CAPÍTULO 47

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— Achei que devíamos celebrar. Às primeiras vezes.
Lena levanta a taça, e Kara faz o mesmo.

— Às primeiras vezes — diz ela, virando-se para olhar o sol poente pela
janela. — O champanhe é da mesma cor que o céu — comenta,
maravilhada, e sabe que Lena a observa, mas ela também se vira para
apreciar a vista magnífica. — Que indecência — diz ela, quase para si
mesma.

Está tomando banho com uma mulher, que não é sua esposa,
uma mulher com quem acabou de fazer sexo pela primeira vez, e está
bebendo champanhe rosa.

Ela nem sabe o nome todo dela.
Uma risadinha chocada surge do seu lugar feliz.

— O que foi? — pergunta Lena.

— Seu sobrenome é Mileide ?
Lena fica boquiaberta e então ri. Kara empalidece um pouco e
toma outro gole.

— Desculpe. — Lena parece envergonhada. — Isso é só um... hum...
Não. Meu sobrenome é Luthor.

— Lu- thor.

Kara repete algumas vezes. Um nome complicado para uma mulher
complicada? Ela não sabe. Lena não parece complicada, apenas muito
diferente de qualquer outra mulher que conheça.

— Ei — diz Lena. Colocando a taça no peitoril da janela, e pegando o
sabonete e faz espuma entre as mãos.

— Deixe eu lavar seus pés.
Estende a mão.
Lavar meus pés!

— Deixe — sussurra Lena quando ela hesita.
Colocando a taça no peitoril, ela apoia o pé vacilante na mão de Lena, que
começa a massagear o sabonete em sua pele.
Ah.
Ela fecha os olhos enquanto dedos macios trabalham metodicamente no
peito do seu pé, no calcanhar e no tornozelo. Lena esfrega a sola com a
pressão perfeita.

— Ah... — geme ela.

Quando Lena alcança os dedos, lava cada um individualmente, depois os
enxágua, puxando e torcendo um por um com delicadeza. Ela se contorce
debaixo da água e abre os olhos. O olhar firme de Lena sustenta o dela e a deixa
sem fôlego.

— Bom? — pergunta Lena.

— Sim. Mais do que bom. — A voz dela está rouca.

— Onde você sente isso?

— Em todo lugar.

Quando Lena aperta o mindinho, todos os músculos ficam profundamente
tensos dentro dela. Kara arfa, Lena levanta o pé dela e, com um sorriso
maliciosa, beija seu dedão.

— Agora o outro — ordena ela com a voz suave.
Desta vez, Kara não hesita. Os dedos dela fazem mágica mais uma vez, e,
quando termina, o corpo inteiro de Kara já se derreteu. Lena beija um dedo
de cada vez, exceto pelo menor, que enfia na boca e chupa. Com força.

— Ah!

Ela sente a barriga se agitar. Abre os olhos e encontra o mesmo olhar
intenso, embora os lábios de Lena estejam agora curvados em um sorriso
singular. Ela beija a planta do pé dela.

— Melhor?

— Hummm...

Ela consegue soltar apenas um murmúrio incoerente.
Um desejo estranho surge em sua barriga.

— Ótimo. Acho melhor a gente sair antes que a água esfrie.
Lena se levanta e sai do banho. Kara fecha os olhos. Acha que nunca
vai se acostumar a vê-la nua ou se adaptar à sensação dolorida e ávida que se
prolonga dentro dela.

* * *

— VAMOS — DIZ LENA.

Com uma toalha enrolada na cintura, Lena oferece um roupão
azul-marinho. Um pouco menos tímida, Kara se levanta e pega a mão dela,
que a ajuda a sair da banheira. Lena a envolve no roupão, macio, apesar de
grande demais para ela. Kara se vira para encará-lo, e Lena a beija, um
beijo de verdade, completo, a língua explorando sua boca. Os dedos em sua
nuca, segurando-a, guiando-a. Quando a solta, ela está sem fôlego.

