A alegria explode como um milhão de fogos de artifício dentro de mim,
da cabeça aos pés. A intensidade me deixa sem fôlego. Não consigo
acreditar.
— Você me ama?
— Sim — sussurra Kara, com um sorriso tímido.
— Desde quando?
Ela faz uma pausa e dá de ombros, sem jeito.
— Desde que você me deu o guarda-chuva.
Sorrio para ela.
— Eu me senti tão bem com aquilo... Suas pegadas molhadas estavam
por todo o corredor. Então... está dizendo que vai ficar?
— Sim.
— Aqui?
— Sim.
— Fico muito feliz de ouvir isso, meu amor.
Acaricio o lábio inferior dela com o polegar e me inclino para beijá-la.
Coloco meus lábios nos dela com suavidade, mas ela se incendeia ao meu
redor e me surpreendo com seu fervor. Seus lábios e língua estão ávidos,
urgentes, as mãos no meu cabelo, puxando e torcendo. Ela quer mais. Muito
mais. Gemo enquanto meu corpo ganha vida e intensifico o beijo, aceitando
tudo o que ela tem para oferecer. Sua boca exigente está desesperada. Ela
está carente. E eu quero ser quem supre essa carência. Passo as mãos pelo
seu cabelo, segurando-a, firmando-a, diminuindo seu ritmo. Quero tê-la
para mim, ali, agora, no patamar da escada.
Kara.
Minha libido é imediata.
Eu a quero.
Eu preciso dela.
Eu a amo.
Mas... ela passou pelo inferno. Estremece quando passo a mão pela
lateral do seu corpo. E sua reação me faz voltar a mim.
— Não... — sussurro, e ela se afasta, me lançando um olhar cheio de
desejo, mas perplexo e decepcionado. — Você está machucada — explico.
— Estou bem.
Ela está sem fôlego e estica o pescoço para me beijar outra vez.
— Vamos esperar um pouco — sussurro, e apoio a testa na dela. —
Você teve uma manhã horrível.
Ela está extremamente emocionada, e o fervor pode ser uma reação
direta pelos maus-tratos daqueles idiotas.
Esse pensamento me desanima.
Ou talvez seja porque ela me ama.
Gosto mais dessa ideia.
Mantemos uma testa apoiada na outra enquanto recuperamos o fôlego.
Ela acaricia meu rosto, então inclina a cabeça para um lado e seus lábios
sugerem um sorriso.
— Você é a condessa disso tudo ? — provoca ela. — Quando ia me
contar isso?
Há um brilho travesso em seus olhos, e eu rio, sabendo que ela está
repetindo a minha pergunta da outra noite.
— Estou contando agora.
Ela sorri e bate no próprio lábio com o dedo. Eu me viro e indico com
um floreio o retrato de 1667.
— Permita-me apresentar Edward, o primeiro Conde de Luthor'S-Corp. E
aquele cavalheiro — aponto para a outra pintura com o polegar — é meu
pai, o décimo primeiro conde. Ele era agricultor e também fotógrafo. E um
torcedor fervoroso do Chelsea, então não sei o que teria achado da sua
camisa do Arsenal.
Kara me lança um olhar intrigado.
— Eles são times rivais de Londres.
— Ah, não! — Ela ri. — Cadê seu retrato?
— Não tenho ainda. Não sou condessa há tanto tempo. Meu irmão mais
velho, Lex... Ele era o conde de verdade. Mas nunca mandou pintar seu
retrato.
— O seu irmão que morreu?
— Sim. O título e tudo o que vem junto eram responsabilidade dele até
algumas semanas atrás. Não era para eu ter assumido esse papel ou tudo...
isto. — Inclino a cabeça na direção das armaduras. — Administrar este
lugar, este museu, é tudo novo para mim.
— Foi por isso que não me contou? — pergunta Kara.
— Foi um dos motivos. Acho que parte de mim está em negação. Essa e
as outras propriedades são muita responsabilidade, e não fui treinada para
isso.
E Lex foi...
A conversa está ficando muito profunda e íntima. Continuo contando,
com um leve sorriso:
— Eu tenho muita sorte. Nunca precisei trabalhar, e agora tudo isso é
meu. E preciso preservar para a próxima geração. É meu dever. — Dou de
ombros. — Essa é quem eu sou. Agora você sabe. E estou feliz por ter
decidido ficar.
— Senhora?— chama Eve do andar de baixo.
Lena relaxa um pouco os ombros. Kara percebe que ela não quer
ser incomodada.
— Sim, Eve? — responde Lena.
— O médico está aqui para ver Kara.
Lena lança um olhar ansiosa para ela.
— Médico?
— Eu estou bem — diz Kara, hesitante.
Lena franze a testa.
— Mande-a para o quarto azul.
— Não é a Dra. Carter, é o Dr. Conway, senhora. Vou mandá-lo para lá
imediatamente, milady.
— Obrigada— diz Lena a Eve, e em seguida pega a mão de
Kara— O que aquele infeliz fez com você?
Kara não consegue encará-la nos olhos. Ela sente vergonha, vergonha
de ter trazido esse horror para a vida de Lena.
— Ele me chutou — sussurra ela. — Eve quis que o médico visse
isto.
Ela levanta a lateral da camisa do Arsenal para revelar uma marca de
um tom forte de vermelho, do tamanho do punho de uma mulher.
— Merda. — A expressão de Lena se fecha, a boca comprimida em
uma linha fina. — Eu devia ter matado aquele sujeito — sibila ela.
Pega a mão dela e as duas voltam para o quarto azul, onde um homem
idoso com uma bolsa grande de couro está à espera. Kara fica surpresa ao
ver que as roupas que ela deixou na cama e no chão foram arrumadas.
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LADY-LUTHOR -KARLENA
FanfictionKara não é o que Lena esperava, mas agora é tudo que ela mais deseja. Prepare-se para uma nova história de amor! Uma trama repleta de romance, ação e suspense.
