Histórias para pegar e não largar. Descubra agora