— Eu podia beijar você o dia todo — murmura Lena.

Gotículas de água se agarram ao corpo de Lena como orvalho. Ainda
aturdida, Kara imagina qual seria o sabor se as lambesse.
Como assim?
Ela inspira com força diante daqueles pensamentos indóceis.
Que atrevida.
Ela sorri. Talvez se acostume a vê-la nua.

— Tudo bem? — pergunta Lena.
Ela assente, e, pegando sua mão, Lena a leva de volta para o quarto. Ela
apanha o seu blusão e o veste. Com os olhos arregalados, Kara a
observa.

— Apreciando a vista?

Lena dá um sorrisinho.
Ela sente o rosto ficar subitamente quente, mas sustenta o olhar dela.

— Gosto de olhar você — sussurra Kara.
A risadinha se transforma em um sorriso encantador e sincero.

— Bom, também gosto de olhar você, e sou toda sua — diz Lena, mas sua
expressão é de incerteza, e ela desvia o olhar. Recupera-se depressa, e então se vira para ela e acaricia sua bochecha, roçando
o polegar na linha da mandíbula. — Você não precisa se vestir, se não
quiser. Estou esperando a Eve com o nosso jantar.

— Ah, é?
Eve de novo? Quem é ela? Por que não falamos sobre ela?
Lena se inclina e beija Kara.

— Mais champanhe?

— Não, obrigada. Vou me vestir.
Ah. Pelo tom, acho que ela quer que eu a deixe sozinha enquanto se
veste.

— Você está bem? — pergunto. Seu sorriso discreto e seu aceno de
cabeça confirmam que sim. — Ótimo — murmuro, e volto ao banheiro para
pegar nossas taças e o Laurent-Perrier.
O sol enfim desapareceu, encobrindo o horizonte com a escuridão. Lá
embaixo, na cozinha, acendo as luzes e guardo o champanhe na geladeira
enquanto penso em KaraDanvers.
Cara, ela é surpreendente.

Ela parece mais feliz e relaxada, porém não tenho certeza se foi a
massagem nos pés, o banho, o champanhe ou o sexo. Observar sua reação
na banheira foi prazeroso. Kara de olhos fechados e gemendo com aquela
sensualidade natural enquanto eu massageava seus pés foi de tirar o fôlego.
As possibilidades...
Puta merda.
Balanço a cabeça diante dos pensamentos lascivos.
Eu estava determinada a deixá-la em paz.
Determinada.
Mas quando enfim me entreguei à minha dor, ela me distraiu e me
reconfortou. E eu sucumbi... a uma mulher usando um pijama do Bob
Esponja e uma camisa velha de time de futebol. Mal posso acreditar.
O que será que Lex teria feito com Kara?
Você não está transando com uma funcionária, está, irmã?
Não. Lex provavelmente não aprovaria o que fiz, embora fosse gostar de
Kara. Ele sempre teve um olho bom para garotas bonitas.

— Esta casa é tão quente — diz Kara, interrompendo meus
pensamentos.
Está diante do balcão da cozinha vestindo a calça do pijama e a blusa
branca.

— Quente demais? — pergunto.
— Não.
— Ótimo. Mais fizz?
— Fizz?
— Champanhe?
— Sim. Por favor.
Recupero a garrafa na geladeira e encho nossas taças mais uma vez.

— O que gostaria de fazer? — pergunto, depois que ela toma um gole.
Sei o que eu quero fazer, mas, considerando que ela está dolorida,
provavelmente não seria uma boa ideia.
Talvez mais tarde hoje à noite.
Pegando sua taça, Kara se senta em um dos sofás na área de leitura e
olha para o jogo de xadrez na mesa de centro. O interfone toca.

— Deve ser Eve — digo, liberando a entrada dela.
Kara pula do sofá.

— Está tudo bem. Não precisa se preocupar — garanto.

LADY-LUTHOR -KARLENA Histórias para pegar e não largar. Descubra agora