𝗥𝘂𝗲 𝗕𝗹𝗮𝗸𝗲;
[...]
Ao sentir meu corpo sendo sacudido, me sentei rapidamente na cama e cerrei os punhos nos lençóis, assustada.
—Mas que diabos?!— Eu questionei, com meu peito subindo e descendo em um ritmo acelerado.
—Me desculpa, Rue! Eu não queria te assustar. Você está bem?— Ayumi disse e eu suspirei aliviada.
—Tudo bem, eu só achei que fosse...— Interrompi minha fala— Por que você me acordou assim?
—Já são nove horas, eu ia perguntar se você quer sair para tomar café na Larry's.
Larry's é a nossa lanchonete favorita. Meu irmão mais velho, Levi, costumava levar eu e Ayumi depois das aulas até lá, era bastante divertido. Agora que somos só nós duas, é um pouco estranho, mas eu acho que algum dia vou me acostumar.
—Ah, pode ser.— A respondi, esfregando meus olhos.
—Pode pegar uma roupa minha emprestada, já que as suas estão sujas.
—Eu já disse que você é um anjo, garota?— Questionei, com um sorriso divertido tomando conta do meu rosto.
—Já.— Ela começa a rir.
{...}
Enquanto Ayumi mexia no celular, eu admirava a decoração da lanchonete onde estávamos. O local possuía alguns assentos vermelhos, o chão era estilo xadrez em preto e branco e LEDs vermelhos e azuis iluminavam o local, criando uma atmosfera aconchegante.
—Aqui, meninas!— A atendente disse, pondo as comidas na mesa.
—Obrigada.— Eu agradeci.
Por não estar com muita fome, acabei pedindo somente um cappuccino e um waffle. Já Ayumi pediu panquecas, uma fatia de torta, uma xícara de café e dois donuts.
—Cara, como você consegue comer tudo isso?— Indaguei, encarando toda a comida em cima da mesa.
—Eu preciso de energia, Rue!— A morena respondeu, me arrancando uma gargalhada.
Eu levei o waffle até minha boca e dei um gole no cappuccino, logo sentindo o maravilhoso gosto da comida.
Caramba! Levi estava certo, o cappuccino do Larry é incrível!
—Rue, você não odiava cappuccino?— Ayumi perguntou, me tirando dos meus pensamentos.
—É que eu lembrei da vez em que eu, você e Levi viemos aqui e ele ficou indignado por eu não tomar o cappuccino do Larry.
—Nossa, eu lembro!— Ayumi exclama e começa a engrossar a voz para imitar meu irmão.— "Porra Rue, não experimentar o café do Larry é uma blasfêmia! Você é mesmo minha irmã?!"— Nós começamos a rir com a lembrança.
—Meu irmão ficou puto comigo por uma semana.— Eu digo, limpando uma lágrima solitária na minha bochecha. Minha barriga estava doendo de tanto rir.
Quando paramos de rir, Ayumi estava parada, com a cabeça baixa. Parecia estar pensando em algo.
—Eu sinto falta do L...— Ela dispara, usando o apelido que havia pondo em Levi quando éramos mais novas.
—É, eu também...— Eu respondo, sentindo meu peito começar a apertar.— Coma, se não o café vai esfriar.— Ordeno, mudando o assunto.
{...}
Ao terminarmos de tomar café, Ayumi me deixou em casa. Assim que entrei em meu quarto, a primeira coisa que fiz foi me jogar na cama e dormir, mas um som ensurdecedor de guitarra, baixo ou seja lá o instrumento que for, me despertou.
Eu piscava os meu olhos lentamente, tentando assimilar de onde vinha o alto som. Algum tempo depois, quando despertei o suficiente para ficar consciente, percebi que o som vinha da casa vizinha.
Eu ouvi rumores de que ela havia sido vendida, o que me surpreendeu bastante. É uma casa bem velha, eu e meu irmão costumávamos ir até lá para brincarmos de esconde-esconde quando costumava ser abandonada. A única coisa que separa nossas residências é um pequeno jardim, que inclusive, eu estou atravessando neste exato momento.
Paro em frente a grande casa, bem mais cuidada do que a última vez que a vi, e bato na porta. Não recebi resposta alguma, então decido chamar por alguém.
—Abram a porta!— Eu digo, batendo novamente e com mais força.
Então, para a minha surpresa, a porta é aberta bruscamente.
—Vai quebrar a porta mesmo, porra?!— A voz grave e rouca parada á minha frente questiona.
Eu arregalo levemente os olhos ao lembrar-me da figura á minha frente. O garoto percorre seus olhos por mim, enquanto penteia os fios brancos para trás com a mão.
—Espera, você não é o garoto que correu contra mim ontem?— Eu indago, com meu queixo caído.
—Sim, sou eu. O que faz aqui?— Ele responde com os olhos azuis semicerrados em minha direção.
—Ah, eu vim pedir para diminuir o volume da música, está me incomodando.— Digo, ainda surpresa.
—Não vai ser possível. Mais alguma coisa?
Eu o olho com desdém e ele continua me encarando.
—Olha aqui garoto...
—Aaron.— Ele me interrompe novamente.
—Eu não me importo com o seu nome, seu idiota! E não me interrompa de novo. Agora me escuta, se você não abaixar o volume dessa música, eu vou chamar a polícia.
—Chame. Eu acho que eles adorariam saber que você participa de corridas ilegais.
—Você também participa, espertão.— Eu reviro meus olhos e após a minha fala, ele bate a porta na minha cara.— Idiota!— Eu grito, desferindo um chute na porta.
—Você vai pagar essa merda, Rue!— Aaron grita também, porém com a voz mais abafada.
—Como você sabe o meu nome?!
Silêncio.
—Aaron, me responde!
Ao ver que o garoto não responderia, perco a paciência e atravesso o jardim, entrando em minha casa novamente. Porra, não acredito que esse idiota é o meu novo vizinho!
𝙏𝙤 𝙗𝙚 𝙘𝙤𝙣𝙩𝙞𝙣𝙪𝙚...
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𝐄𝐒𝐂𝐀𝐏𝐈𝐒𝐌
AbenteuerA vida de Rue Blake vira de cabeça para baixo quando um novo corredor de rachas chega a cidade, e piora ainda mais quando ela descobre que ele é o seu novo vizinho. Desde a sua mudança, assassinatos e mensagens misteriosas começam a aparecer, o quê...
