Capítulo 54

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Eve pega uma estradinha mais estreita, vizinha a uma casa antiga e
charmosa, e o carro velho balança quando elas passam por umas barras de
metal na pista. A terra ali é verde e exuberante, embora seja inverno. Elas
percorrem um pasto aberto e amplo. Parece... bem-cuidado, não como o
campo selvagem que ela viu desde que chegou ali. Há ovelhas bem
alimentadas em alguns pontos. Enquanto o carro sacoleja pela estrada, uma
grande casa cinza surge diante delas. É imponente. A maior que Kara já
viu. Ela reconhece a chaminé. É a casa que viu da estrada enquanto
caminhava com Lena. Ela disse que pertencia a alguém, mas ela não
lembra quem. Talvez seja ali que Eve mora.
Por que está cozinhando para a Lady Lena se mora aqui?
Eve dá a volta até os fundos da casa e estaciona perto da porta de
entrada.
— Chegamos — diz ela. — Bem-vinda à Mansão Luthor'S.
Kara tenta sorrir, mas não consegue, e sai do carro. Ainda instável,
ela segue Eve pela porta e entra no que parece ser a cozinha. É um
cômodo grande e arejado, a cozinha mais espaçosa que Kara já viu.
Armários de madeira. Piso de azulejo. Está impecavelmente limpa. Antiga e
moderna ao mesmo tempo. Há dois fogões. Dois! E uma mesa imensa onde
cabem ao menos quatorze pessoas. Dois cachorros grandes de pelo
castanho-avermelhado vêm pulando na direção das duas. Kara recua.
— Quieto, Jensen. Quieto, Healey!
A ordem de Eve faz os dois cães ficarem imóveis. Eles se deitam,
encarando as mulheres com grandes olhos expressivos. Kara os espia
com desconfiança. São cachorros bonitos... mas, de onde ela vem,
cachorros não ficam dentro de casa.
— São inofensivos, querida. Só estão felizes de conhecer você. Venha
comigo — diz ela. — Quer tomar um banho de banheira?
Seu tom de voz é solícito e gentil, mas Kara cora, envergonhada.
— Sim — sussurra.
Ela sabe! Sabe que Kara fez xixi na calça.
— Deve ter sentido um medo terrível.
Kara assente e tenta conter as lágrimas que enchem seus olhos.
— Ah, menina, não chore. Sua Senhoria não ia querer isso. Vamos
cuidar de você.

Senhoria?
Ela segue Eve por um corredor com painéis de madeira cujas paredes
de ambos os lados estão repletas de pinturas de paisagens, cavalos,
edifícios, cenas religiosas e alguns retratos. Passam por várias portas
fechadas e sobem por uma escadaria de madeira estreita até chegarem a
outro corredor comprido com painéis de madeira. Eve para por fim e
abre a porta de um quarto agradável com cama, móveis brancos e paredes
azul-claras. Ela atravessa o quarto para chegar ao banheiro e gira as
torneiras. Kara fica de pé atrás dela, puxando o cobertor em torno do
corpo e observado a água cair na banheira e o vapor subir. Eve adiciona
espuma de banho aromática à água, que Kara percebe ser da Jo Malone, a
mesma marca que havia no Esconderijo.
— Vou trazer algumas toalhas para você. Se deixar suas roupas na
cama, posso lavá-las rapidinho.
Ela dá um sorriso solidário para Kara e sai, deixando-a sozinha.
Kara olha fixo para a água que cai na banheira; uma espuma se
formando e cobrindo a superfície. A banheira é antiga. Uma banheira com
pés no formato de garras. Seu corpo começa a tremer e ela puxa o cobertor,
mais para junto do corpo.
Ainda está ali parada quando Eve volta com as toalhas limpas.
Colocando-as na cadeira branca de palha, ela fecha as torneiras, então volta
a atenção para Kara, seus olhos azuis sagazes brilhando de compaixão.
— Ainda quer o banho de banheira, querida?
Kara faz que sim.
— Quer que eu saia?
Kara faz que não. Não quer ficar sozinha. Eve suspira com empatia.
— Está bem, então. Quer que eu a ajude a tirar a roupa? É isso?
Kara assente.
******************

— E vamos ter que falar com a sua noiva — diz a policial Nicholls.
Ela tem mais ou menos a mesma idade que eu, é alta e esbelta, de olhos
brilhantes e atentos, e anota cada palavra que digo. Tamborilo os dedos na
mesa de jantar. Quanto tempo isso vai demorar? Estou ansiosa para voltar
para Kara, minha noiva...

Tanto Nicholls quanto seu superior, o Sargento Nancarrow, escutaram
pacientemente a história terrível sobre a tentativa de sequestro de Kara.
Naturalmente, fui econômica com a verdade, mas me mantive a mais
próxima possível dela.
— Claro — respondo. — Assim que ela se recuperar. Aqueles babacas a
machucaram feio. Se eu não tivesse chegado aqui a tempo...
Fecho os olhos depressa e sinto um calafrio nas costas.
Talvez eu nunca mais a visse.
— Vocês duas passaram por uma experiência horrível. — Nancarrow
balança a cabeça, enojado. — Vai levá-la para ser examinada por um
médico?
— Vou.
Espero que Eve tenha pensado em marcar isso.
— Espero que ela logo se recupere — diz ele.
Estou satisfeita por Nancarrow estar aqui. Eu o conheço desde criança.
Já nos desentendemos algumas vezes por causa de festas barulhentas tarde
da noite e por algumas situações de bebedeira na praia. Mas ele sempre foi
justo. E é claro que foi ele quem foi até a casa nos informar sobre o trágico
acidente de Lex.
— Se esses sujeitos tiverem ficha suja, vai estar na nossa base de dados.
Pequenos delitos, crimes mais sérios, vai aparecer tudo, Lady Lena.
— continua Nancarrow. — Tem tudo de que precisa, Nicholls?
— Sim, senhora. Obrigada.
Parece animadíssima, e suspeito que nunca tenha lidado com uma
tentativa de sequestro.
— Ótimo.
Nancarrow dá um sorriso de aprovação.
— Belíssima casa esta aqui, Lady.
— Obrigada.
— E como tem passado? Desde o falecimento do seu irmão?
— Vou levando.
— É uma história triste.
— É mesmo.
— Ele era um homem bom.
Concordo com a cabeça.

LADY-LUTHOR -KARLENA Histórias para pegar e não largar. Descubra agora